Especialista
explica como ansiedade, culpa e pressão social impactam pacientes e reforça a
importância do apoio psicológico desde o início do processo
No Brasil, cerca
de 8 milhões de pessoas enfrentam dificuldades para engravidar, segundo a
Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Apesar da alta incidência, a
infertilidade ainda é tratada, na maioria das vezes, como uma questão
exclusivamente médica, deixando em segundo plano um impacto emocional profundo,
persistente e, muitas vezes, silencioso.
Sentimentos
como luto, ansiedade, frustração e culpa passam a fazer parte da rotina de quem
vive essa realidade, frequentemente sem o suporte necessário. O alerta é da
psicóloga especialista em saúde da mulher e reprodução assistida, Aline de
Menezes, convidada pela Organon, que reforça a necessidade
de integrar o cuidado emocional à jornada de fertilidade.
Segundo a
especialista, o diagnóstico costuma representar uma ruptura nos planos de vida.
“Muitas pessoas vivem esse momento como um luto, não por um filho concreto, mas
pelo filho imaginado, pela gestação idealizada e pelo futuro que já estava
sendo projetado”, afirma. Ao longo das tentativas de engravidar, esse impacto
tende a se intensificar. “É uma combinação de desejo, expectativa e falta de
controle que naturalmente aumenta a ansiedade”, completa.
Procedimentos
como a fertilização in vitro ampliam ainda mais essa carga emocional, ao
envolver etapas sucessivas e resultados incertos. Nesse contexto, Aline destaca
que o preparo psicológico deve caminhar junto com o tratamento médico. “Ter
informação clara sobre cada fase, contar com uma rede de apoio e, sempre que
possível, acompanhamento psicológico ajuda o paciente ou o casal a se sentirem
mais seguros e amparados ao longo do processo”, explica.
Fatores
externos também contribuem para o agravamento desse cenário. A pressão social e
familiar, muitas vezes traduzida em perguntas invasivas e cobranças, pode
intensificar o sofrimento. “Estabelecer limites e entender o que faz sentido
compartilhar é fundamental. Proteger esse espaço íntimo também é uma forma de
cuidado emocional”, orienta.
A
infertilidade também pode impactar a dinâmica do casal. Diferenças na forma de
lidar com o processo podem gerar desgaste, mas, por outro lado, o diálogo e o
respeito ao tempo de cada um podem fortalecer a relação. “Quando há escuta e
parceria, muitos casais conseguem atravessar esse momento de forma mais
conectada”, diz.
Para lidar
com as incertezas e frustrações, a especialista recomenda preservar uma rotina
que não gire exclusivamente em torno do tratamento, buscar informações seguras
e validar os próprios sentimentos. “Não é sobre ser forte o tempo todo, mas
sobre reconhecer o que se sente e encontrar formas de atravessar esse caminho
com mais cuidado consigo”, destaca.
O acompanhamento psicológico, segundo Aline, pode ser
iniciado em qualquer fase, mas quanto antes começar, maiores são os recursos
emocionais disponíveis para enfrentar os desafios do processo. Ela deixa ainda
um recado para quem vive essa realidade: “Vocês não estão sozinhos. Esse é um
caminho que muitas pessoas percorrem em silêncio, e compartilhar com alguém de
confiança pode tornar tudo menos solitário. Mesmo sendo uma jornada difícil,
ela pode ser vivida com mais acolhimento e apoio”, conclui.
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