Levantamento
inédito feito pela FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia traz
as principais necessidades e demandas dos profissionais médicos diante da
identificação e atendimento de mulheres vítimas de violência, seja ela psicológica,
moral, sexual, física ou patrimonial.
Identificar
lacunas estruturais e técnicas no atendimento, compreender o nível de preparo e
segurança dos médicos, mapear dificuldades relacionadas à rede de apoio e
fluxos de encaminhamento e subsidiar o desenvolvimento de ações estratégicas
estão dentro dos objetivos da próxima fase da campanha #EuVejoVocê pelo fim da violência contra a mulher
em todas fases da vida.
Dos respondentes, 66,09% correspondeu
ao público feminino, sendo grande parte das respostas advindas de médicas(os)
de São Paulo (31,83%) e Minas Gerais (11,42%).
Cerca de 61% do público participante atuam em ambas as redes, pública
e privada e 57,24% dos profissionais atendem vítimas de violência ao
menos ocasionalmente, evidenciando que a violência está presente de forma
recorrente na prática clínica
.
Entre
os tipos de violência mais identificados estão: violência psicológica/emocional
(82,99%), violência sexual (50%), violência física (34,38%) e violência
patrimonial (24,65%). Dos médicos(as)
entrevistados, 23% relatam sentir-se pouco ou nada
preparados para lidar com estes casos, indicando uma lacuna formativa
relevante.
“Ao apresentar
esses dados, assumimos nosso papel institucional de liderar esse debate,
transformar conhecimento em ação e fortalecer nossos profissionais para que
sejam parte ativa no enfrentamento à violência contra a mulher” explica Dra. Maria
Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
Na prática
clínica, em relação à abordagem sobre violência contra a mulher, 46,55% abordam
as pacientes apenas quando há sinais evidentes; 26,55% apenas
quando a paciente relata a violência espontaneamente; 14,48% realizam
abordagem rotineira e 12,41% raramente ou nunca abordam o
tema. A ausência ou fragilidade da rede de apoio (59,17%) associada às inseguranças
jurídicas (44,98%) revela que o principal obstáculo não é apenas clínico, mas
estrutural.
Há variação no
grau de conhecimento dos fluxos regionais: 43% dos profissionais conhecem pouco
ou não conhecem os fluxos de notificação e encaminhamento, evidenciando
fragilidade estrutural na articulação assistencial.
“Neste levantamento
identificamos uma forte demanda por campanhas
educativas contínuas na mídia, divulgação de direitos legais e canais de
denúncia (como o Disque 180), orientações claras sobre onde e como buscar
ajuda, ações educativas em escolas e comunidades e fortalecimento da autoestima
e da autonomia feminina”, explica Dra. Maria Celeste.
Foram
mencionados como prioritários: Fluxogramas
objetivos de atendimento, protocolos padronizados, checklists operacionais,
orientações específicas por município ou região, ferramentas de avaliação
estruturada (questionários ou escores), diretrizes claras sobre notificação
obrigatória.
Para os(as)
ginecologistas ouvidos, há necessidades de educação jurídica simplificada,
esclarecimento sobre deveres legais e limites do sigilo, proteção institucional
ao profissional, segurança em casos sensíveis (como aborto legal) e garantia de
respaldo em situações que envolvam risco ao médico ou à equipe.
Diante dos números
levantados, a FEBRASGO identifica demandas de mapeamento atualizado
da rede de proteção por região, integração com assistência social, psicologia e
serviços jurídicos, fortalecimento das Delegacias da Mulher, ampliação de
casas-abrigo, redução da burocracia para encaminhamentos e equipes
multiprofissionais estruturadas.
Entre as
contribuições dissertativas dos respondentes, foram mencionadas propostas de
educação de meninos e jovens sobre respeito e igualdade, inclusão de homens nas
campanhas, combate a narrativas que romantizam controle e ciúme, enfrentamento
da violência psicológica invisibilizada e ações educativas desde a infância.
Olhar
ampliado - Desigualdades no acesso a exames, vacinação,
rastreamento e assistência qualificada configuram formas de violência
que impactam diretamente indicadores como câncer do colo do útero e
mortalidade materna — condições que, em grande parte, poderiam
ser evitadas com políticas públicas efetivas e assistência adequada.
A segunda fase da
campanha #EuVejoVocê deve, portanto, avançar do campo da
conscientização para o campo do suporte prático, fortalecendo o profissional
que está na linha de frente do cuidado por meio de treinamentos práticos,
simulações de atendimento, orientações sobre como perguntar e acolher,
fornecimento de educação médica continuada objetiva e aplicável, e divulgação
de conteúdos específicos para ginecologistas e obstetras.
A escuta realizada
reafirma o compromisso da FEBRASGO com a qualificação da assistência e com o
enfrentamento da violência contra a mulher no contexto da saúde.
Para conhecer os
dados completos deste levantamento, clique aqui.
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO - Comprometida com o pleno respeito à saúde e bem-estar das mulheres, a FEBRASGO lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher, em todas as fases da vida, incluindo a mulher médica em exercício. O objetivo é o de desconstruir discursos que sustentam a violência, promovendo uma reflexão constante sobre o tema e, assim, atuar ativamente no combate à violência contra a mulher.
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