quinta-feira, 19 de março de 2026

Educação financeira deficiente dificulta aos pais lidarem com as demandas de crianças e adolescentes, cada vez mais acentuadas pelas redes sociais


As famílias brasileiras alcançaram, em fevereiro, o patamar de 80% de endividamento, o maior já registrado pela Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo na “Pesquisa Nacional de endividamento Inadimplência do Consumidor”. Em um período no qual os gastos com matrículas e material escolar pressionaram o orçamento das famílias, uma questão desafia a gestão das despesas da casa: como gerenciar a pressão de crianças e adolescentes, cada vez mais seduzidos pelos apelos de consumo das redes sociais. 

Um levantamento realizado pela Dinx - ecossistema gamificado de educação financeira para crianças – revelou que a maior parte dos pais não tiveram educação financeira e têm dificuldades em gerenciar suas próprias despesas. Por isso, não sabem como educar seus filhos nessa direção. 

"A maioria dos pais acha que educação financeira é ensinar a calcular juros. Não é. É ensinar a escolher, a esperar, e a lidar com o não. Só que quase ninguém aprendeu isso na própria infância, então, muitas vezes, não sabemos como ensinar”, afirma Gabriel Araujo, CEO da Dinx, ao destacar que “a plataforma foi criada para quebrar esse ciclo, para que a criança aprenda brincando, dentro de um ambiente seguro, e os pais acompanham tudo em tempo real. 

A especialista em educação financeira Lúcia Stradiotti, head de Educação e Metodologia da Dinx, observa que as redes sociais são uma vitrine de produtos para as crianças, ao mesmo tempo que, na escola, há uma competição para ver quem tem a mochila mais legal ou o melhor tênis e roupa. “Há uma competição do pertencimento junto ao grupo de crianças dos 7 aos 12 anos, o que amplia a pressão por consumo nessa faixa etária”, analisa Lúcia, ao acrescentar que a pressão por consumo atinge as crianças já a partir dos 2 ou 3 anos. 

Antes de dizer "não" automaticamente, experimente perguntar: "Por que você quer isso? O que te chamou a atenção?" Essa conversa ajuda a criança a desenvolver senso crítico sobre o próprio desejo, e muitas vezes ela mesma percebe que era um impulso passageiro. Com adolescentes, funciona mostrar como os algoritmos funcionam: eles são programados para estimular o desejo de consumo. Nomear esse mecanismo tira um pouco do poder que ele tem. 

Segundo estudo realizado pelo Instituto Ipsos em outubro de 2025, em 15 países, incluindo o Brasil, as famílias com crianças têm maior propensão a sentir que estão gastando além do ideal em diversas frentes, e tendem a enfrentar uma pressão financeira maior do que aquelas que não têm filhos, em diversas categorias de produtos, como alimentos, roupas e calçados, viagens, entretenimento fora de casa, entre outros. 

Datas que movimentam o varejo, com a Páscoa, ou mesmo uma simples visita ao supermercado, por exemplo, aguçam o desejo e estimulam a compra por impulso, tornando as famílias mais propensas a se endividarem. Na avaliação da pedagoga, é preciso que pais e filhos aprendam juntos a lidar com essas situações. “Toda a família precisa repensar, em conjunto, a relação com o dinheiro”, recomenda a head de Educação e Metodologia da Dinx. 

Por isso, antes de ir às compras, experimente fazer um combinado com as crianças: estabeleça um valor limite para o presente ou o chocolate, e deixe que a criança escolha dentro desse orçamento. Esse simples exercício ensina comparação de preços, tomada de decisão e respeito a limites, sem drama. No supermercado, o mesmo vale: dar à criança uma "missão" (encontrar o produto mais barato de uma categoria, por exemplo) transforma a ida às compras em uma aula prática. 

Um ponto a observar é que a educação financeira vai muito além de avaliar o que é ‘caro ou barato’ ou se dá para parcelar ou não. “A compreensão do valor do dinheiro, o papel do planejamento e o estabelecimento de prioridades são pilares fundamentais para que a pessoa seja capaz de lidar com as suas necessidades”, explica Lucia Stradiotti. “Aos poucos, e respeitando o desenvolvimento de cada idade, os pais precisam ensinar o valor das escolhas e as consequências que elas trazem. É também o momento de lidar com a frustração quando um desejo não pode ser realizado.”
 

