terça-feira, 10 de março de 2026

Março alerta para doenças que mais afetam a saúde feminina

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Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, reforça a importância da prevenção, exames e diagnóstico precoce


Março é um mês que chama atenção para a saúde da mulher. Além de celebrar o Dia da Mulher, diversas campanhas reforçam a importância da prevenção do HPV, do câncer de colo do útero e da endometriose, lembrando que cuidados contínuos com a saúde ginecológica são fundamentais em todas as fases da vida. 

De acordo com o ginecologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dr. Júlio Gomes, a prevenção continua sendo a principal aliada da saúde feminina. “Muitas dessas doenças podem ser evitadas ou diagnosticadas precocemente, mas os sintomas muitas vezes só aparecem em estágios mais avançados. Consultas regulares e exames de rotina fazem diferença no prognóstico”, afirma. 

O HPV, ou Papilomavírus Humano, é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Ele pode ser transmitido pelo contato sexual vaginal, anal ou oral, mesmo sem penetração e na ausência de sintomas. A infecção geralmente desaparece sozinha, mas alguns tipos do vírus podem provocar alterações nas células do colo do útero. “É importante entender que o HPV é o principal fator de risco para o câncer de colo do útero. Quando a infecção persiste por anos e não é acompanhada, pode causar lesões que evoluem para a doença”, explica a ginecologista. 

Entre as formas de prevenção estão a vacinação, disponível gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos em dose única e para jovens de 15 a 19 anos que ainda não se vacinaram, além do uso de preservativo e da realização regular de exames preventivos, como o Papanicolau. 

O câncer de colo do útero é provocado principalmente pela infecção persistente por HPV e tem evolução lenta, o que possibilita a identificação de alterações antes que se tornem um tumor invasivo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 19.310 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 2.750 apenas no estado de São Paulo. Nos estágios iniciais, a doença geralmente não apresenta sintomas, mas pode ser identificada por meio do rastreamento periódico. Quando diagnosticado precocemente, apresenta altas chances de cura, e o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, dependendo do estágio da doença. A vacinação segue sendo o método mais eficaz de prevenção, pois protege contra os tipos de HPV mais associados ao desenvolvimento do câncer.

 

Endometriose 

A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino e bexiga. Estima-se que cerca de 7 milhões de mulheres no Brasil convivam com a condição, que impacta diretamente a qualidade de vida e pode comprometer a fertilidade. Entre 2022 e 2024, os atendimentos relacionados à endometriose no SUS cresceram 76,2%, totalizando 145.744 registros em 2024. 

O principal sintoma é a dor, que pode se manifestar como cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante ou após a relação sexual e desconforto ao urinar ou evacuar no período menstrual. A doença também está associada à infertilidade, atingindo de 30% a 50% das pacientes diagnosticadas. “A endometriose ainda é diagnosticada com atraso em muitos casos, porque a dor menstrual intensa acaba sendo considerada normal. Quando a dor interfere na rotina, no trabalho ou nos estudos, é sinal de que algo precisa ser investigado”, alerta o especialista. 

O tratamento é individualizado e pode envolver medicamentos hormonais, analgésicos ou cirurgia por videolaparoscopia, dependendo da gravidade e dos objetivos reprodutivos da paciente. 

O acompanhamento ginecológico regular é essencial para prevenir, identificar e tratar doenças como HPV, câncer de colo do útero e endometriose, além de outras condições que podem surgir ao longo da vida da mulher. “Vacinação, uso de preservativo, exames de rotina e atenção aos sinais do corpo são medidas simples que permitem prevenção e diagnóstico precoce”, conclui Dr. Júlio Gomes.

 

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