A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um
alerta sobre relatos de lesão hepática associados ao uso de suplementos e
medicamentos que contêm cúrcuma ou curcumina. O alerta não se refere ao uso da
cúrcuma como tempero alimentar, mas sim a produtos concentrados em cápsulas ou
formulações padronizadas.
Isso chama a atenção para relatos de hepatotoxicidade — danos ao
fígado — associados ao consumo de extratos concentrados ou formulações com alta
biodisponibilidade, especialmente quando utilizados em doses elevadas ou
combinados com outros compostos.
Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, o problema não está
necessariamente na planta em si, amplamente utilizada na alimentação e na
medicina tradicional, mas na forma como a substância vem sendo consumida
atualmente.
“A cúrcuma é um ingrediente milenar, presente na culinária e em
práticas medicinais tradicionais. O que preocupa é o uso de extratos altamente
concentrados em cápsulas ou suplementos, muitas vezes sem orientação
profissional. Em doses elevadas ou em determinadas formulações, pode haver
sobrecarga hepática”, explica.
Nos últimos anos, suplementos de cúrcuma ganharam popularidade nas
redes sociais e no mercado de produtos naturais, sendo frequentemente divulgados
como aliados contra inflamação, dor articular, envelhecimento e até doenças
metabólicas.
De acordo com Tejada, esse movimento faz parte de um fenômeno
maior: a percepção de que produtos naturais são automaticamente seguros.
“Existe uma ideia equivocada de que tudo o que é natural não
oferece riscos. Mas qualquer substância biologicamente ativa pode ter efeitos
adversos, especialmente quando concentrada ou utilizada por longos períodos”,
afirma.
O farmacêutico ressalta que pessoas com doenças hepáticas
pré-existentes, que utilizam medicamentos contínuos ou que fazem uso de
múltiplos suplementos ao mesmo tempo devem ter atenção redobrada.
Outro ponto destacado por especialistas é que alguns suplementos
combinam curcumina com substâncias que aumentam sua absorção — como a piperina,
derivada da pimenta-preta — o que aumenta significativamente a
biodisponibilidade da curcumina, podendo intensificar seus efeitos no organismo
e, em alguns casos, ampliar o risco de eventos adversos.
“Quando falamos de extratos padronizados e potencializados para
absorção, estamos falando de uma substância muito mais concentrada do que
aquela presente no alimento. Por isso, o uso precisa ser individualizado”, diz
Tejada.
O alerta da Anvisa também reforça a importância de observar
sintomas que podem indicar problemas no fígado, como náusea persistente, fadiga
intensa, dor abdominal, pele ou olhos amarelados e urina escura, especialmente
em pessoas que fazem uso contínuo de suplementos.
Para o farmacêutico, a discussão levanta uma questão importante sobre o crescimento do mercado de suplementos.
“O Brasil vive um aumento expressivo no consumo de nutracêuticos e suplementos. Eles podem ter benefícios, mas não substituem acompanhamento profissional. O uso responsável e informado é fundamental para evitar riscos desnecessários”, conclui o especialista que reforça: “O ideal é que qualquer suplementação seja feita com orientação de profissionais de saúde, especialmente em casos de uso prolongado ou quando há histórico de doenças”.
Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard
Nenhum comentário:
Postar um comentário