quarta-feira, 25 de março de 2026

Seis hábitos comuns que parecem inofensivos, mas podem prejudicar a saúde ginecológica


Ginecologista alerta para práticas do dia a dia que impactam o equilíbrio íntimo feminino e reforça a importância da prevenção
 


Muitas mulheres mantêm hábitos aparentemente inofensivos no dia a dia sem imaginar que eles podem comprometer a saúde ginecológica. Pequenas escolhas rotineiras, desde o tipo de roupa até a forma de higiene íntima, podem influenciar diretamente o equilíbrio da microbiota vaginal, aumentando o risco de infecções, irritações e outros problemas. 

De acordo com a Profª Dra. Marise Samama, ginecologista, fundadora e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), a falta de informação ainda é um dos principais fatores que contribuem para esses comportamentos. “Muitas práticas são culturalmente aceitas ou até incentivadas, mas nem sempre são seguras para a saúde íntima feminina”, explica. 

Entre os hábitos mais comuns está o uso frequente de roupas muito apertadas, especialmente peças sintéticas. Esse tipo de vestimenta dificulta a ventilação da região íntima, favorecendo a umidade e a proliferação de fungos e bactérias. Estudos indicam que ambientes quentes e úmidos aumentam significativamente o risco de candidíase vulvovaginal, uma das infecções ginecológicas mais recorrentes, que atinge cerca de 75% das mulheres pelo menos uma vez na vida. 

Outro comportamento recorrente é o uso diário de protetores íntimos. Apesar de parecerem aliados da higiene, eles podem alterar o pH vaginal e reduzir a ventilação natural da região, além de poder causar quadros alérgicos. “O uso contínuo desses produtos cria um ambiente abafado, o que pode desequilibrar a flora vaginal e facilitar infecções”, alerta Marise. 

A higiene excessiva também entra na lista de práticas prejudiciais. Lavar a região íntima várias vezes ao dia ou utilizar sabões inadequados pode remover as bactérias protetoras naturais. A higiene íntima deve ser realizada preferencialmente com sabão líquido com PH ácido. Diretrizes médicas apontam que o excesso de limpeza pode alterar o pH vaginal e favorecer quadros de irritação e infecção. 

Outro hábito comum é dormir com roupas íntimas. Embora pareça inofensivo, esse costume impede a ventilação adequada durante a noite. “Dormir sem calcinha, sempre que possível, ajuda a manter a região seca e equilibrada, reduzindo o risco de infecções”, orienta a especialista. 

O uso prolongado de absorventes, especialmente durante o período menstrual, também merece atenção. A recomendação é trocá-los a cada quatro horas. Dados de organizações de saúde indicam que a permanência prolongada pode favorecer irritações, odores e proliferação bacteriana. 

A automedicação, especialmente com antifúngicos e antibióticos, é outro problema recorrente. Muitas mulheres tratam sintomas sem diagnóstico adequado, o que pode mascarar doenças mais sérias. “Nem toda coceira ou corrimento é candidíase. O uso indiscriminado de medicamentos pode agravar o quadro”, destaca Marise. 

O uso de duchas vaginais ainda persiste, apesar das recomendações médicas contrárias. Esse tipo de prática altera o pH e remove a proteção natural da vagina. Estudos mostram que mulheres que utilizam duchas vaginais apresentam maior incidência de infecções e desequilíbrios da microbiota. 

A depilação da região íntima também deve ter atenção. O pelo tem um papel importante de equilibrar a temperatura e o PH da região genital. A prática de remoção total dos pelos eleva a temperatura local, causa mais transpiração, pode alterar a flora vaginal composta por lactobacilos de defesa e levar ressecamento da pele. Com a diminuição da defesa local e aumento da umidade, pode haver proliferação de bactérias que causam odor e infecções, assim como fungos que trazem coceira e corrimentos. Existem estudos científicos que mostram um aumento do risco de infecções urinárias e candidíases recorrentes. O uso de desodorantes íntimos podem mascarar a percepção destas infecções além de poder promover alergias. Hidratantes também vem sendo usados devido ao ressecamento vulvar. 

Além disso, fatores como estresse e alimentação inadequada também impactam diretamente a saúde ginecológica. Pesquisas indicam que o estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico, tornando o organismo mais suscetível a infecções ginecológicas recorrentes. 

A especialista reforça que a saúde íntima deve ser vista de forma integral. “Não se trata apenas de higiene, mas de um conjunto de hábitos que envolvem alimentação, vestuário, comportamento e acompanhamento médico regular”, afirma. 

Outro ponto importante é a realização de consultas periódicas com o ginecologista, mesmo na ausência de sintomas. O acompanhamento regular é essencial para prevenção e diagnóstico precoce de diversas condições ginecológicas. 

Por fim, Marise destaca que informação de qualidade é a principal aliada da mulher. “Conhecer o próprio corpo e entender o que realmente faz bem é fundamental para evitar problemas e garantir mais qualidade de vida”, conclui.

 


AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil


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