· Hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave por influenza em pessoas com 60 anos ou cresceram 134,7% e óbitos aumentam 148% de março a agosto de 2025 versus o mesmo período de 2024, segundo dados do SIVEP-Gripe.
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Dados
parciais de 2026(Jan-Mar) já mostram aumento de 153% nas hospitalizações dessa
faixa etária em comparação com mesmo período de 2025.
Uma análise dos dados SIVEP-Gripe em 2026 já
revela um aumento expressivo do número de hospitalizações de pessoas 60+ com
Síndrome Respiratória Aguda Grave por influenza confirmada laboratorialmente
nos primeiros meses deste ano. Números parciais de janeiro até a segunda semana
de março mostram um crescimento de 153%, em comparação com o mesmo período de
2025.
Isso ocorre em cenário de agravamento ano a ano: durante a
sazonalidade (março a agosto) do vírus em 2025, as hospitalizações por
influenza nessa faixa etária cresceram 134,7% em relação ao mesmo período de
2024, passando de 6.448 para 15.136. Nos mesmos meses, as internações desse
público em UTI aumentaram 130,9%, e os óbitos, 148%.
Com o alerta da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) de
que a circulação do vírus influenza nas Américas poderia começar mais cedo em
2026 e ter maior impacto, somada ao avanço expressivo de casos graves em 2025, especialistas ressaltam
a necessidade de maior conscientização, especialmente na população a partir dos
60 anos, e chamam a atenção para a importância da vacinação neste contexto.
“A gente ainda subestima a gripe, mas ela pode ser
devastadora em pessoas mais velhas. Os dados mostram impactos relevantes na
saúde pública por graves complicações da gripe que poderiam ser evitadas com
vacinação”, afirma o Dr. Drauzio Varella, oncologista e comunicador.
Preocupação com cenário da gripe em 2026
Na avaliação da infectologista Nancy Bellei, professora da
Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e membro do comitê de Infecções
Respiratórias Virais da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a
circulação de influenza em 2026 tem chamado a atenção pelo aumento no número de
casos e, consequentemente, de hospitalizações em diferentes regiões do país.
“O comportamento do vírus neste ano indica uma presença mais
precoce e contínua. Já vínhamos
observando aumento de casos desde janeiro, com crescimento mais evidente
a partir de fevereiro. Em algumas regiões, como o Ceará, os picos já foram
registrados”, afirma. De acordo com a especialista, o vírus que predomina neste
ano é mais transmissível. “Não é mais grave, mas se espalha com mais
facilidade, por isso, vemos mais doentes ao mesmo tempo, inclusive dentro da
mesma família”, explica.
“A gripe continua sendo uma infecção de alto impacto, com
potencial de causar quadros graves e mortes, principalmente em idosos. O
cenário atual, com aumento de casos e antecipação da sazonalidade, exige
atenção redobrada e reforça a importância da prevenção “, afirma Dra. Nancy.
Riscos e impactos da gripe em pessoas com 60+
O impacto da influenza entre idosos está diretamente
relacionado à imunossenescência, processo natural de envelhecimento do sistema
imunológico que reduz a capacidade de resposta do organismo a infecções.
Estudos apontam que a infecção pelo vírus influenza está
associada a complicações que ultrapassam o sistema respiratório: a influenza
pode desencadear complicações graves, como pneumonias, descompensação de
doenças crônicas e eventos cardiovasculares.
A gravidade do cenário foi evidenciada ao longo de 2025,
quando hospitalizações e mortes mais que dobraram entre idosos em diversas
faixas etárias.
“A experiência recente mostra que precisamos encarar a gripe
com a seriedade que ela exige, pincipalmente quando falamos da população 60+”,
afirma a Dra. Maisa Kairalla, médica geriatra e presidente da Comissão de
Imunização da Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria (SBGG).
Vacina como ferramenta de proteção além da gripe
Diante do aumento de casos graves, especialistas são
unânimes: a vacinação anual contra a influenza é a principal estratégia para
reduzir hospitalizações e mortes, com benefícios que vão além da prevenção da
infecção respiratória.
“A vacinação é essencial porque reduz a gravidade da doença e
os desfechos mais críticos. Em idosos, isso faz toda a diferença para evitar
hospitalizações e óbitos”, explica Rosana Richarmann, Infectologista do
Instituto Emílio Ribas e chefe do Departamento de Infectologia do Grupo Santa
Joana.
