Segundo Sidinéia Azevedo, leitura e produções
audiovisuais são aliadas estratégicas para ampliar a visão crítica e garantir
uma escrita mais consistente
Em tempos de telas aceleradas e respostas
imediatas, uma habilidade continua exigindo profundidade: a escrita. Para a
professora de Redação e Língua Portuguesa, Sidinéia Azevedo, do Bernoulli
Educação, não tem segredo quando o assunto é repertório sociocultural. “Ninguém
escreve sobre aquilo que não conhece. A leitura é o caminho para acessar
informação e transformá-la em conhecimento”, afirma.
De acordo com a professora, ler diferentes gêneros,
desde romances clássicos até reportagens, biografias e obras contemporâneas, é
o que alimenta a visão crítica e amplia a capacidade argumentativa. Para
incentivar os alunos, ela costuma lembrá-los de uma frase da ativista Malala
Yousafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2014: “Um livro pode mudar o
mundo”. E pode mesmo. Especialmente o mundo interno de quem precisa defender um
ponto de vista com consistência, seja no Ensino Médio, nos vestibulares ou no
Enem.
Dicas preciosas
Entre as indicações que costumam dialogar com temas
recorrentes nas propostas de redação estão obras como “21 Lições para o Século
21”, de Yuval Noah Harari; “A Vida Não é Útil” e “Ideias para Adiar o Fim do
Mundo”, de Ailton Krenak; “Brasil: uma biografia”, de Lilia Schwarcz; e os
clássicos “Quarto de Despejo” e “Casa de Alvenaria”, de Carolina Maria de
Jesus.
Mas é preciso criar o hábito. “Antes de dormir,
evite as telas. Elas comprometem o sono. Escolha um bom livro. Ler também é
estratégia de estudo”, orienta a professora. Para quem diz não gostar de
leitura, a dica é começar por temas de interesse pessoal, como tecnologia,
esportes, biografias de personalidades. Outra porta de entrada eficaz é ler um
livro que tenha inspirado um filme de que gostou.
E, por falar em cinema, o audiovisual é outro
aliado na construção de repertório. Documentários como “A Ponte”, “Garapa”,
“Lixo Extraordinário” e “Pro Dia Nascer Feliz” lançam luz sobre questões
sociais urgentes. Já filmes como “Bacurau” e “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”
aprofundam debates sobre identidade, resistência e diversidade. Séries e
produções internacionais, como “Maid” e “Jeffrey Epstein: Filthy Rich”, também
oferecem material rico para análises, comparações e metáforas.
De acordo com Sidinéia, consumir obras como essas é
extremamente importante para quem deseja formar a própria bagagem cultural e
fugir dos chamados “repertórios de bolso”, que são as citações clichês usadas
de maneira forçada nos textos.
“Vai muito além do simples entretenimento. Por meio
da arte, entra-se em um laboratório de experiências humanas e sociais que
permite uma reflexão de questões importantes. Filmes, séries e livros podem ser
empregados para estabelecer paralelos, comprovar argumentos, ilustrar situações
e desconstruir estereótipos, recursos valiosos para quem deseja uma redação
autoral e bem fundamentada”, incentiva.
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