No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologistas e Obstetras reafirma seu compromisso institucional com a saúde e a vida das mulheres brasileiras e apresenta dados inéditos de uma pesquisa nacional sobre a percepção do ginecologista e obstetra no atendimento às mulheres em situação de violência.
Mais do que marcar uma nova etapa da campanha #EuVejoVocê, a iniciativa consolida o papel da FEBRASGO como sociedade científica comprometida não apenas com a atualização técnica, mas também com os desafios sociais que impactam diretamente a prática clínica e a vida das mulheres.
“A FEBRASGO não pode se limitar à atualização científica se não olhar para a realidade que atravessa diariamente a vida das mulheres e, consequentemente, a prática dos ginecologistas e obstetras. Ao apresentar esses dados, assumimos nosso papel institucional de liderar esse debate, transformar conhecimento em ação e fortalecer nossos profissionais para que sejam parte ativa no enfrentamento à violência contra a mulher” explica Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
A pesquisa, conduzida com ginecologistas e obstetras de todo o Brasil, buscou compreender entre outros pontos:
·
Se os profissionais se reconhecem como possível primeiro ponto de
acolhimento para mulheres em situação de violência;
·
Se conseguem identificar sinais clínicos e comportamentais
associados às diferentes formas de violência;
·
Se sentem que estão preparados e confortáveis para abordar o tema.
Os dados serão
apresentados no dia 9 de março, em evento institucional para diretoria e
convidados, e servirão como base para a construção de ações estruturadas da
entidade.
O debate teve
início com um levantamento conduzido pelo Núcleo Feminino da FEBRASGO, voltado
às médicas ginecologistas e obstetras, para compreender situações de
vulnerabilidade à violência vividas por elas, tanto no ambiente profissional
quanto na esfera pessoal.
A ampliação do estudo para toda a categoria permitiu aprofundar o entendimento sobre como a violência contra a mulher atravessa a relação médico-paciente e impacta a prática diária da especialidade.
Violência
além da esfera individual: o olhar para a saúde
A discussão
proposta pela FEBRASGO também abrange as violências institucionais e
estruturais que afetam a saúde feminina.
Desigualdades no
acesso a exames, vacinação, rastreamento e assistência qualificada configuram
formas de violência que impactam diretamente indicadores como câncer do colo do
útero e mortalidade materna — condições que, em grande parte, poderiam ser
evitadas com políticas públicas efetivas e assistência adequada.
A persistência de
diferenças raciais e sociais nos desfechos maternos, por exemplo, evidencia que
a violência na saúde também está associada a desigualdades estruturais que
precisam ser enfrentadas com dados, posicionamento técnico e ação
institucional.
Próximos
passos: educação, atualização científica e valorização
A partir dos
resultados que serão apresentados, a FEBRASGO dará início à construção de um
posicionamento técnico-científico, além de desenvolver ações concretas em seus
três pilares institucionais:
·
Educacional: produção de
conteúdos, capacitações e orientações práticas para apoiar o profissional no
reconhecimento e manejo de situações de violência;
·
Atualização científica: incorporação do
tema em eventos, congressos e discussões técnicas, fortalecendo a abordagem
baseada em evidências;
·
Valorização profissional: reforço do papel do
ginecologista e obstetra como agente essencial na rede de proteção à mulher.
“A FEBRASGO é a
maior federação de ginecologistas e obstetras do Brasil, presente em todo o
território nacional, com ginecologistas espalhados por todo país. A mulher
brasileira é a missão da entidade — por dedicação e vocação. E, como a
violência é diária no Brasil, estar ao lado da mulher no atendimento deve
significar também estar ao lado dela como sociedade, levando luz ao tema para
reduzir mortes, vulnerabilidades e sofrimento psicológico. Como associação
técnico-científica, a FEBRASGO tem um papel de ação e compromisso, da atenção
primária à altamente especializada, porque a mulher e a família são sua
principal missão”, conclui Dra. Maria Auxiliadora Budib, vice-presidente da
Região Centro-Oeste da FEBRASGO.
Mais do que uma
campanha, trata-se de um posicionamento institucional: reconhecer, agir e
fortalecer o papel da ginecologia e obstetrícia na construção de uma sociedade
mais segura para as mulheres.
Números
expressivos
- A Justiça
brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia em 2025, um
aumento de 17% em comparação ao ano anterior.
- Em 2025, a
Justiça concedeu 621.202 pedidos de medidas protetivas, uma média de 70 medidas
por hora
- Apenas em 2025,
o Poder Judiciário recebeu mais de 1 milhão de novos casos de violência
doméstica, incluindo crimes previstos na Lei Maria da Penha (que completa 20
anos em 2026) e descumprimento de medidas protetivas.
- No mesmo
período, a Justiça brasileira julgou, em média, 1.710 casos de violência
doméstica por dia. Ao todo, foram 624.429 novos casos no ano passado.
Fonte: Senado Federal
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