sábado, 18 de abril de 2026

Mudança de estação pode afetar humor, sono e disposição, aponta especialista

 

Imagem gerada com IA.
Transição do verão para o outono altera produção hormonal e pode intensificar cansaço, introspecção e sintomas de ansiedade

 

A chegada do outono, marcada pela queda das temperaturas e redução da luminosidade natural, pode provocar mudanças significativas no humor, no sono e no comportamento. Embora essas alterações passem despercebidas para parte da população, especialistas alertam que, em alguns casos, os efeitos podem ser mais intensos e impactar diretamente a saúde mental. 

De acordo com Alisson Guiotto, professor de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, há uma relação já consolidada entre mudanças sazonais e variações no estado emocional. “Esse fenômeno é amplamente estudado e pode se manifestar em diferentes intensidades. Algumas pessoas sentem apenas um leve cansaço ou introspecção, enquanto outras podem apresentar sintomas mais significativos, como desânimo, alteração no sono e redução da motivação”, explica. 

Em quadros mais acentuados, essas alterações podem estar associadas ao Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), condição caracterizada pelo surgimento de sintomas depressivos em determinadas épocas do ano, especialmente em períodos com menor incidência de luz natural. Ainda que não haja diagnóstico clínico, é comum observar mudanças comportamentais durante a transição entre as estações. 

Segundo o especialista, essas reações estão diretamente ligadas ao funcionamento do organismo. “Nosso sistema biológico regula processos como sono, metabolismo e produção hormonal a partir da exposição à luz solar. Com a redução da luminosidade no outono, pode haver uma diminuição da energia, alterações no apetite e até redução da interação social, como parte de uma adaptação do corpo às novas condições ambientais”, afirma. 

A menor exposição à luz natural também interfere na produção de neurotransmissores essenciais para o equilíbrio emocional. “A serotonina, que está relacionada ao bem-estar e à disposição, tende a diminuir com menos luz solar. Já a melatonina, hormônio do sono, pode ter sua liberação alterada, o que impacta diretamente o ritmo biológico e pode aumentar a sonolência e afetar o humor”, destaca Guiotto. 

Além dos fatores biológicos, aspectos psicológicos e sociais ajudam a explicar por que algumas pessoas sentem mais os efeitos da mudança de estação do que outras. “Falamos de um modelo biopsicossocial. Há uma combinação entre predisposição genética, histórico emocional, níveis de estresse e também o contexto de vida, como rotina, interação social e exposição à luz ao longo do dia”, explica. 

Mudanças na rotina também contribuem para esse cenário. Com temperaturas mais baixas e dias mais curtos, há uma tendência de redução de atividades ao ar livre, menor prática de exercícios físicos e maior isolamento social — fatores que impactam diretamente a regulação do humor. 

Alterações no sono, inclusive, estão entre os efeitos mais comuns nesse período. “Quando o sono está desregulado, podem surgir sintomas como irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de energia e aumento da ansiedade. Por isso, é fundamental manter hábitos de higiene do sono e buscar exposição à luz natural sempre que possível”, orienta o professor. 

Apesar dos impactos, Guiotto ressalta que essas mudanças fazem parte de um processo natural de adaptação do organismo. A atenção deve ser redobrada quando os sintomas se tornam persistentes ou interferem significativamente na rotina, caso em que a busca por acompanhamento profissional é recomendada.

 

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