domingo, 5 de abril de 2026

 
O chocolate é o principal motivo de preocupação, ele pode provocar intoxicações que podem ser graves e até evoluir para óbito 

 

Compartilhar comida é um gesto de carinho entre as pessoas, mas para os pets isso pode representar um risco à saúde. Especialmente em momentos de confraternização, como a Páscoa - período de mesa cheia, chocolate circulando e encontros em família -, é cada vez mais comum os cães participarem dessas celebrações como verdadeiros membros da casa. Nesse cenário, um gesto aparentemente simples acaba se tornando comum, mas perigoso: oferecer um pedacinho do que está no prato ao pet. 

O problema é que esse hábito, geralmente associado a demonstrações de carinho, pode representar um risco para a saúde dos animais. Durante datas comemorativas, quando a rotina alimentar das famílias muda, também cresce a chance de os cães terem contato com alimentos que não fazem parte da dieta deles. 

De acordo com Mayara Andrade, médica-veterinária de GranPlus (MBRF Pet), esse comportamento está ligado ao processo de humanização dos pets, cada vez mais presente nas famílias brasileiras. 

“Hoje os cães participam muito mais da vida cotidiana das pessoas, inclusive dos momentos à mesa. O alimento acaba sendo visto como uma forma de demonstrar afeto. Mas muitos dos pratos consumidos nessas ocasiões têm ingredientes que não são adequados para o organismo dos cães”, explica. 

 

O perigo por trás do chocolate  

Entre os alimentos típicos da Páscoa, o chocolate continua sendo o principal motivo de preocupação. Isso porque ele contém teobromina (um composto natural do cacau, da mesma família química da cafeína) substância que os cães não conseguem metabolizar de maneira eficiente. 

Segundo a médica-veterinária, a ingestão pode provocar sintomas como vômito, diarreia, agitação, tremores e aumento da frequência cardíaca. Em casos mais graves, podem evoluir para a morte. 

“Mesmo pequenas quantidades podem causar intoxicação. Por isso, o ideal é manter ovos de Páscoa e outros doces que tenham chocolate fora do alcance dos cães e orientar também crianças e visitantes a não oferecerem esse tipo de alimento ao animal”, orienta a veterinária.  

Se houver ingestão acidental, a recomendação é procurar atendimento veterinário para avaliação.

 

Quando o petisco vira uma forma de comunicação  

Mayara explica que isso não significa que o cão precise ficar de fora dos momentos de celebração. Pelo contrário. O momento do agrado pode ser uma forma importante de interação entre responsável e animal — desde que a escolha seja adequada. 

Uma pesquisa da Mintel indica que mais de 80% dos responsáveis acreditam que oferecer snacks ajuda a fortalecer o vínculo com seus pets. Segundo a profissional, o gesto tem impacto direto na relação entre o responsável e o cão. 

“O snack pode funcionar como uma linguagem de afeto. Ele ajuda a reforçar comportamentos positivos e cria momentos de atenção entre responsável e animal. O importante é escolher produtos próprios para cães e respeitar a quantidade adequada dentro da dieta”, afirma.  

De forma geral, cerca de 90% das calorias diárias devem vir do alimento completo e balanceado, enquanto petiscos, como biscoitos e bifinhos para pets, por exemplo, muito atrativos para os cães, podem representar até 10% da ingestão calórica do dia. "Essa é uma recomendação e varia de acordo com a individualidade de cada pet", orienta. 

 

Da caça aos ovos à “caça ao petisco”  

Outra maneira de incluir os cães no clima da Páscoa é adaptar uma das brincadeiras mais tradicionais da data: a caça aos ovos, conforme orienta a médica-veterinária. 

“A ideia é simples. Em vez de chocolates, o responsável pode esconder pequenos petiscos ou snacks pela casa ou pelo quintal para que o cão os encontre usando o faro. Esse tipo de atividade estimula o comportamento natural de busca, ajuda a gastar energia e funciona como enriquecimento ambiental. Para o cão, o processo de procurar o alimento pode ser tão interessante quanto a recompensa em si”, explica Mayara. 

Brinquedos interativos, caixas de papelão ou pequenos obstáculos também podem ser usados para esconder os petiscos e tornar a atividade mais desafiadora.

 

Atenção ao que fica ao alcance  

Além da comida, a veterinária recomenda atenção a outros itens comuns nessa época do ano. Objetos estranhos, como embalagens metalizadas, papéis de chocolate e fitas, por exemplo, podem chamar a atenção dos cães e acabam sendo ingeridos com certa frequência, o que pode causar problemas ou obstruções gastrointestinais. 

“Organizar o ambiente e orientar as pessoas da casa ajuda a evitar acidentes. Com alguns cuidados simples, é possível manter os cães seguros e, ao mesmo tempo, incluí-los nesses momentos de convivência”, afirma.  

Assim, enquanto as crianças procuram ovos de chocolate pela casa, os cães também podem participar da brincadeira — desde que a recompensa seja desenvolvida especialmente para eles.

 

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