Especialista do curso de
Psicologia analisa dados do UNICEF e aponta caminhos para prevenir abusos na
internet
iStock / jakkapan21
O cenário da segurança digital no Brasil ganhou um novo e severo
alerta com o lançamento do relatório "Disrupting Harm in Brazil:
Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela
tecnologia". O estudo, realizado pelo Fundo das Nações Unidas pela
Infância (UNICEF) em parceria com a organização internacional ECPAT e a
Interpol, e financiado pela Safe Online, revela que um em cada cinco
adolescentes brasileiros foi vítima de violência sexual em meios digitais no
último ano.
Diante desse dado, que representa cerca de 3 milhões de jovens
entre 12 e 17 anos, a professora Juliana Vieira, do curso e Mestrado em
Psicologia da Univali, analisa que a vulnerabilidade nesse ambiente está ligada
a necessidades emocionais típicas da idade, como a busca por pertencimento e
validação social. Segundo a especialista, agressores utilizam a
"desinibição online" para reduzir a percepção de risco das vítimas.
"Crianças e adolescentes estão em uma fase do desenvolvimento
marcada pela busca de pertencimento, validação social e construção da
identidade. No ambiente digital, essas necessidades podem ser exploradas por
agressores que utilizam estratégias de aproximação emocional, elogios e
promessas de amizade ou apoio", destaca a professora.
O desafio do silêncio e o "Grooming"
A pesquisa aponta que um terço das vítimas não contou o ocorrido a
ninguém, principalmente por vergonha ou medo de não ser acreditada. Juliana
explica que o processo de aliciamento, conhecido internacionalmente como grooming,
ocorre de forma gradual e muitas vezes sob a promessa de uma "relação
especial". Para a docente, o combate a essa manipulação exige que as
famílias construam um ambiente de escuta ativa e confiança mútua.
"A principal estratégia é construir um clima de confiança
antes que o problema aconteça. Isso envolve conversas regulares sobre internet,
relacionamentos e limites, sem julgamento ou punições precipitadas. Quando a
criança ou adolescente percebe que será ouvido com respeito, aumenta a
probabilidade de procurar os pais diante de situações difíceis", afirma
Juliana.
Formação profissional na Univali
A Univali atua diretamente no enfrentamento dessa nova
configuração de violência, integrando o tema à formação de seus acadêmicos. De
acordo com a professora, o papel da Psicologia é central na compreensão dos
impactos do trauma e das dinâmicas de interação digital.
Atualmente, Juliana coordena um projeto de pesquisa da FAPESC que
capacita professores como multiplicadores do uso consciente da tecnologia,
reforçando que a proteção da infância depende de educação digital e políticas
públicas eficientes.
"A
psicologia tem um papel central tanto na prevenção quanto no atendimento às
vítimas. Isso envolve compreender os processos de desenvolvimento, os impactos
psicológicos do trauma e as dinâmicas de interação digital. No contexto
universitário, é fundamental integrar conteúdos sobre saúde mental, violência,
comportamento online e ética profissional", conclui a docente.
Thiago Toscani - Analista de Comunicação. Gerência de Marketing e Comunicação
Bloco B7, Sala 102 | Campus Professor Edison Villela (Itajaí)
(47) 3341-7889 | toscani@univali.br
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