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Gordura no fígado pode evoluir sem sintomas e pequenas alterações em exames já merecem investigação
No Dia
Mundial do Fígado, celebrado em 19 de abril, a atenção se volta para uma
condição cada vez mais comum e silenciosa: a esteatose hepática, conhecida como
gordura no fígado. A doença já afeta cerca de um terço da população mundial¹ e
pode evoluir para quadros mais graves, como cirrose, câncer hepático e
necessidade de transplante.
No
Brasil, o alerta também aparece nos dados. Em 2024, o país registrou 2.454
transplantes de fígado, o maior número já realizado, segundo o Sistema Nacional
de Transplantes. O órgão é o quarto mais transplantado no país.
Segundo
a Dra. Carolina Pimentel, gastroenterologista e hepatologista e coordenadora da
pós-graduação em Gastroenterologia da Afya Educação Médica São Paulo, a
principal preocupação é que a doença costuma evoluir sem sintomas. "A
esteatose pode ser considerada uma doença silenciosa. Muitas vezes, o paciente
não sente nada, e quando aparecem manifestações, a doença já está mais
avançada", explica.
A especialista destaca que a condição está relacionada à síndrome metabólica, que inclui obesidade, diabetes, colesterol elevado e aumento da circunferência abdominal. Por isso, a investigação não deve depender apenas da presença de sintomas. "Se a pessoa não faz avaliação laboratorial e exames adequados, a doença pode passar despercebida e, quando se percebe, o paciente já pode ter uma doença mais avançada", afirma.
Outro
ponto de atenção é que qualquer nível de gordura no fígado já deve ser
acompanhado. Por muitos anos, a condição foi considerada uma alteração sem
grande relevância, mas hoje é vista como marcador de risco metabólico e
cardiovascular. "Por muito tempo, a esteatose foi considerada algo sem
importância, mas hoje sabemos que ela pode evoluir para cirrose, câncer de
fígado e até transplante", explica a médica.
Alterações
discretas em exames também não devem ser ignoradas. Mesmo pequenas mudanças nas
enzimas hepáticas TGO e TGP podem indicar a necessidade de investigação.
"Às vezes, os valores estão só um pouquinho alterados, mas isso não
significa que não precise investigar. Muitas vezes, esses são os primeiros
sinais", afirma.
O
que colocar no prato e o que tirar
Quando
o assunto é alimentação, a Dra. Carolina desfaz um mito comum: o principal
vilão não é a gordura, mas o carboidrato em excesso, especialmente a frutose
industrializada presente em ultraprocessados. "O impacto desse tipo de
carboidrato no acúmulo de gordura no fígado supera até o da gordura de origem
animal", explica. Por isso, reduzir refrigerantes, sucos industrializados,
biscoitos e produtos ultraprocessados é uma das medidas mais eficazes.
No
lado positivo do prato, a especialista recomenda priorizar fibras, azeite de
oliva, peixes e carnes brancas, pilares de uma alimentação equilibrada que
favorece a saúde hepática. A prática regular de atividade física também é
fundamental, pois ajuda a reduzir a gordura visceral, diretamente associada ao
acúmulo de gordura no fígado. Para quem já tem diagnóstico de esteatose, o
álcool deve ser cortado mesmo em pequenas quantidades, dado o risco elevado de
complicações.
Cuidado
com o que parece natural
A
especialista também alerta para o uso de dietas radicais, chás e suplementos
sem orientação médica. A percepção de que produtos naturais são sempre seguros
pode levar a riscos sérios. "A gente tem uma cultura de que plantas e chás
são sempre aliados, mas já vimos situações de hepatite fulminante e até
transplante por conta do uso de ervas que o paciente achava que estavam
ajudando", afirma. A diferença, explica a médica, está no controle: um
medicamento tem dosagem conhecida; uma planta, não.
De
acordo com a Dra. Carolina, a melhor forma de proteger o fígado é investir em
hábitos consistentes e acompanhamento médico periódico. "O fígado é um
órgão resiliente, mas pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma diferença
importante na prevenção", conclui.
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ir.afya.com.br
Fonte¹:
Global Prevalence of Nonalcoholic Fatty Liver Disease: An Updated Review
Meta-Analysis comprising a Population of 78 million from 38 Countries Link

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