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“Quem hoje defende a redução da jornada de trabalho é inimigo do Brasil e está agindo em busca de votos, sem pensar nas consequências da medida ao setor produtivo”
Sou de uma geração que ouvia,
desde a infância, os mais velhos dizerem que o trabalho dignifica, engrandece e
enobrece o homem. Ocupar um novo emprego era motivo de alegria para toda
família. Galgar novos espaços no mercado de trabalho era o objetivo de todos,
assim como ascender e ocupar postos mais altos, com mais carga de trabalho e de
responsabilidade. Essas memórias têm permeado meus pensamentos sempre que ouço
os argumentos daqueles que querem mudar a escala de trabalho no Brasil,
reduzindo a jornada.
O debate é válido, claro. Os
tempos são outros, muita coisa mudou, como processos, velocidade, equipamentos,
rotinas…. Mas isso deveria servir para aumentar a produtividade, melhorar as
entregas e o resultado final. E não para se debater redução de jornada.
Trabalho, para mim, é virtude. Minha escala de trabalho é 7 x 0. Não a vejo
como castigo, pelo contrário.
Além disso, o debate sobre esse
tema precisa ser técnico, e não político. Em um ano eleitoral, isso é
impossível. Será um processo contaminado pela busca de votos, pelo “holofote”
das redes sociais, sem que se discutam impactos na economia e na geração de
empregos. Já dizia o economista Roberto Campos: o início do processo da
distribuição da riqueza é respeitar quem produz. Os empreendedores precisam ser
ouvidos quando essa temática realmente tiver contexto para surgir à mesa.
Outro aspecto que precisa ser
levado em consideração é a produtividade brasileira, baixa e ineficiente,
ainda. Temos crises que precedem essa discussão da jornada de trabalho. Temos
problemas fiscais, econômicos e até uma crise moral que desvirtua a discussão.
O trabalho é realização, fonte de renda, origem da prosperidade familiar, da
sustentabilidade de um país e do crescimento da sociedade. É fato que o Brasil
– hoje – tem uma baixa produtividade crônica, resultado de outra crise, a
educacional. Dados atuais confirmam que 30% dos adultos brasileiros são
analfabetos funcionais.
Ao defender o adiamento desse
debate, a nossa ótica não é contra o trabalhador. É o inverso disso. Afinal,
seguimos tudo que está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ao
exigir que a discussão ocorra com bases técnicas e profundas, estamos
preocupados em não aumentar custos, o que levaria ao crescimento do desemprego
e da inflação, em um ciclo que já vimos ocorrer na economia brasileira. Por
isso a defesa de que se siga o que já está estabelecido: o negociado
prevalecendo sobre o legislado. Há diferentes e inúmeros processos de produção
no nosso país. E os mais afetados com qualquer redução serão a base da economia,
os pequenos e médios empreendedores, que já sofrem com mão de obra escassa e
margem de lucro mínima, decorrente da crise fiscal, que sempre os prejudica.
Quem hoje defende a redução da
jornada de trabalho é inimigo do Brasil e está agindo em busca de votos, sem
pensar nas consequências da medida ao setor produtivo. É preciso serenidade,
valorização do pequeno e médio empreendedor e discernimento para – no momento
correto – iniciar o debate. O Brasil não está preparado para discutir esse tema
agora e os parlamentares precisam ter esse entendimento e assumir essa
responsabilidade. Impor uma mudança na jornada de trabalho será uma medida
nefasta para o Brasil.
**As
opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e
não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**

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