De acordo com o neurocirurgião, neurocientista e professor livre docente da Faculdade de Medicina da USP, Dr. Fernando Gomes, quando estamos perto de uma pessoa que de fato sentimos atração física e afetiva só de trocar olhares rapidamente o cérebro processa a vontade de beijar. Isso porque as imagens visuais são processadas pelos lobos occipitais e refletem para o sistema límbico, que é o circuito emocional. Dessa forma, o acúmulo de emoções que envolve os casais promove uma mudança de comportamento diferente no cérebro do homem e da mulher. E é isso que faz as bocas se encaixarem.
O
médico conta que certas áreas do cérebro precisam ser “desligadas” para que outras
áreas possam ser ativadas no momento que antecede o beijo. “Em especial as
amígdalas nos lobos temporais, centro da “defesa” de fuga ou luta, são
“desligadas” e os centros do prazer são ativados como a área tegmental ventral
do cérebro masculino”, detalha o médico autor do livro Neurociência do Amor
(Ed. Planeta/2017) que aborda mais sobre este tema. Em especial nas mulheres, o
cortex órbitofrontal lateral esquerdo, responsável pelo controle de desejos
elementares, silenciam-se também. E então elas conseguem se despreocupar dos
pudores e simplesmente se deixam levar pela troca de sensações do beijo.
O processo do beijo no cérebro
Um
beijo é capaz de silenciar as amígdalas cerebrais, permitir a aproximação e
aumentar a percepção da presença do parceiro. Os lábios e a língua têm grande
representação sensorial no córtex cerebral, se comparados a outras partes do
corpo. Além disso, o beijo na boca é muito bem aceito socialmente como primeiro
contato físico íntimo e, nesse momento, o prazer é explorado através do contato
entre os lábios e a língua.” Áreas encefálicas profundas, como o tronco
cerebral e o tálamo, são acionadas em conjunto com o córtex parietal e a ínsula
e ainda, durante o beijo, movi- mentamos 34 músculos da face e acionamos,
bilateralmente, cinco dos doze nervos da cabeça. Assim, durante o beijo, o
cérebro associa o cheiro e o gosto da boca da outra pessoa a demais
informações, como o som da respiração e o barulho da saliva deslizando os
lábios, além de muita imaginação do que pode estar por vir”, explica o médico.
O que diz a ciência
O beijo já foi objeto de um estudo realizado no Lafayette College, nos Estados Unidos, pelo psicólogo Wendy L. Hill e um de seus alunos, que juntos compararam os níveis de ocitocina (“hormônio do amor”) e cortisol (“hormônio do estresse”) em quinze casais de homens e mulheres enquanto se davam as mãos e conversavam e nos momentos anteriores e posteriores a um beijo. “Diferentemente do esperado, os pesquisadores observaram que o nível de ocitocina aumentou somente nos homens. Nas mulheres, houve uma queda desse hormônio após o beijo e enquanto conversavam de mãos dadas. A hipótese levantada pelos autores é a de que as mulheres provavelmente precisam de mais do que um beijo para se sentirem conectadas ao parceiro”, fala.
Isso quer dizer que, talvez elas necessitem de um clima mais romântico, diferente daquele em que o beijo aconteceu. No entanto, os níveis de cortisol, hormônio que ajuda o organismo a controlar o estresse, diminuíram em ambos os sexos, mostrando que o ato de beijar pode realmente reduzir o estresse.
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