Hemorragia pós-parto está entre as principais causas de mortalidade materna no mundo
O
parto é um dos momentos mais aguardados da gestação, marcado pela expectativa
de conhecer o bebê após meses de preparação. No entanto, esse cenário pode se
transformar rapidamente em uma situação de risco quando ocorre a hemorragia
pós-parto (HPP), uma complicação grave e potencialmente fatal. Estima-se que,
todos os anos, ocorram cerca de 14 milhões de casos de hemorragia pós-parto no
mundo, resultando em aproximadamente 70 mil mortes maternas. No Brasil, a
condição é a segunda maior causa de óbitos maternos, ficando atrás apenas dos
distúrbios hipertensivos.
De
acordo com o CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), considera-se
morte materna aquela que ocorre durante a gestação ou até 42 dias após o seu
término, independentemente da duração ou do tipo de gestação (intrauterina ou
ectópica), desde que relacionada, causada ou agravada por ela, excluindo causas
acidentais. Por isso, sangramentos no período pós-parto exigem atenção imediata
e acompanhamento rigoroso.
Para
identificar mulheres em risco de desfechos adversos devido ao sangramento
pós-parto e iniciar o tratamento de resposta inicial, recomenda se utilizar os
seguintes critérios: perda de sangue objetivamente medida igual ou superior a
300 mL com qualquer sinal hemodinâmico anormal (frequência cardíaca >100
bpm, índice de choque >1, pressão arterial sistólica < 100 mmHg ou
pressão arterial diastólica <60 mmHg), ou perda de sangue objetivamente medida igual ou superior a 500 mL, o que ocorrer primeiro dentro de 24 horas após o parto.>
A
seguir, veja cinco pontos essenciais sobre a hemorragia pós-parto que
merecem atenção de gestantes, familiares e profissionais de saúde:
1. Principais causas
As
causas da HPP são classificadas nos chamados “4 T’s”: tônus, trauma, tecido e
trombina. A mais frequente é a atonia uterina, responsável por cerca de 70% dos
casos, caracterizada pela falha da contração do útero após o parto, o que
impede o fechamento adequado dos vasos sanguíneos. Traumas obstétricos, como
lacerações e rotura uterina, representam aproximadamente 19% dos casos;
retenção de tecido placentário responde por cerca de 10%; e distúrbios de
coagulação (trombina) correspondem a cerca de 1%.
2. Pode ocorrer mesmo sem fatores de risco
Embora
existam fatores associados à maior chance de HPP — como pré-eclâmpsia,
histórico prévio da condição, gestação múltipla, cesariana anterior, parto
prolongado, episiotomia, parto operatório e recém-nascidos com peso acima de 4
kg —, cerca de 20% dos casos ocorrem sem qualquer fator de risco identificado
previamente. Isso reforça a importância de equipes treinadas e protocolos bem
estabelecidos em todos os partos.
3. Impacto da anemia materna
Gestantes
com anemia apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos da hemorragia pós-parto,
pois a redução da capacidade de transporte de oxigênio no sangue diminui a
tolerância à perda sanguínea. O acompanhamento pré-natal adequado, com
avaliação e correção de deficiências nutricionais, é fundamental para reduzir
riscos.
4. Atenção ao sangramento tardio
A
hemorragia pós-parto pode ser classificada como primária, quando ocorre nas
primeiras 24 horas, ou secundária, quando se manifesta após esse período,
podendo surgir até seis semanas após o parto. A forma tardia está associada a
infecções puerperais, retenção de fragmentos placentários, distúrbios de
coagulação e doenças trofoblásticas. Os sinais de alerta incluem sangramento
súbito, febre, queda de pressão, taquicardia, palidez, tontura e desmaios.
5. Importância de locais adequadamente estruturados
Planejar
o parto em unidades de saúde com infraestrutura adequada, acesso a
medicamentos, banco de sangue e profissionais capacitados é um fator decisivo
para a prevenção, identificação precoce e manejo eficaz da hemorragia
pós-parto, garantindo maior segurança para mãe e bebê.
Ferring Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário