sábado, 18 de abril de 2026

Menos telas, mais presença: como ajudar seu filho a brincar sozinho (sem culpa)

Educadora explica por que brincadeiras solitárias são essenciais para o desenvolvimento emocional e mostra como cultivar esse espaço sem exaustão 

 

Reduzir o tempo de tela das crianças é um desejo comum entre pais e mães, mas, na prática, também é uma das maiores angústias da vida cotidiana.

Entre trabalho, tarefas da casa, cansaço e a sensação constante de que nunca é suficiente, a tela acaba assumindo o papel de solução rápida: distrai, silencia, ocupa. Logo depois, vem a culpa. A sensação de que se está falhando, de que deveria “brincar mais”, “estimular mais”, “estar mais presente”.

Segundo a educadora parental Thelma Nascimento, autora do livro "Me escuta? Porque toda criança merece ser escutada (inclusive a que vive em você)", o problema não está apenas no uso da tecnologia, mas no que ela passa a substituir.

Mãe de dois meninos, ela acredita que, muitas vezes, a tela entra no lugar do tédio, do vazio, do tempo sem direção, exatamente os espaços onde a criatividade, a autonomia e a construção do mundo interno começam a acontecer.

"O dilema, então, não é simplesmente tirar a tela, mas sim o que oferecemos no lugar delas", reflete Thelma.

Para ajudar as famílias que vivem essa realidade, a educadora lista abaixo orientações sobre como construir momentos de brincar sozinho, reduzir a dependência das telas e fortalecer a conexão emocional sem exaustão, sem culpa e sem perfeição. Confira!


1. Criança não precisa de entretenimento constante

Existe uma ideia muito disseminada de que bons pais são aqueles que estão o tempo todo disponíveis, propondo atividades e preenchendo cada minuto.

Na prática, isso gera exaustão no adulto e impede algo fundamental para a criança: o espaço interno. Espaço para criar, explorar, imaginar, se escutar e construir autonomia.

Brincar sozinha não é abandono, é parte da formação da identidade.


2. Brincar sozinha é uma habilidade que se aprende

Nenhuma criança nasce sabendo brincar sozinha por longos períodos. Isso se constrói aos poucos.

Thelma orienta começar com tempos curtos, de 10 a 15 minutos, para que a criança se sinta capaz. Ao perceber que consegue sustentar esse momento, a confiança aumenta naturalmente.

"Autonomia não surge de uma vez, ela se desenvolve de dentro para fora", explica.


3. Presença não é interferência

Para que a criança consiga brincar sozinha, ela precisa sentir uma presença segura.

Isso significa que o adulto está por perto, acessível, mas não conduzindo a brincadeira. Só esse “saber que você está ali” já sustenta emocionalmente o momento.

O erro comum é confundir presença com intervenção constante.


4. Não interrompa quando a criatividade aparece

É justamente quando a criança parece distraída, repetitiva ou “sem rumo” que o brincar está se organizando internamente.

Interromper para corrigir, sugerir ou acelerar esse processo quebra o fluxo criativo.

Quando o adulto intervém demais, a criança deixa de criar para tentar acertar, e brincar não é sobre acertar.


5. O tédio não é o problema

Um dos maiores erros dos adultos é fugir do tédio da criança. Quando ela diz “não sei o que fazer”, a tendência é correr para preencher com uma atividade dirigida, uma agenda cheia ou as telas.

Mas, como explica Thelma Nascimento, o tédio é um espaço fértil. É ali que a criança começa a inventar, imaginar e acessar o próprio mundo interno.

"Quando esse espaço é sempre ocupado, a criança até se distrai, mas não se desenvolve", alerta a educadora parental.


6. Não precisamos demonizar as telas

A questão não é proibir a tecnologia, mas compreender seu impacto. A tela ocupa. A brincadeira desenvolve.

Quanto mais a criança aprende a brincar sozinha, e também a brincar com os adultos da sua vida, menos dependente ela se torna da tela para se regular, se distrair e se acalmar.


7. Ideias para as crianças brincarem sozinhas

Pensando justamente em ajudar famílias a saírem do ciclo de telas, culpa e exaustão, a educadora parental Thelma Nascimento criou o Manual de brincadeiras que desenvolvem autonomia.

O material reúne ideias simples e acessíveis para que a criança possa brincar com mais criatividade, menos dependência de telas e mais conexão emocional consigo mesma e com os adultos da sua vida.

O manual está disponível para download gratuito e funciona como um apoio prático para pais e cuidadores que desejam oferecer presença sem precisar estar o tempo todo entretendo. Para acessar, basta clicar aqui.

 

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