quarta-feira, 4 de março de 2026

Dia Mundial da Obesidade: doença avança 118% no Brasil e já atinge 25,7% dos adultos

Levantamento do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostra que obesidade mais que dobrou desde 2006; endocrinologista explica por que obesidade é doença crônica e explica o fenômeno do “food noise”, ruído mental relacionado à comida, e defende que tratar obesidade é tratar cérebro, metabolismo e saúde emocional

 

No Dia Mundial da Obesidade, 4 de março, os dados mais recentes do Vigitel (Sistema de Vigilância do Ministério da Saúde) que monitora fatores de risco para doenças crônicas mostram que a prevalência da obesidade entre adultos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal aumentou 118% entre 2006 e 2024, passando de 11,8% para 25,7% da população. Esse crescimento ocorre de forma contínua e acelerada nas últimas duas décadas atingindo homens e mulheres em todas as faixas etárias. A meta do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas (DANT), que previa manter a obesidade em até 20,3% até 2030, já foi ultrapassada desde 2020.

Para Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), os números reforçam que a obesidade precisa ser encarada definitivamente como doença crônica. “A obesidade é uma doença cardiometabólica complexa. Não estamos falando apenas de peso na balança, mas de risco cardiovascular, evolução para diabetes, síndrome metabólica e impacto direto na saúde mental”, afirma.

Segundo a especialista, um dos aspectos menos discutidos sobre obesidade é o chamado food noise, termo que descreve pensamentos persistentes e intrusivos sobre comida, o que tornar um desafio a mais na luta por adotar hábitos alimentares saudáveis.

“Food noise é um sintoma da obesidade. Muitos pacientes relatam que pensam em comida o tempo todo, mesmo sem fome. Isso interfere no trabalho, no sono, no humor e na autoestima. Quando o tratamento funciona, a primeira mudança muitas vezes acontece na mente, antes mesmo da perda de peso”, explica.

A médica destaca que a obesidade também está associada a ansiedade, depressão e distúrbios do sono, formando um ciclo que dificulta o tratamento quando não há abordagem adequada.

Outro ponto relevante é o estigma. Estudos indicam que pacientes podem levar até seis anos para conseguir falar abertamente sobre o peso em consulta médica: “O estigma atrasa diagnóstico e tratamento. Precisamos falar em ‘pessoas com obesidade’ e não em ‘obesos’. A linguagem importa e influencia diretamente o cuidado”, ressalta.

A endocrinologista reforça que a obesidade permanece subdiagnosticada e subtratada, inclusive com baixa utilização de terapias farmacológicas adequadas, apesar do avanço das evidências científicas.

“No Dia Mundial da Obesidade, o mais importante é entender que estamos diante de uma doença crônica, que exige acompanhamento contínuo. Assim como hipertensão ou diabetes, não é uma condição que simplesmente desaparece. É possível controlar, mas é preciso tratar.”

 

Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA - Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos. Sobrepeso e Obesidade. Compulsão Alimentar e Ansiedade; Obesidade Infantil; Diabetes Mellitus e Pré Diabetes: Controle da glicemia e prevenção de complicações como Retinopatia , Neuropatia , Nefropatia , Infarto do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC); Dislipidemias ( Colesterol); Doenças da tireoide ( Hipo e Hipertireoidismo, Nódulos na Tireóide); Osteopenia e Osteoporose; Seguimento pré e pós operatórios de cirurgia bariátrica; Check-up e Avaliação de rotina; Baixa Estatura; Distúrbios da Menstruação, Distúrbios da Puberdade, Crescimento e Desenvolvimento sexual; Síndrome dos Ovários Policísticos; Reposição hormonal na Menopausa e Andropausa.


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