Com alta precoce da gripe e casos graves em dobro, Brasil amplia vacinação, mas especialistas reforçam: é preciso se imunizar antes do pico
A
temporada de gripe começou mais cedo e mais intensa em 2026. Dados recentes
mostram que os casos graves já são o dobro dos registrados no mesmo período do
ano passado, acendendo um alerta entre especialistas e autoridades de saúde. Ao
mesmo tempo, a campanha nacional de vacinação já ultrapassou a marca de mais de
2 milhões de doses aplicadas nos primeiros dias, mas a adesão ainda está abaixo
do ideal diante do avanço da circulação viral.
Para
especialistas, o cenário exige atenção imediata. “A influenza não é uma ‘gripe
comum’. Em crianças, pode evoluir com febre alta, prostração, pneumonia,
necessidade de internação e, nos casos mais graves, até morte”, alerta o
pediatra Dr. Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Tradicionalmente
mais comum nos meses mais frios, a gripe neste ano apresentou crescimento
antecipado, o que pode impactar diretamente a pressão sobre o sistema de saúde
nas próximas semanas. Além disso, o vírus influenza segue como um dos
principais respiratórios graves no país, sendo responsável por cerca de 30% das
mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com causa identificada. “A
gente está vendo um comportamento diferente do vírus, com circulação mais
precoce. Isso encurta a janela de proteção e torna ainda mais urgente a
vacinação”, explica o especialista.
Vacinação é a principal forma de evitar casos graves
A
campanha segue ativa até o fim de maio, com doses disponíveis gratuitamente nas
Unidades Básicas de Saúde para os grupos prioritários, como crianças pequenas,
gestantes, idosos e pessoas com comorbidades. “A vacina não impede todos os
casos, mas reduz de forma significativa as formas graves e as internações. Isso
muda completamente o desfecho da doença”, reforça Dr. Paulo Telles.
Crianças
menores de 5 anos estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente aquelas
com menos de 2 anos. “A infância é um período de maior risco porque o sistema
imunológico ainda está em desenvolvimento. A vacinação reduz de forma
importante complicações como pneumonia e hospitalizações”, explica a Prof. Dra.
Elisabeth Fernandes, também pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Mesmo
com a vacina disponível, dúvidas ainda impactam a adesão. “A vacina não causa
gripe. Ela é feita com vírus inativado. Muitas vezes, os sintomas aparecem
porque a pessoa já estava incubando outro vírus respiratório”, esclarece Dr.
Paulo Telles. Ele também reforça que a vacinação precisa ser anual. “O vírus da
gripe sofre mutações constantes e a proteção diminui com o tempo, por isso é
essencial atualizar a vacina todos os anos.”
Outro
ponto importante é o impacto coletivo da imunização. Ao vacinar crianças e
adultos, reduz-se a circulação do vírus dentro de casa e na comunidade,
protegendo também os bebês menores de 6 meses, que ainda não podem ser
vacinados, além de idosos e pessoas mais vulneráveis.
Com
o avanço precoce dos casos e a proximidade dos meses mais frios, a recomendação
é não adiar. “A campanha não terminou no Dia D. Ainda dá tempo e é fundamental
se proteger antes do pico da doença”, finaliza a Prof . Dra. Elisabeth.
Dr. Paulo Nardy Telles - CRM 109556 @paulotelles - Formado pela Faculdade de medicina do ABC. Residência médica em pediatra e neonatologia pela Faculdade de medicina da USP. Preceptoria em Neonatologia pelo hospital Universitário da USP. Título de Especialista em Pediatria pela SBP. Título de Especialista em Neonatologia pela SBP. Atuou como Pediatra e Neonatologista no hospital israelita Albert Einstein 2008-2012. 18 anos atuando em sua clínica particular de pediatria, puericultura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário