segunda-feira, 23 de março de 2026

CINCO PONTOS DE ATENÇÃO SOBRE A HEMORRAGIA PÓS-PARTO QUE TODOS OS PAIS DEVEM CONHECER

Hemorragia pós-parto está entre as principais causas de mortalidade materna no mundo

 

O parto é um dos momentos mais aguardados da gestação, marcado pela expectativa de conhecer o bebê após meses de preparação. No entanto, esse cenário pode se transformar rapidamente em uma situação de risco quando ocorre a hemorragia pós-parto (HPP), uma complicação grave e potencialmente fatal. Estima-se que, todos os anos, ocorram cerca de 14 milhões de casos de hemorragia pós-parto no mundo, resultando em aproximadamente 70 mil mortes maternas. No Brasil, a condição é a segunda maior causa de óbitos maternos, ficando atrás apenas dos distúrbios hipertensivos. 

De acordo com o CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), considera-se morte materna aquela que ocorre durante a gestação ou até 42 dias após o seu término, independentemente da duração ou do tipo de gestação (intrauterina ou ectópica), desde que relacionada, causada ou agravada por ela, excluindo causas acidentais. Por isso, sangramentos no período pós-parto exigem atenção imediata e acompanhamento rigoroso. 

Para identificar mulheres em risco de desfechos adversos devido ao sangramento pós-parto e iniciar o tratamento de resposta inicial, recomenda se utilizar os seguintes critérios: perda de sangue objetivamente medida igual ou superior a 300 mL com qualquer sinal hemodinâmico anormal (frequência cardíaca >100 bpm, índice de choque >1, pressão arterial sistólica < 100 mmHg ou pressão arterial diastólica <60 mmHg), ou perda de sangue objetivamente medida igual ou superior a 500 mL, o que ocorrer primeiro dentro de 24 horas após o parto.> 

A seguir, veja cinco pontos essenciais sobre a hemorragia pós-parto que merecem atenção de gestantes, familiares e profissionais de saúde:
 

1. Principais causas

As causas da HPP são classificadas nos chamados “4 T’s”: tônus, trauma, tecido e trombina. A mais frequente é a atonia uterina, responsável por cerca de 70% dos casos, caracterizada pela falha da contração do útero após o parto, o que impede o fechamento adequado dos vasos sanguíneos. Traumas obstétricos, como lacerações e rotura uterina, representam aproximadamente 19% dos casos; retenção de tecido placentário responde por cerca de 10%; e distúrbios de coagulação (trombina) correspondem a cerca de 1%.
 

2. Pode ocorrer mesmo sem fatores de risco

Embora existam fatores associados à maior chance de HPP — como pré-eclâmpsia, histórico prévio da condição, gestação múltipla, cesariana anterior, parto prolongado, episiotomia, parto operatório e recém-nascidos com peso acima de 4 kg —, cerca de 20% dos casos ocorrem sem qualquer fator de risco identificado previamente. Isso reforça a importância de equipes treinadas e protocolos bem estabelecidos em todos os partos.
 

3. Impacto da anemia materna

Gestantes com anemia apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos da hemorragia pós-parto, pois a redução da capacidade de transporte de oxigênio no sangue diminui a tolerância à perda sanguínea. O acompanhamento pré-natal adequado, com avaliação e correção de deficiências nutricionais, é fundamental para reduzir riscos.
 

4. Atenção ao sangramento tardio

A hemorragia pós-parto pode ser classificada como primária, quando ocorre nas primeiras 24 horas, ou secundária, quando se manifesta após esse período, podendo surgir até seis semanas após o parto. A forma tardia está associada a infecções puerperais, retenção de fragmentos placentários, distúrbios de coagulação e doenças trofoblásticas. Os sinais de alerta incluem sangramento súbito, febre, queda de pressão, taquicardia, palidez, tontura e desmaios.
 

5. Importância de locais adequadamente estruturados

Planejar o parto em unidades de saúde com infraestrutura adequada, acesso a medicamentos, banco de sangue e profissionais capacitados é um fator decisivo para a prevenção, identificação precoce e manejo eficaz da hemorragia pós-parto, garantindo maior segurança para mãe e bebê.
  
 

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