A mais intensa e incapacitante entre as cefaleias (termo médico para dor de cabeça) surge de forma súbita e alcança o pico da dor em poucos minutos. A cefaleia em salvas afeta cerca de 8 milhões de pessoas no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia.
No entanto, até obter o diagnóstico correto, muitos pacientes enfrentam uma verdadeira peregrinação por diferentes especialidades médicas, passando por diversas consultas, até finalmente chegar ao neurologista, o profissional mais capacitado para reconhecer a condição e conduzir o tratamento de forma adequada e assertiva.
Há mais de 20 anos, a neurologista Thais Villa dedica-se
exclusivamente ao diagnóstico e tratamento da enxaqueca e ao estudo e cuidado
de pacientes com dor de cabeça. A médica responde a seguir as cinco principais
dúvidas sobre a cefaleia em salvas:
1) O que é a cefaleia em salvas?
A cefaleia em salvas é uma apresentação de dor de cabeça em que a
pessoa tem períodos limitados de crises muito severas, várias vezes ao dia,
durante um período determinado que pode ser de semanas até meses. Essas crises
podem se repetir a cada ano ou duas vezes no ano e, depois, essas crises
autolimitadas param de acontecer.
O problema é que são crises muito severas. Então, mesmo que elas
aconteçam por 15 dias ou por um mês, a dor é excruciante e limita completamente
a atividade da pessoa.
2)
Quais as principais características da condição?
A cefaleia em salvas caracteriza-se por uma dor unilateral, que se
manifesta sempre do mesmo lado da cabeça (raramente apresentando alternância
entre os lados). Com dor ao redor dos olhos e, principalmente, na têmpora. É
uma dor excruciante com duração curta de 30 a 40 minutos.
Diferente da enxaqueca, as pessoas tendem também a apresentar uma
agitação extrema, olhos vermelhos, lacrimejamento ocular, narinas entupidas do
mesmo lado da dor de cabeça. As características da cefaleia em salvas são
bastantes típicas e a severidade é realmente muito intensa.
3)
É verdade que a cefaleia em salvas é mais comum em homens?
Sim, a cefaleia em salvas é uma apresentação de dor de cabeça mais
comum em homens, a explicação que se sabe até hoje é por motivo de uma
combinação de fatores biológicos, hormonais e comportamentais, e também relação
com o tabagismo.
É comum quem tem cefaleia em salvas ter enxaqueca também,
inclusive com aura, que são sintomas
neurológicos positivos como alterações visuais, flashes, pontos escuros e
luminosos, embaçamento visual ou mesmo com perdas momentâneas de audição ou
olfato.
4)
Como é feito o diagnóstico?
Não existe exame que demonstre a cefaleia em salvas, o diagnóstico
é totalmente clínico, realizado por um médico especialista para reconhecer o quadro.
Por se apresentar em espaçamento de tempo mais longo e por ter características
diferentes e muito específicas, o diagnóstico acaba sendo tardio, apesar de
existir um tratamento de prevenção.
5)
Prevenção e tratamento
A indicação para o paciente sair mais rapidamente do período de
salvas é o procedimento de bloqueio anestésico, que pode ser em períodos
próximos e seriados, além do uso de oxigênio durante as crises para evitar a
medicação com analgésicos, que não são indicados para os pacientes com essa
condição e podem postergar a duração das salvas. Existem tratamentos
preventivos a base de medicações, atualmente usamos medicamentos anti-CGRP,
aprovado em estudos para esse tipo de doença.
O importante é que o paciente procure rapidamente o serviço especializado
e tenha uma avaliação que também considere hábitos como o tabagismo e,
principalmente, a instituição do tratamento para evitar que a salva se torne
crônica. As crises podem complicar e, em vez de vir em momentos espaçados,
podem nunca mais passar. Já atendemos vários casos em que o paciente entra numa
salva de crises que nunca mais terminam, tornando a doença crônica e diária.
Por isso, se a pessoa tiver qualquer tipo de dor de cabeça com as
características da cefaleia em salvas, a orientação é que busque urgente o
atendimento especializado.
Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.
Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil
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