Pesquisa Infojobs 2026 revela lacunas em equidade salarial, apoio à dupla jornada e oportunidades igualitárias, sinalizando uma barreira social
A maioria das
mulheres ainda percebe lacunas nas ações de equidade de gênero dentro das
empresas. Segundo a Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026, do
Infojobs, 78% das mulheres afirmam que temas como igualdade salarial, apoio à
dupla jornada e oportunidades iguais não recebem atenção suficiente no ambiente
corporativo. Apenas 22% acreditam que suas organizações lidam com essas
questões de forma adequada.
Para Ana Paula
Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o dado não é apenas um
alerta social, mas também estratégico: “Empresas que não monitoram e atuam de
forma efetiva sobre equidade e inclusão correm o risco de perder talentos e
reduzir engajamento. Não se trata apenas de cumprir metas de diversidade, é
gestão de capital humano com visão de negócios.”
O levantamento
evidencia que, mesmo em setores com políticas formais de diversidade, há uma
diferença entre intenção e prática.“É comum que políticas estejam no papel, mas
a execução ainda falha na prática. Mulheres relatam que oportunidades de
crescimento são condicionadas a expectativas diferenciadas e que projetos
estratégicos são acompanhados de cobrança maior, um fenômeno que mina confiança
e motivação. Em muitos casos, as empresas acabam apenas reproduzindo dinâmicas
que já existem na sociedade, em vez de assumirem um papel ativo como promotoras
de mudança. Historicamente, essas cobranças adicionais sempre foram mais
direcionadas às mulheres, o que evidencia como certos padrões ainda permanecem
presentes na cultura organizacional e precisam ser revistos de forma
consciente.”
Segundo o estudo,
essas lacunas são ainda mais críticas para mulheres de grupos minorizados.
Entre pretas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência, a percepção de falta de
oportunidades de crescimento é mais latente, o que demonstra que programas
universais de diversidade não eliminam barreiras estruturais.
“Se a inclusão não
for estruturada o efeito sobre o negócio é limitado e perde-se potencial de
inovação e performance”, comenta Prado. A pesquisa também mostra que o teto de
crescimento e a autocensura estão diretamente ligados à percepção de baixa
atenção corporativa a essas questões.
Mulheres ajustam
seu comportamento para evitar riscos reputacionais e erros, impactando decisões
estratégicas e resultados organizacionais. “O custo da não-equidade não é só
social, é econômico. Empresas perdem competitividade quando talentos não podem
se desenvolver plenamente”, alerta Prado.
Quanto à gestão,
os dados indicam que é preciso monitorar indicadores de diversidade com rigor,
criar canais de mentoria e feedback que funcionem na prática, e implementar
políticas que considerem a realidade diária do trabalho feminino desde apoio à
maternidade e flexibilidade até critérios claros de promoção e distribuição de
projetos estratégicos.
“As empresas
precisam traduzir equidade em ações concretas. Quando as mulheres percebem que
seus direitos e oportunidades são tratados de forma superficial, o resultado
aparece em diferentes dimensões da organização, como menor retenção, queda de
engajamento e enfraquecimento da confiança institucional. Promover equidade é
uma resposta a uma demanda social histórica por ambientes de trabalho mais
justos e representativos. E, no contexto corporativo, ignorar essa agenda
também significa abrir mão de diversidade de perspectivas, de inovação e de
decisões mais qualificadas, fatores cada vez mais centrais para a
sustentabilidade das organizações”, conclui Ana Paula Prado.

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