segunda-feira, 16 de março de 2026

Estética e respiração no mesmo procedimento: por que a rinosseptoplastia exige alta especialização

Busca por harmonia facial cresce, mas especialistas reforçam que função respiratória deve ser prioridade na cirurgia nasal


 O nariz ocupa posição central na harmonia facial — mas sua importância vai muito além da estética. Cada vez mais, cirurgias que remodelam a estrutura nasal vêm associadas à correção de alterações funcionais, como desvio de septo e problemas valvulares. Essa abordagem integrada é conhecida como rinosseptoplastia. 

“A tendência moderna é não dissociar estética de função. O nariz é uma estrutura respiratória complexa. Qualquer intervenção precisa respeitar e, se possível, melhorar sua funcionalidade”, afirma o otorrinolaringologista do Hospital Paulista e da Santa Casa de São Paulo, Dr. José Eduardo Lutaif Dolci. 

Diferentemente da rinoplastia exclusivamente estética, a rinosseptoplastia associa a remodelação externa à correção interna do septo nasal e de outras estruturas que podem comprometer a respiração. O procedimento exige planejamento detalhado e conhecimento tridimensional da anatomia nasal.

 

A evolução da técnica 

Nos últimos anos, a cirurgia nasal passou por refinamentos importantes. Ganhou força a chamada abordagem estrutural, com uso de enxertos para garantir suporte e estabilidade a longo prazo, além de técnicas preservacionistas que buscam manter ao máximo as estruturas naturais do dorso nasal. 

Entre os conceitos debatidos na literatura especializada estão a preservation rhinoplasty, o uso do septal extension graft (SEG) para controle da ponta nasal e a atenção às válvulas nasais — áreas críticas para a manutenção do fluxo aéreo. 

“O grande desafio é alcançar um resultado natural, harmônico e duradouro, sem comprometer a respiração. Pequenos milímetros podem alterar significativamente tanto a estética quanto a função”, destaca Dolci.

 

Segurança e formação técnica 

Considerada uma das cirurgias mais complexas da face, a rinosseptoplastia possui curva de aprendizado longa. Complicações como colapso valvular, irregularidades do dorso e assimetrias tardias estão frequentemente relacionadas a falhas no planejamento ou na execução técnica.

Com o aumento da procura por procedimentos faciais, cresce também a importância da formação especializada e da atualização constante. 

“A cirurgia nasal exige domínio anatômico, visão funcional e experiência prática. A educação médica continuada é fundamental para manter padrões elevados de segurança e previsibilidade”, afirma o especialista.

 

Atualização científica 

É nesse contexto que ocorre, nos dias 19, 20 e 21 de março, a 62ª edição do Curso de Rinosseptoplastia Estética e Funcional da Santa Casa de São Paulo. A programação inclui revisão de anatomia aplicada, discussão de desvios septais complexos, técnicas estruturais da ponta nasal, osteotomias, enxertos e treinamento prático em laboratório anatômico, além de cirurgias ao vivo. 

“A troca de experiências e o treinamento supervisionado são decisivos para aprimorar técnica e reduzir intercorrências. A evolução da rinosseptoplastia está diretamente ligada à qualificação profissional”, conclui Dolci.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


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