Todo ano, o mês de março e o Dia Internacional da Mulher chega acompanhado de campanhas de empoderamento, slogans e discursos sobre igualdade. Mas, em meio a tantas palavras de ordem, talvez valha fazer uma pergunta incômoda: será que estamos realmente discutindo a força da mulher — ou apenas tentando encaixá-la em um modelo que não foi feito para ela?
Segundo a Psicologia Individual de Alfred Adler, o ser humano é movido por um impulso de superação e crescimento, mas essa força não deve ser confundida com competição ou dominação. A verdadeira maturidade psicológica se expressa no “sentimento de comunidade”: a capacidade de reconhecer o próprio valor enquanto contribuímos para o bem comum.
Nesse
contexto, vale questionar: a busca por provar que a mulher pode ocupar
exatamente os mesmos espaços e agir da mesma forma que os homens não acaba
reproduzindo a mesma lógica competitiva que historicamente a limitou? Para Adler,
a tradução da necessidade constante de provar valor é sinônimo de insegurança —
ou como ele definiu o “sentimento de inferioridade”. A verdadeira superação
acontece quando o valor pessoal deixa de depender da comparação com os outros.
Agora podemos lançar uma nova luz sobre a identidade feminina.
Ao invés de
insistir na comparação constante entre homens e mulheres, talvez seja mais
honesto reconhecer que se trata de naturezas diferentes — tão comparáveis
quanto uma maçã e uma banana. A mulher não precisa fazer tudo o que “um homem
faz” para justificar sua importância. Sua singularidade não é uma limitação a
ser superada, mas uma dimensão da essência feminina a ser exaltada.
Essa visão também
aparece na tradição judaica.
O Tanya é um dos
livros que traduz os conceitos profundos da Cabalá. Escrito em 1796 por Shneur
Zalman de Liadi, a obra pode ser definida como um guia prático para o
autoconhecimento, controle emocional e a busca pelo equilíbrio espiritual do
ser humano. O autor afirma que a verdadeira força se manifesta através da
anulação.
Sim, eu disse anulação. A anulação do ego e da necessidade constante de provar algo ao mundo. Curiosamente, essa visão dialoga com a psicologia adleriana, que também valoriza a humildade psicológica e a capacidade de viver para contribuir, e não para provar algo.
Essa mudança de perspectiva transforma profundamente a forma como entendemos a força. Muitas qualidades tradicionalmente associadas ao feminino — como a empatia, a capacidade de cultivar relacionamentos e construir comunidades — deixam de ser vistas como fragilidade. Tornam-se uma forma poderosa de liderança social.
Ao invés de
enxergar o Dia da Mulher como um campo de batalha simbólico por definições
identitárias, que tal vê-lo como uma reflexão sobre propósito?
Não é sobre quem ocupa qual lugar, mas sim como cada pessoa pode contribuir para uma sociedade mais equilibrada e humana.
A mensagem deixa
de ser “homens e mulheres são iguais” e passa a ser “homens e mulheres têm
qualidades que se complementam”.
Para Adler, a maturidade psicológica acontece quando o indivíduo se torna capaz de viver de acordo com sua própria identidade interior, sem a necessidade constante de validação externa.
Talvez seja exatamente
essa a coragem mais profunda: permanecer fiel a si mesmo em um mundo que rotula
e “cancela” vozes dissonantes.
No judaísmo, homens agradecem a Deus diariamente por não terem nascido mulher. As mulheres agradecem a Ele por terem sido feitas de acordo com Sua Vontade. Longe de significar inferioridade, esse agradecimento masculino deve ser entendido como o reconhecimento de que as mulheres possuem uma força que os homens não têm. E toda habilidade vem acompanhada de uma responsabilidade.
Por isso, nesse
mês dedicado à mulher, por um momento, agradeça.
Agradeça por ter
nascido mulher e por ser diferente dos homens.
Bendito Aquele que
me fez mulher!
Yafit Laniado - criadora da consultoria Relacionamentoria
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