Especialista da Prati-Donaduzzi explica quais segmentos estão entre os mais atingidos, o que o consumidor deve observar e como agir no caso do consumo dessas substâncias
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada dez medicamentos vendidos em países de renda média e baixa pode ser falsificado ou subpadrão. E engana-se quem pensa que apenas as famosas canetas emagrecedoras têm sido alvo. Produtos de diversos segmentos do mercado, principalmente os com alta demanda, custo elevado e grande exposição midiática - como hormônios, anabolizantes, medicamentos para disfunção erétil e até terapias oncológicas - já foram afetados por essa prática ilegal.
Dentre
os riscos para a saúde do usuário estão a administração de doses incorretas, substâncias não declaradas ou
contaminantes e falha no tratamento, entre outros. Segundo Liberato Brum,
Farmacêutico Industrial, Mestre e Doutor em Ciências Farmacêuticas, que desde
2011 atua como gerente de inovação e pesquisa clínica do laboratório
Prati-Donaduzzi, a forma mais eficaz de se proteger é adquirir os produtos
apenas por canais regularizados e devidamente registrados na Anvisa.
“Comprar medicamentos fora de farmácias e drogarias
autorizadas aumenta significativamente o risco de falsificação. Isso acontece
porque esses canais não regulamentados, como redes sociais, marketplaces
informais ou vendedores sem identificação clara não seguem as exigências
sanitárias, não garantem armazenamento adequado e não oferecem rastreabilidade
do produto. Farmácias regularizadas são fiscalizadas pela Anvisa e pelas
vigilâncias sanitárias locais, o que assegura que os medicamentos tenham
procedência comprovada, registro válido e controle de qualidade”, explica Brum.
Outro sinal de alerta para os consumidores é a prática de preços
muito abaixo do mercado. Medicamentos regularizados envolvem custos com
pesquisa, controle de qualidade, boas práticas de fabricação, logística e
tributos. Quando o valor está muito inferior ao praticado por farmácias
autorizadas, pode indicar produto falsificado, irregular, desviado ou
armazenado de forma inadequada. Descontos existem, mas diferenças muito
expressivas em relação ao preço médio devem gerar desconfiança.
De interrupção do tratamento a intoxicações graves
Medicamentos falsificados ou irregulares representam um grave risco
à saúde pública porque podem não conter o princípio ativo correto, apresentar
doses inadequadas ou até substâncias desconhecidas ou tóxicas. Além disso, podem comprometer a eficácia do
tratamento, agravar doenças, causar reações adversas graves e até ampliar
problemas coletivos, como a resistência bacteriana.
Como garantir a procedência de um medicamento
Existe uma série de cuidados que os pacientes podem tomar para verificar a qualidade do medicamento. É possível verificar se o produto possui registro na Anvisa, conferir se a embalagem está íntegra, com número de lote, validade e fabricante e bula em português. A indústria farmacêutica tende a oferecer mais segurança e qualidade por meio de Boas Práticas de Fabricação, controle de qualidade lote a lote e testes antes da liberação do produto.
Laboratórios
que seguem as normas da Anvisa adotam sistemas de rastreabilidade por número de lote, cumprem as exigências regulatórias da
Anvisa e mantêm sistemas de central de atendimento ao consumidor (CAC) e de
farmacovigilância para monitorar a segurança após a comercialização. “A
rastreabilidade ajuda a combater falsificações ao permitir o acompanhamento do
medicamento desde a indústria até a farmácia, por meio de códigos únicos
vinculados a lote, validade e fabricante”, conta o gerente de inovação da
Prati-Donaduzzi.
O que fazer no caso de suspeita da compra de medicamento
falsificado
Ao suspeitar de falsificação, o consumidor deve:
- Interromper o uso imediatamente;
- Guardar a embalagem e a nota fiscal;
- Comunicar a farmácia e ligar para o CAC (Central de
Atendimento ao Consumidor) da empresa farmacêutica responsável, disponível
na embalagem, para confirmar a autenticidade.
- Notificar a vigilância sanitária ou a Anvisa pelo site
oficial.
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