A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia
Celular (ABHH) alerta para o agravamento do desabastecimento de ciclofosfamida
no Brasil, medicamento essencial no tratamento de diversas doenças graves, como
linfomas, leucemias e no preparo de pacientes para transplante de
células-tronco hematopoéticas.
O cenário preocupa especialistas, pois a previsão de normalização
do fornecimento no país é apenas para julho de 2026, o que pode comprometer a
continuidade de tratamentos potencialmente curativos.
A ciclofosfamida é considerada um dos pilares da terapia
onco-hematológica. Segundo a ABHH, em muitas situações clínicas não há
substitutos com a mesma eficácia e custo-benefício, o que torna a falta do
medicamento ainda mais crítica.
A escassez pode levar ao adiamento de tratamentos, alteração de
protocolos terapêuticos e até suspensão de procedimentos como transplantes de
medula óssea. Essas mudanças podem impactar diretamente os desfechos clínicos,
reduzindo as chances de cura e aumentando riscos para os pacientes.
Além disso, o problema se soma à descontinuidade recente de outros
medicamentos importantes, como melfalano e bussulfano intravenoso, ampliando a
pressão sobre o sistema de saúde.
De acordo com a ABHH, a situação evidencia uma fragilidade
estrutural do mercado brasileiro: a dependência de um número restrito de
fornecedores para medicamentos essenciais. No caso da ciclofosfamida, a
concentração de registro em um único fabricante contribui para o cenário atual
de desabastecimento.
Diante da gravidade da situação, a ABHH encaminhou novo ofício à
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), solicitando medidas urgentes
para garantir o acesso ao medicamento.
Entre as principais ações defendidas pela entidade estão:
- Prioridade na análise de pedidos de registro de novos
fornecedores
- Adoção de medidas emergenciais, como autorização excepcional
de importação
- Diversificação do mercado para reduzir riscos futuros
Uma das alternativas em avaliação é a viabilização do registro de
uma nova empresa farmacêutica, que já sinalizou disponibilidade de estoque
imediato e capacidade de fornecimento mensal ao Brasil.
A ABHH também tem atuado na elaboração e divulgação de
recomendações técnicas para orientar médicos diante da escassez, incluindo
alternativas terapêuticas em diferentes cenários clínicos.
A entidade reforça que a situação exige resposta rápida das
autoridades sanitárias, uma vez que envolve risco direto à continuidade de
tratamentos e à vida de pacientes.
“A garantia de acesso a medicamentos essenciais é um componente
central da segurança assistencial. A demora em soluções pode resultar em
impactos irreversíveis”, destaca a Associação.
A ABHH segue acompanhando o cenário e se coloca à disposição para
colaborar tecnicamente com órgãos reguladores e instituições de saúde na busca
de soluções emergenciais e estruturais.
Confira a íntegra do documento enviado à ANVISA com
alerta para celeridade em um registro extraordinário de produção do medicamento:
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