Educadora explica por que brincadeiras solitárias são essenciais para o desenvolvimento emocional e mostra como cultivar esse espaço sem exaustão
Reduzir o tempo de tela das crianças é um desejo
comum entre pais e mães, mas, na prática, também é uma das maiores angústias da
vida cotidiana.
Entre trabalho, tarefas da casa, cansaço e a
sensação constante de que nunca é suficiente, a tela acaba assumindo o papel de
solução rápida: distrai, silencia, ocupa. Logo depois, vem a culpa. A sensação
de que se está falhando, de que deveria “brincar mais”, “estimular mais”,
“estar mais presente”.
Segundo a educadora parental Thelma
Nascimento, autora do livro "Me escuta?
Porque toda criança merece ser escutada (inclusive a que vive em você)",
o problema não está apenas no uso da tecnologia, mas no que ela passa a
substituir.
Mãe de dois meninos, ela acredita que, muitas
vezes, a tela entra no lugar do tédio, do vazio, do tempo sem direção,
exatamente os espaços onde a criatividade, a autonomia e a construção do mundo
interno começam a acontecer.
"O dilema, então, não é simplesmente tirar a
tela, mas sim o que oferecemos no lugar delas", reflete Thelma.
Para ajudar as famílias que vivem essa realidade, a
educadora lista abaixo orientações sobre como construir momentos de
brincar sozinho, reduzir a dependência das telas e fortalecer a conexão
emocional sem exaustão, sem culpa e sem perfeição. Confira!
1. Criança não precisa de
entretenimento constante
Existe uma ideia muito disseminada de que bons pais
são aqueles que estão o tempo todo disponíveis, propondo atividades e
preenchendo cada minuto.
Na prática, isso gera exaustão no adulto e impede algo
fundamental para a criança: o espaço interno. Espaço para criar, explorar,
imaginar, se escutar e construir autonomia.
Brincar sozinha não é abandono, é parte da formação
da identidade.
2. Brincar sozinha é uma
habilidade que se aprende
Nenhuma criança nasce sabendo brincar sozinha por
longos períodos. Isso se constrói aos poucos.
Thelma orienta começar com tempos curtos, de 10 a
15 minutos, para que a criança se sinta capaz. Ao perceber que consegue
sustentar esse momento, a confiança aumenta naturalmente.
"Autonomia não surge de uma vez, ela se
desenvolve de dentro para fora", explica.
3. Presença não é
interferência
Para que a criança consiga brincar sozinha, ela
precisa sentir uma presença segura.
Isso significa que o adulto está por perto, acessível,
mas não conduzindo a brincadeira. Só esse “saber que você está ali” já sustenta
emocionalmente o momento.
O erro comum é confundir presença com intervenção
constante.
4. Não interrompa quando a
criatividade aparece
É justamente quando a criança parece distraída,
repetitiva ou “sem rumo” que o brincar está se organizando internamente.
Interromper para corrigir, sugerir ou acelerar esse
processo quebra o fluxo criativo.
Quando o adulto intervém demais, a criança deixa de
criar para tentar acertar, e brincar não é sobre acertar.
5. O tédio não é o problema
Um dos maiores erros dos adultos é fugir do tédio
da criança. Quando ela diz “não sei o que fazer”, a tendência é correr para
preencher com uma atividade dirigida, uma agenda cheia ou as telas.
Mas, como explica Thelma Nascimento, o tédio é um
espaço fértil. É ali que a criança começa a inventar, imaginar e acessar o
próprio mundo interno.
"Quando esse espaço é sempre ocupado, a
criança até se distrai, mas não se desenvolve", alerta a educadora parental.
6. Não precisamos demonizar as
telas
A questão não é proibir a tecnologia, mas
compreender seu impacto. A tela ocupa. A brincadeira desenvolve.
Quanto mais a criança aprende a brincar sozinha, e
também a brincar com os adultos da sua vida, menos dependente ela se torna da
tela para se regular, se distrair e se acalmar.
7. Ideias para as crianças
brincarem sozinhas
O material reúne ideias simples e acessíveis para
que a criança possa brincar com mais criatividade, menos dependência de telas e
mais conexão emocional consigo mesma e com os adultos da sua vida.
O manual está disponível para download gratuito e
funciona como um apoio prático para pais e cuidadores que desejam oferecer
presença sem precisar estar o tempo todo entretendo. Para acessar, basta clicar aqui.


Nenhum comentário:
Postar um comentário