Educação financeira por faixa etária: o que ensinar em cada fase?
 

2 a 5 anos: Nessa fase, o foco é no concreto. Por exemplo, brincar de mercadinho com dinheiro de mentira já desenvolve noções importantes.
 

6 a 9 anos: É a hora de introduzir a mesada ou o conceito de "ganhar" pelo esforço, não como pagamento por obrigações domésticas, mas como reconhecimento de metas. Deixe a criança errar: comprar algo que se arrependa depois é uma das melhores aulas.
 

10 a 12 anos: Já é possível falar sobre objetivos de médio prazo. "Você quer esse jogo? Vamos calcular quantas semanas de mesada precisam ser guardadas." Isso trabalha planejamento, espera e senso de conquista.
 

13 anos em diante: Introduza o conceito de orçamento pessoal. Mostre extratos, explique contas da casa (de forma adaptada), fale sobre cartão de crédito e juros de forma prática. Adolescentes aprendem mais quando sentem que estão sendo tratados como adultos em formação.
 

Nessas situações, os pais podem aproveitar para conversar sobre escolhas, prioridades e espera. "Educação financeira começa justamente nesses momentos cotidianos, quando ajudamos a criança a pensar antes de decidir", afirma Lúcia, ao destacar que essas situações também convidam a família inteira a repensar sua relação com o consumo.
 

A mesada como ferramenta pedagógica  

Dar mesada não é mimar, na verdade, é dar à criança um laboratório seguro para aprender a gerir dinheiro. Alguns princípios que funcionam: definir um valor fixo e previsível (isso ensina a planejar), não "socorrer" a criança se ela gastar tudo antes do prazo (a consequência é a lição) e, se quiser, dividir a mesada em três objetivos: gastar, guardar e doar. O terceiro pote, muitas vezes esquecido, ensina generosidade e senso de comunidade desde cedo.
 

Um exercício simples para fazer em família esta semana  

Reserve 15 minutos no fim de semana para um "papo de dinheiro" em família. Não precisa ser sério, pode ser na mesa do jantar ou no carro. Pergunte às crianças: "Se você tivesse R$ 50 agora, o que faria com esse dinheiro?" Ouça sem julgamento. Essa conversa revela muito sobre como cada filho pensa, e abre espaço para ensinar de forma natural, sem sermão. 

Nessas situações, os pais podem aproveitar para conversar sobre escolhas, prioridades e espera. “Educação financeira começa justamente nesses momentos cotidianos, quando ajudamos a criança a pensar antes de decidir”, afirma Lucia, ao destacar que essas situações também convidam a família inteira a repensar sua relação com o consumo.
 

Aprender brincando: a proposta da Dinx 

A Dinx, como um ecossistema gamificado de educação financeira para crianças e gestão para pais, dá algumas dicas sobre como gerenciar os desejos das crianças e adolescentes, seja nos momentos de aperto do orçamento doméstico ou não – afinal, educação financeira é fundamental para toda a vida:

  • A educação financeira acontece o tempo todo, nas pequenas escolhas do dia a dia. Por isso, é fundamental que os pais conversem com os filhos sobre os desejos de consumo e as prioridades de compra.
  • É preciso trabalhar com a paciência e a lidar com a frustração de não poder comprar um determinado bem naquele momento e ter que esperar e até poupar para isso.
  • Explicar que gerenciar bem o dinheiro não é sobre saber o que é caro ou barato, mas sobre avaliar as prioridades e definir como alcançá-las.
  • Mostrar que dinheiro tem a ver com prioridade, emoção, decisão e escolhas, e não com segredo ou medo.
  • E que é preciso saber o que quer e aprender a planejar para realizar o desejo de consumo.
  • Pautar essa conversa na necessidade do consumo consciente.

Mais do que ensinar sobre dinheiro, a educação financeira infantil prepara a criança para lidar com escolhas, frustrações e planejamento ao longo da vida. “O objetivo não é formar especialistas em finanças, mas pessoas mais conscientes nas suas decisões”, conclui Lúcia. 

Em um cenário de alto endividamento e consumo cada vez mais impulsivo, esse aprendizado deixa de ser opcional, e passa a ser essencial. 


Dinx - EdTech brasileira de educação financeira infantil, cuja missão é formar uma geração mais consciente na relação com escolhas, tempo e dinheiro.

 

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