“A influenza pode desencadear eventos cardiovasculares
importantes, como infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral) e descompensação de
insuficiência cardíaca, especialmente em pacientes mais velhos e com
comorbidades. A vacinação tem um papel relevante também nessa proteção
ampliada, reduzindo substancialmente esses eventos cardiovasculares”, destaca o
cardiologista Mucio Tavares, médico cardiologista e coordenador do Projeto
Insuficiência Cardíaca da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo
(Socesp) e Coordenador da Comissão de Vacinas da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC).
“Como líder global em vacinas contra a influenza, a Sanofi
trabalha continuamente para ampliar seus esforços em pesquisa e inovação, além
de gerar dados robustos de eficácia e efetividade, considerando a proteção além
da gripe”, afirma Guilherme Pierart, diretor geral de vacinas da Sanofi no
Brasil.
“No último ano, divulgamos uma análise que envolveu mais de
466 mil pessoas e mostrou como nossa vacina de alta dosagem, indicada para
pessoas com 60+, oferece redução adicional de hospitalizações, em comparação
com a vacina de dose padrão. Com isso, buscamos apoiar com informações
consistentes os sistemas de saúde para a tomada de decisões que possam melhorar
a proteção das pessoas, principalmente dos grupos mais vulneráveis”, diz.
Informação e prevenção: baixa cobertura ainda preocupa
No último ano, a cobertura vacinal no Brasil para pessoas com
60 anos ou mais atingiu 33% na região Norte, e 53% nas demais regiões. Análises
recentes indicam que boa parte dos idosos hospitalizados por SRAG causada por
influenza não estava vacinada. “Ainda existe uma percepção equivocada de que a
gripe é uma doença leve. Precisamos mudar isso, pois a vacinação é o que salva
vidas nesse cenário”, reforça Drauzio Varella.
“A informação de qualidade é essencial para aumentar a adesão
à vacinação. Precisamos comunicar melhor os riscos da gripe e os benefícios da
imunização, especialmente para os grupos mais vulneráveis”, avalia a
pneumologista sênior da Fioruz Margareth Dalcolmo.
A Dra. Nancy também avalia que a vacinação é a principal
forma de proteção, especialmente para quem tem 60 anos ou mais e pessoas com
comorbidades. “A temporada já começou, então é importante se vacinar o quanto
antes”, orienta. Segundo ela, a proteção não é imediata. “O corpo leva cerca de
duas semanas para criar defesa após a vacina. Por isso, não vale deixar para
depois.”, cometa.
Vacina da gripe em alta
dose para idosos tem proteção superior contra hospitalizações
Em uma análise envolvendo mais de 466 mil idosos, a vacina de
alta dose reduziu em até 31,9% as hospitalizações por gripe confirmada em
laboratório, além de apresentar menor incidência de internações por pneumonia,
doenças cardiorespiratórias e outras causas.
O FLUNITY-HD é a maior análise de efetividade
já conduzida com idosos vacinados individualmente de forma randomizada,
reunindo informações de duas grandes pesquisas realizadas na Dinamarca e na
Espanha ao longo de várias temporadas de influenza.
“Este estudo foi desenhado justamente para compreender, de
forma robusta, o impacto da vacina de alta dose na população idosa”, explica o Dr.
Múcio Tavares de Oliveira Junior, médico cardiologista e professor
livre-docente da Faculdade de medicina da USP. “Os resultados demonstram
que a vacina de alta dose é significativamente mais eficaz do que a dose padrão
na prevenção de hospitalizações por influenza e pneumonia. Quando avaliamos
subgrupos com doenças pré-existentes, como condições cardiovasculares,
respiratórias ou câncer, observamos que o benefício foi consistente e todos se
protegem melhor com a vacina de alta dose”.
Resultados principais
A análise combinou dados clínicos envolvendo 466.320
participantes com 65 anos ou mais e demonstrou que, em comparação com a dose
padrão, a vacina de alta dose proporcionou:
·
31,9%
(IC 95%: 19,7-42,2; p<0,001) de redução em hospitalizações por gripe
confirmada em laboratório;
·
6,3%
(IC 95%: 2,5-10,0; p<0,001) de redução do risco de hospitalizações por
doenças cardiorespiratórias ((IC 95%: 2,5-10,0; p<0,001);
·
8,8%
(IC 95%: 1,7-15,5; p=0,0082) de proteção adicional contra hospitalizações por
influenza ou pneumonia;
· 2,2% (IC 95%: 0,3-4,1; p=0,012) de redução em hospitalizações por todas as causas, o que significa que uma hospitalização poderia ser evitada a cada 515 pessoas vacinadas com dose alta em vez da dose padrão.
