Levantamento do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostra que obesidade mais que dobrou desde 2006; endocrinologista explica por que obesidade é doença crônica e explica o fenômeno do “food noise”, ruído mental relacionado à comida, e defende que tratar obesidade é tratar cérebro, metabolismo e saúde emocional
No
Dia Mundial da Obesidade, 4 de março, os dados mais recentes do Vigitel
(Sistema de Vigilância do Ministério da Saúde) que monitora fatores de risco
para doenças crônicas mostram que a prevalência da obesidade entre adultos nas
capitais brasileiras e no Distrito Federal aumentou 118% entre 2006 e 2024,
passando de 11,8% para 25,7% da população. Esse crescimento ocorre de forma
contínua e acelerada nas últimas duas décadas atingindo homens e mulheres em
todas as faixas etárias. A meta do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas
(DANT), que previa manter a obesidade em até 20,3% até 2030, já foi
ultrapassada desde 2020.
Para
Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da SBEM (Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), os números reforçam que a
obesidade precisa ser encarada definitivamente como doença crônica. “A
obesidade é uma doença cardiometabólica complexa. Não estamos falando apenas de
peso na balança, mas de risco cardiovascular, evolução para diabetes, síndrome
metabólica e impacto direto na saúde mental”, afirma.
Segundo
a especialista, um dos aspectos menos discutidos sobre obesidade é o chamado food
noise, termo que descreve pensamentos persistentes e intrusivos sobre
comida, o que tornar um desafio a mais na luta por adotar hábitos alimentares
saudáveis.
“Food
noise é um sintoma da obesidade. Muitos pacientes relatam que pensam em comida
o tempo todo, mesmo sem fome. Isso interfere no trabalho, no sono, no humor e
na autoestima. Quando o tratamento funciona, a primeira mudança muitas vezes
acontece na mente, antes mesmo da perda de peso”, explica.
A
médica destaca que a obesidade também está associada a ansiedade, depressão e
distúrbios do sono, formando um ciclo que dificulta o tratamento quando não há
abordagem adequada.
Outro
ponto relevante é o estigma. Estudos indicam que pacientes podem levar até seis
anos para conseguir falar abertamente sobre o peso em consulta médica: “O
estigma atrasa diagnóstico e tratamento. Precisamos falar em ‘pessoas com
obesidade’ e não em ‘obesos’. A linguagem importa e influencia diretamente o
cuidado”, ressalta.
A
endocrinologista reforça que a obesidade permanece subdiagnosticada e
subtratada, inclusive com baixa utilização de terapias farmacológicas
adequadas, apesar do avanço das evidências científicas.
“No
Dia Mundial da Obesidade, o mais importante é entender que estamos diante de
uma doença crônica, que exige acompanhamento contínuo. Assim como hipertensão
ou diabetes, não é uma condição que simplesmente desaparece. É possível
controlar, mas é preciso tratar.”
D
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