
MAGEM: Karime Xavier/Folhapress
A escalada
de furtos de canetas emagrecedoras está levando redes de farmácias a adotar
práticas incomuns de segurança, como o uso de chips de rastreamento em
embalagens e trancas com senha em geladeiras.
Desde a
liberação para venda no Brasil, em 2025, medicamentos como Wegovy, Ozempic,
Saxenda e Mounjaro — usados no tratamento de obesidade e diabetes — passaram a
ser alvo frequente de criminosos, com episódios de violência, incluindo casos
fatais.
Com preços
que variam, em média, de R$ 1.300 a R$ 2.000 por unidade, esses produtos também
vêm alimentando um mercado paralelo que tem surpreendido o próprio setor.
No estado
de São Paulo, foram registrados 4.800 furtos e roubos de canetas em 2025, o
equivalente a 400 casos por mês, de acordo com dados de representantes das
redes.
Essas
ocorrências resultaram em prejuízo de cerca de R$ 192 milhões para as
farmácias.
Em todo o
país, os números chegam a 7.200 ocorrências — cerca de 600 por mês — e os
prejuízos das drogarias atingiram R$ 288 milhões no ano passado.
Reação
das redes
Diante
desse cenário, redes como RD Saúde (dona de Drogasil e Droga Raia), Grupo DPSP
e Pague Menos passaram a debater de forma conjunta ações para conter os furtos.
Entre as
medidas discutidas estão reuniões com secretarias estaduais de Segurança
Pública e mudanças nos estabelecimentos e na logística de distribuição dos
produtos.
Lojas
localizadas em shoppings, consideradas ainda mais seguras, passaram a
concentrar estoques e a funcionar como centros de distribuição para outras
unidades.
Em alguns
casos, os produtos deixaram de ficar disponíveis nas prateleiras. O cliente faz
a compra, e a farmácia se encarrega da entrega, sem custo adicional.
Outra
medida adotada pelas redes envolve o uso de embalagens vazias com chips de
rastreamento, usados como isca para identificar os locais que concentram os
medicamentos.
Como os
furtos ocorrem de forma rápida, os criminosos, de acordo com representantes das
farmácias, não conseguem distinguir quais caixas contêm de fato os
medicamentos.
Além
disso, geladeiras nas quais as canetas emagrecedoras são armazenadas passaram a
ter acesso restrito, com abertura apenas por senha.
O
controle de estoque nas lojas também foi intensificado, com conferências
diárias para detectar possíveis desvios internos.
As redes
também reforçaram a segurança no transporte, realizado pelas próprias empresas.
De acordo
com representantes do setor, cerca de 95% dos furtos abastecem o mercado
paralelo, estimado em aproximadamente R$ 240 milhões por ano.
Sérgio
Mena Barreto, presidente da Abrafarma, associação das farmácias, diz que já
discutiu o assunto neste ano com representantes da Secretaria de Segurança
Pública de São Paulo.
“A ideia
é que a Polícia utilize mais inteligência nessa área. O que está acontecendo no
caso das canetas não é apenas um furto eventual, é encomenda do crime
organizado”, afirma.
Como no
caso dos furtos de celulares, diz ele, há um receptador, que distribui os
medicamentos.
“O
desafio é controlar o receptador, localizar onde as canetas emagrecedoras estão
sendo vendidas. É caso de inteligência da Polícia.”
A
Abrafarma criou um grupo de trabalho para monitorar e enviar dados sobre os
furtos e roubos à polícia para ajudar com as investigações.
De acordo
com Mena Barreto, cada rede de farmácia tem seu método para coibir os furtos.
“Esse
caso das canetas virou um problema de segurança e de saúde. Ninguém sabe como
elas são armazenadas. Esperamos que a polícia consiga desmantelar essas
quadrilhas”, diz.
Na semana
passada, a Polícia Militar de São Paulo conseguiu frustrar um assalto a uma
farmácia no bairro do Campo Belo, na Zona Sul da cidade.
Pouco
antes da meia-noite, três criminosos entraram armados no estabelecimento para
roubar os medicamentos no valor de aproximadamente R$ 80 mil.
Os
funcionários foram forçados a pegar os medicamentos. Mas, para surpresa dos
criminosos, policiais chegaram a tempo de evitar o roubo.
Também na
Zona Sul de São Paulo, no bairro do Campo Limpo, houve troca de tiros entre
policiais militares e uma dupla suspeita de roubar as canetas. Um deles morreu
e o outro foi preso.
Os
produtos roubados, diz Mena Barreto, estão sendo vendidos em marketplaces,
assim como os falsificados, um mercado também em expansão.
“Se o
dono de uma farmácia vender um produto falsificado, ele vai preso. Os
marketplaces estão vendendo e nada acontece. Precisamos evitar essa situação no
Brasil”, diz.
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Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/furtos-de-canetas-emagrecedoras-causam-perdas-de-ate-r-280-mi-e-mudam-rotina-de-farmacias
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