A obesidade, doença crônica complexa e multifatorial, cresceu 118% no Brasil entre 2006 e 2024, segundo dados do Vigitel, inquérito anual do Ministério da Saúde. Atualmente, 25,7% dos adultos brasileiros vivem com a doença, o equivalente a 1 em cada 4 pessoas. Quando considerado o sobrepeso (IMC acima de 25 kg/m²), o índice atinge 62,6% da população.
Mas esses dados podem mudar com o avanço do uso das canetas emagrecedoras, que estão redefinindo a abordagem terapêutica, oferecendo uma ferramenta promissora para o controle de peso.
"O principal mecanismo de ação dessas canetas é a diminuição da ingesta calórica, um efeito que se manifesta primariamente em nível central, no hipotálamo, e através do retardo do esvaziamento gástrico", explica a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato.
A especialista ressalta que é fundamental desmistificar que o foco seja o aumento do metabolismo. “Na realidade, a modulação da fome e saciedade é o que impacta diretamente a quantidade de alimentos consumidos, resultando em perda de peso”, explica Dra. Lorena Amato.
O espectro de pacientes que podem se beneficiar dessas canetas é amplo, indo muito além da mera busca por emagrecimento estético. As indicações incluem indivíduos com:
·
Esteatose hepática (fígado gorduroso)
·
Risco cardiovascular elevado
·
Síndrome metabólica
·
Diabetes tipo 2
·
Obesidade
· E, em algumas situações, pessoas com sobrepeso que apresentem excesso de gordura corporal e comorbidades associadas.
"Essas
medicações são uma ferramenta poderosa para proteger o coração, o fígado e
melhorar o perfil metabólico como um todo. Não estamos falando apenas de peso
na balança, mas de uma melhoria substancial na qualidade e expectativa de
vida", pontua a Dra. Lorena.
Efeitos
colaterais - A segurança a longo prazo é um
questionamento comum e tem sido estudada. "A obesidade é uma doença
crônica, e seu tratamento também precisa ser contínuo. Os estudos têm
demonstrado que o uso prolongado dessas canetas é seguro e eficaz, com bons
perfis de segurança", afirma a endocrinologista.
Porém, Dra. Lorena
pontua que a medicação é relativamente nova e é preciso que o paciente siga
criteriosamente as orientações do endocrinologista, mas a princípio, o impacto
positivo na saúde dos pacientes é inegável.
Como todos os medicamentos,
as canetas emagrecedoras também podem apresentar efeitos colaterais. Para esses
tipos de medicação, os mais frequentes são náuseas, constipação ou diarreia e
fadiga. As contraindicações são raras, sendo elas histórico de pancreatite e
alguns tipos específicos de câncer de tireoide.
“Com o avanço da ciência e o surgimento de novas opções terapêuticas, a tendência é que essas medicações se tornem cada vez mais acessíveis e baratas, democratizando o acesso a um tratamento que pode mudar o rumo da obesidade para milhões de pessoas", conclui Dra. Lorena Lima Amato.
Dra. Lorena Lima Amato - endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
Site: https://endocrino.com/
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Instagram: https://www.instagram.com/dra.lorenaendocrino/
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