Em uma sub análise recente do mesmo estudo, demonstrou-se a redução de 21,3% de pacientes com insuficiência cardíaca.
“A conclusão do estudo é que, considerando os critérios de elegibilidade e o perfil de risco dos idosos, a adoção da vacina de alta dose pode trazer benefícios substanciais para a saúde pública, reduzindo hospitalizações e complicações graves”, reforça o Dr. Múcio.
Com a
conclusão desses novos resultados, o conjunto de evidências sobre a vacina de
alta dose já reúne 15 anos de pesquisa clínica e dados de mais de 45 milhões de
idosos vacinados em todo o mundo, consolidando-a como uma das estratégias mais
estudadas e eficazes de prevenção contra a gripe em populações envelhecidas.
Sobre o
estudo FLUNITY-HD
O FLUNITY-HD é uma análise combinada pré-especificada de dois ensaios pragmáticos randomizados individualmente envolvendo 466.320 participantes com 65 anos ou mais: DANFLU–2 e GALFLU. O DANFLU–2 foi conduzido ao longo de três temporadas de influenza (2022-23, 2023-24,2024-25) com mais de 332.000 pacientes com 65 anos ou mais na Dinamarca. O GALFLU foi conduzido ao longo de duas temporadas de influenza (2023-24 e 2024-25) com mais de 134.000 participantes com idade entre 65 e 79 anos na região da Galícia, na Espanha.
O maior estudo sobre vacina contra influenza desse tipo, esta análise multissetorial foi projetada para avaliar a eficácia real da vacina contra influenza de alta dose em comparação com as vacinas contra influenza de dose padrão na prevenção de hospitalizações, garantindo o rigor científico por meio da randomização individual.
O
FLUNITY-HD atingiu seu desfecho primário, demonstrando proteção adicional se
8,8% contra hospitalizações por pneumonia/influenza (em comparação com a dose
padrão). Os desfechos secundários incluem redução nas hospitalizações por
eventos cardiorespiratórios, hospitalizações por influenza confirmadas em
laboratório e hospitalizações por todas as causas.
Referências
1.
SIVEP-Gripe.
Dados de Hospitalizações por influenza confirmada laboratorialmente em 2024 e
2025, Brasil.
2.
Alerta Epidemiológico Circulação simultânea da gripe
sazonal e do vírus sincicial respiratório – 9 de janeiro de 2026 – OPAS/OMS –
Organização Pan-Anamericana da Saúde.
3.
Kwong
JC, Schwartz KL, Campitelli MA, Chung H, Crowcroft NS, Karnauchow T, et al.
Acute Myocardial Infarction after Laboratory-Confirmed Influenza Infection. N
Engl J Med. 2018;378(4):345-353. Disponível em https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1702090
4.
Sociedade
de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). Disponivel em: https://socesp.org.br/revista/pdffjs/web/viewer.html?arquivo=62687384dc551c3424f52053149326fc0.pdf&edicoes=1. Acesso em 31 de jul.2025.
5.
FLUNITY-HD
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2025 Oct; In press. Disponível em https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)01742-8/abstract?
Rss=yes
6.
Johansen,
N.D., Modin, D, Oardo-Seco, J., Rodrigues-Tenreiro-Sanches, C., Loiacono, M.M.,
Dufournet, M., vanAalst, R, Chit, A., Larsen, C.S., Larsen, L., Dalager-Pedersen,
M., Claggett, B.L., Janstrup, K.H., Duran-Parrondo, C., Piñeiro-Soletlo, A,
Cribeiro-González, M., Mirás-Carballal, S.,...DANFLU-2 Study Group and the
GAFLU Trial Team (2026). High-Dose Versus Standard-Dose Influenza Vaccine and
Cardiovascular Octcomes in Older Adults: The FLUNITY-HD Perspecified Pooled
Analusis Circulation, 153(11), 798-806. https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.125.077801

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