quinta-feira, 5 de março de 2026

Respeito como base inegociável para a permanência de mulheres no mercado

 

Durante décadas, a discussão sobre mulheres no mercado de trabalho esteve concentrada em acesso. A pergunta que mais nos fazíamos era como contratar mais mulheres. Hoje, a questão é outra: como garantir que elas permaneçam e cresçam enquanto profissionais?

Em setores historicamente masculinos, como a construção civil, esse desafio é ainda mais evidente. Segundo dados do IBGE, as mulheres representam menos de 15% da força de trabalho diretamente ligada às atividades operacionais deste setor no Brasil. Mesmo quando ampliamos o olhar para funções administrativas e técnicas, a presença feminina ainda está abaixo da média de outros setores da economia.

Inclusive, pesquisas da McKinsey & Company indicam que ambientes percebidos por elas como hostis aumentam significativamente a intenção de desligamento entre mulheres, especialmente em setores industriais e de infraestrutura. O fenômeno é conhecido como “broken rung” - o degrau quebrado na ascensão profissional, e ele começa no ambiente.

Quando uma profissional pede demissão por sentir que precisa constantemente provar que merece estar ali, a empresa não perde apenas uma colaboradora; perde investimento em treinamento, perde conhecimento acumulado, perde diversidade de pensamento e aumenta custos de recrutamento.

Estudos da Gallup mostram que o custo de substituição de um profissional pode variar de 50% a 200% do seu salário anual, dependendo da função. Em posições técnicas ou estratégicas, esse valor é ainda maior. Daí a importância de pensar em estratégias para reter talentos de forma estruturada, criando ambientes seguros e mecanismos concretos de desenvolvimento e ascensão feminina.

Durante muito tempo, programas de desenvolvimento feminino focaram majoritariamente em capacitação técnica e comportamental: liderança, gestão do tempo, comunicação corporativa. Claro que são temas importantes, mas em setores predominantemente masculinos, existe uma camada anterior a tudo isso: a construção de um ambiente de respeito e segurança, no qual as profissionais possam exercer suas competências com confiança, estabelecer limites quando necessário e se desenvolver sem que o desgaste emocional se torne um obstáculo silencioso à sua trajetória.

Não basta operar uma máquina com excelência, entregar resultados consistentes ou dominar indicadores de performance se a profissional encontra dificuldades para permanecer e se desenvolver em um ambiente onde ainda precisa, constantemente, reafirmar seu espaço.

Em iniciativas recentes de desenvolvimento feminino no setor industrial, módulos voltados a autoconfiança, comunicação assertiva e estabelecimento de limites passaram a integrar programas antes focados apenas em performance. O objetivo é fortalecer mulheres para que ocupem espaço e permaneçam nele.

Os resultados começam a aparecer. Em um ciclo recente de um programa interno de desenvolvimento feminino na Vedacit, 20% das participantes foram promovidas ao longo do período, incluindo uma ascensão de analista a cargo de supervisão. Este dado revela que, quando o ambiente é estruturado para apoiar crescimento, o talento responde.

Quando a empresa cria condições para que mulheres cresçam com clareza de oportunidades e reconhecimento, o resultado se traduz em equipes mais engajadas, decisões mais diversas e organizações mais preparadas para os desafios do futuro. É nisso que acreditamos aqui na Vedacit.

 

Juliana Cordeiro - Head de Gente e Gestão da Vedacit.


Nenhum comentário:

Postar um comentário