Durante décadas, a discussão sobre
mulheres no mercado de trabalho esteve concentrada em acesso. A pergunta que
mais nos fazíamos era como contratar mais mulheres. Hoje, a questão é outra:
como garantir que elas permaneçam e cresçam enquanto profissionais?
Em setores historicamente masculinos,
como a construção civil, esse desafio é ainda mais evidente. Segundo dados do
IBGE, as mulheres representam menos de 15% da força de trabalho diretamente
ligada às atividades operacionais deste setor no Brasil. Mesmo quando ampliamos
o olhar para funções administrativas e técnicas, a presença feminina ainda está
abaixo da média de outros setores da economia.
Inclusive, pesquisas da McKinsey &
Company indicam que ambientes percebidos por elas como hostis aumentam
significativamente a intenção de desligamento entre mulheres, especialmente em
setores industriais e de infraestrutura. O fenômeno é conhecido como “broken
rung” - o degrau quebrado na ascensão profissional, e ele começa no ambiente.
Quando uma profissional pede demissão
por sentir que precisa constantemente provar que merece estar ali, a empresa
não perde apenas uma colaboradora; perde investimento em treinamento, perde
conhecimento acumulado, perde diversidade de pensamento e aumenta custos de
recrutamento.
Estudos da Gallup mostram que o custo
de substituição de um profissional pode variar de 50% a 200% do seu salário
anual, dependendo da função. Em posições técnicas ou estratégicas, esse valor é
ainda maior. Daí a importância de pensar em estratégias para reter talentos de
forma estruturada, criando ambientes seguros e mecanismos concretos de desenvolvimento
e ascensão feminina.
Durante muito tempo, programas de
desenvolvimento feminino focaram majoritariamente em capacitação técnica e
comportamental: liderança, gestão do tempo, comunicação corporativa. Claro que
são temas importantes, mas em setores predominantemente masculinos, existe uma
camada anterior a tudo isso: a construção de um ambiente de respeito e
segurança, no qual as profissionais possam exercer suas competências com
confiança, estabelecer limites quando necessário e se desenvolver sem que o
desgaste emocional se torne um obstáculo silencioso à sua trajetória.
Não basta operar uma máquina com
excelência, entregar resultados consistentes ou dominar indicadores de
performance se a profissional encontra dificuldades para permanecer e se desenvolver
em um ambiente onde ainda precisa, constantemente, reafirmar seu espaço.
Em iniciativas recentes de
desenvolvimento feminino no setor industrial, módulos voltados a autoconfiança,
comunicação assertiva e estabelecimento de limites passaram a integrar
programas antes focados apenas em performance. O objetivo é fortalecer mulheres
para que ocupem espaço e permaneçam nele.
Os resultados começam a aparecer. Em um
ciclo recente de um programa interno de desenvolvimento feminino na Vedacit,
20% das participantes foram promovidas ao longo do período, incluindo uma
ascensão de analista a cargo de supervisão. Este dado revela que, quando o
ambiente é estruturado para apoiar crescimento, o talento responde.
Quando a empresa cria condições para
que mulheres cresçam com clareza de oportunidades e reconhecimento, o resultado
se traduz em equipes mais engajadas, decisões mais diversas e organizações mais
preparadas para os desafios do futuro. É nisso que acreditamos aqui na Vedacit.
Juliana Cordeiro - Head de Gente e
Gestão da Vedacit.
Nenhum comentário:
Postar um comentário