quarta-feira, 4 de março de 2026

Avanço da obesidade no Brasil acende alerta entre especialistas para os próximos anos


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Novo estudo mostra que os índices de obesidade cresceram 118% em quase duas décadas e indicam tendência de avanço contínuo nos próximos anos
 

 

Consultórios mais cheios e o aumento no diagnóstico de doenças metabólicas já fazem parte da realidade brasileira. O avanço da obesidade e de suas comorbidades consolidou-se como um dos principais desafios de saúde pública da próxima década, não apenas pelo ganho de peso, mas pelas consequências associadas a ele. Dados da pesquisa Vigitel 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde, mostram que o número de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, em paralelo ao aumento de outras doenças crônicas, como diabetes (+135%), sobrepeso (+47%) e hipertensão (+31%). O levantamento também revela mudanças importantes no comportamento cotidiano: a prática de atividade física de deslocamento, como caminhar ou pedalar para o trabalho, caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, indicando que o sedentarismo passou a integrar a rotina urbana, marcada por longos períodos sentados e menor gasto energético diário. É nesse contexto que o Dia Mundial da Obesidade, lembrado em março, ganha relevância como um marco de conscientização e alerta sobre os impactos da doença e a urgência de estratégias de prevenção e cuidado contínuo.


Por que a obesidade segue avançando?

Para o médico Dr. Edson Ramuth, fundador do Emagrecentro, rede de emagrecimento saudável e estética corporal, os números ajudam a compreender por que a obesidade tende a manter uma trajetória de crescimento caso não ocorram mudanças estruturais no cuidado com a saúde. “A obesidade é considerada uma das principais doenças crônicas do século justamente porque não surge de forma abrupta. Ela resulta de um acúmulo silencioso de fatores ao longo do tempo: menos movimento no dia a dia, alimentação cada vez mais prática e calórica, privação de sono, estresse persistente e ausência de acompanhamento contínuo”, explica o médico.

Segundo o especialista, além dos hábitos comportamentais, a predisposição genética também exerce papel relevante, especialmente na forma como o organismo responde ao ambiente. “Algumas pessoas apresentam maior tendência ao acúmulo de gordura corporal, alterações hormonais ou resistência à insulina. Isso não define o desfecho, mas exige estratégias individualizadas e acompanhamento de longo prazo”, afirma. Os impactos do ganho de peso crônico vão além da balança. O acúmulo de gordura, sobretudo na região abdominal, está associado a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, desequilíbrios hormonais, inflamação sistêmica, além de sobrecarga em articulações como joelhos e coluna e prejuízos à saúde do fígado. “Quando esse processo se mantém por anos, o impacto metabólico torna-se inevitável”, completa o Dr. Ramuth.


Alimentação e acompanhamento fazem diferença

Para Fernanda Lopes, nutricionista da Six Clínic, iniciativa 100% online dedicada ao cuidado de pessoas com obesidade e sobrepeso, um dos erros mais comuns é tratar a obesidade como um problema pontual. “Muitas pessoas alternam períodos de restrição intensa com fases de descontrole alimentar, o que aumenta o risco de efeito sanfona e compromete a saúde metabólica. Uma estratégia sustentável precisa caber na rotina real e considerar não apenas calorias, mas qualidade da alimentação, sono, estresse e acompanhamento profissional”, explica Fernanda.

Segundo a profissional, o excesso de gordura corporal mantido ao longo do tempo costuma vir acompanhado de alterações no controle glicêmico, na pressão arterial e em marcadores inflamatórios. “Quando o organismo entra em um estado inflamatório persistente, o emagrecimento se torna mais difícil e o risco de doenças aumenta. Por isso, o foco não deve ser emagrecer rápido, e sim melhorar a saúde metabólica de forma progressiva e duradoura”, completa a nutricionista.


Dificuldade de sustentar hábitos ativos

Além do aspecto clínico e nutricional, a dificuldade de manter hábitos ativos de forma contínua aparece como um dos principais entraves. A educadora física Flávia Cristófaro, fundadora e CEO do Elah App, plataforma online de exercícios físicos para o público feminino, destaca que o problema não está apenas na falta de informação, mas na incompatibilidade entre a rotina moderna e a prática regular de atividade física. “As pessoas sabem que precisam se movimentar, mas vivem em uma lógica que não favorece isso. Jornadas extensas, deslocamentos longos e cansaço constante fazem com que o exercício seja percebido como algo distante da realidade”, explica Flávia.

Segundo ela, esse cenário contribui para ciclos recorrentes de tentativa e abandono. “Quando a atividade física é tratada de forma rígida ou idealizada, ela não se sustenta. A constância, mesmo em volumes menores, é muito mais determinante do que a intensidade. Movimentos possíveis, repetidos ao longo do tempo, geram mais impacto do que esforços pontuais”, conclui.

 

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