Quem é que nunca pensou “Ah, mas seguir a dieta é difícil e vai sair caro comprar tudo o que o nutri mandou”, que atire a primeira pedra. Isso acontece porque a ideia de que manter uma alimentação saudável custa caro está amplamente disseminada e, para muitas pessoas, acaba sendo um dos principais obstáculos para a mudança de hábitos. Mas até que ponto isso é verdade?
A ciência e a prática clínica mostram
que, embora existam desafios relacionados ao acesso e ao custo, nem sempre
comer bem significa gastar mais. Em muitos casos, trata-se de escolhas,
planejamento e informação. Segundo o Guia Alimentar para a População
Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde com base em pesquisas do IBGE,
uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados pode
ser mais barata do que uma dieta rica em ultraprocessados.
Além disso, dados da Pesquisa de Orçamentos
Familiares (POF) mostram que o custo médio de uma alimentação saudável no
Brasil gira em torno de R$12 por pessoa/dia, valor próximo ao padrão alimentar
atual da população. Além disso, aproximadamente 53% das calorias consumidas
ainda vêm de alimentos in natura ou minimamente processados, enquanto cerca de
20% já vêm de ultraprocessados.
Por isso, Paola Rampinelli,
Nutricionista e fundadora do Instituto Rampinelli, lista abaixo alguns
mitos e verdades sobre o tema. Confira:
Mito:
Comer saudável é sempre mais caro - Essa
é uma das crenças mais comuns e também uma das mais equivocadas que existem.
Estudos indicam que padrões alimentares baseados em alimentos in natura ou
minimamente processados podem ter custo semelhante (ou até inferior) ao de
dietas ricas em ultraprocessados, especialmente quando há planejamento.
Alimentos como arroz, feijão, ovos, legumes da estação e hortaliças são
exemplos de opções acessíveis, nutritivas e amplamente disponíveis no Brasil.
Verdade:
Alguns produtos “fitness” podem encarecer a alimentação - Nem tudo que é vendido como “saudável” é, de fato,
necessário (e sim, sabemos que muitos desses produtos têm preço elevado. Itens
como snacks proteicos, suplementos, produtos “zero”, “low carb” ou “sem glúten”
(quando não há indicação clínica) costumam ter custo significativamente maior e
nem sempre oferecem benefícios proporcionais.
Mito:
Para comer bem, é preciso seguir dietas da moda - Essa é uma das piores coisas para se acreditar. Dietas
restritivas e tendências alimentares muitas vezes exigem ingredientes
específicos, importados ou pouco acessíveis, o que pode aumentar
significativamente o custo. Além disso, essas abordagens nem sempre são
sustentáveis ou adequadas para todos (sem falar sobre riscos à saúde).Uma
alimentação equilibrada pode, e deve, ser construída com alimentos simples,
locais e culturalmente adequados.
Verdade:
Planejamento faz diferença no custo final - Organizar compras, definir refeições da semana e evitar
desperdícios são estratégias que impactam diretamente o orçamento. Comprar
alimentos da estação, aproveitar integralmente os ingredientes e preparar
refeições em casa são práticas que reduzem custos e aumentam a qualidade
nutricional. A falta de planejamento, por outro lado, tende a levar ao consumo
de alimentos prontos ou pedidos por delivery (geralmente mais caros e menos
saudáveis).
Mito:
Alimentação saudável exige muito tempo e dinheiro - Embora a rotina corrida seja um desafio real, isso não
significa que comer bem seja inviável (e aqui entra o planejamento, que citamos
anteriormente). Preparações simples, como combinações de grãos, proteínas e
vegetais, podem ser feitas de forma prática e com baixo custo. Além disso,
cozinhar em maior quantidade e armazenar porções para outros dias pode otimizar
tempo e dinheiro (além de reduzir a tentação de correr para o delivery).
Desconstruir o mito de que comer bem é
caro é um passo importante para tornar a alimentação saudável mais acessível,
possível e sustentável para um número maior de pessoas.
“Finalizo com um reforço: tudo o que
você precisa está na feira, no açougue e nas prateleiras do mercado. Você não
precisa de itens mirabolantes para comer saudável”, comenta Paola.
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