terça-feira, 10 de março de 2026

Esgotamento feminino cresce diante da sobrecarga de papéis e da pressão por desempenho

Sobrecarga de papéis e pressão por desempenho contribuem para um cenário de exaustão emocional que afeta cada vez mais mulheres

 

Durante o mês de março, quando as discussões sobre a realidade feminina ganham maior visibilidade, um tema tem aparecido com cada vez mais força no debate público: o esgotamento feminino. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2024, as mulheres representaram 63,8% das 472 mil licenças concedidas por transtornos mentais no Brasil, o que evidencia a sobrecarga que muitas vezes ultrapassa o ambiente de trabalho e se estende às responsabilidades familiares e às demandas da vida cotidiana. 

Nas últimas décadas, a participação feminina no mercado de trabalho cresceu de forma significativa, com mais oportunidades de autonomia e desenvolvimento profissional. Ainda assim, muitas mulheres continuam a concentrar grande parte das tarefas domésticas e de cuidado dentro das famílias, o que resulta em rotinas marcadas por múltiplas jornadas e pela necessidade de conciliar diferentes responsabilidades ao mesmo tempo. 

Para Saulo Nardelli, autor contemporâneo e estudioso da espiritualidade aplicada ao desenvolvimento humano, o esgotamento feminino vai além da sobrecarga de tarefas. “Muitas mulheres acumulam papéis como profissional, mãe, cuidadora e parceira. Com o tempo, passam a funcionar no automático para dar conta de tudo, mas acabam se afastando de quem realmente são. Essa desconexão pode se manifestar como ansiedade, exaustão emocional ou perda de sentido”, explica. 

Nesse contexto, também cresce a reflexão sobre como a vida contemporânea, marcada por produtividade constante, excesso de estímulos e pressão por desempenho, impacta a forma como as pessoas se relacionam consigo mesmas. “Muitas vezes, a necessidade de cumprir papéis e corresponder às expectativas externas afasta indivíduos de processos de autoconhecimento, pausa e reflexão sobre propósito. Lidar com o esgotamento feminino envolve reconexão consigo mesma e reflexão sobre os papéis assumidos na vida cotidiana. É importante que as mulheres reservem momentos de pausa e autocuidado, questionem expectativas externas e priorizem atividades que tragam sentido e bem-estar emocional, de forma a retomar a própria identidade sem se perder nas demandas externas”, acrescenta Saulo. 

Essas discussões aparecem no livro “As quatro chaves do Cristo”, com lançamento previsto para junho pela Editora Gente. Na obra, o autor propõe uma reflexão sobre espiritualidade em tempos de exaustão e aborda temas como identidade, presença e propósito diante das pressões da vida moderna. 

“O livro busca traduzir em palavras sentimentos e inquietações que atravessam a experiência humana atual e convida à reflexão sobre a forma como as pessoas constroem suas trajetórias e se reconectam com aquilo que consideram essencial”, finaliza Saulo Nardelli. 



Saulo Nardelli - autor e fundador da Sangha Platina Solaris e da The Golden Walk Foundation


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