Executiva que lidera negócios no setor de saúde compartilha aprendizados práticos sobre como ser ouvida, respeitada e reconhecida em contextos predominantemente masculinos
Em muitos setores
do mercado, especialmente aqueles ligados à tecnologia, indústria, finanças,
infraestrutura e saúde, a presença feminina em posições de liderança ainda é
minoria. Dados do relatório global Women in the Workplace, conduzido pela McKinsey
& Company, mostram que, apesar de avanços graduais,
mulheres ainda ocupam menos de 40% dos cargos executivos
em grande parte das organizações ao redor do mundo, com diferenças
significativas entre empresas que avançam em equidade e aquelas que permanecem
estagnadas.
Esse cenário ajuda a explicar por que, nesses ambientes, a
construção de autoridade feminina passa por desafios que vão além da
competência técnica: envolve postura, comunicação, preparo e, principalmente,
consistência na forma de se posicionar no dia a dia profissional.
Mais do que um
debate sobre representatividade, se trata de compreender como mulheres podem
fortalecer sua presença e conquistar respeito em mesas de decisão onde, muitas
vezes, são a única voz feminina. A experiência prática mostra que autoridade
não está ligada ao cargo, mas à maneira como a profissional conduz conversas,
sustenta argumentos e se posiciona ao longo do tempo.
Para Andrea
Mendes, CEO do Grupo Hemocat e idealizadora da Cath Care,
essa autoridade é construída em atitudes diárias, quase silenciosas, que
transformam a percepção das pessoas dentro do ambiente corporativo.
“Autoridade não
nasce do título que você carrega, mas da forma como você se apresenta, do
quanto demonstra segurança no que fala e da consistência com que se posiciona
ao longo do tempo, independentemente do setor em que atua. Muitas vezes, são
detalhes de postura, preparo e comunicação que fazem com que as pessoas passem
a te enxergar como referência, mesmo antes de você perceber isso”, afirma
Andrea.
A seguir, a
executiva compartilha aprendizados práticos que podem ser aplicados por
mulheres que empreendem ou lideram equipes em áreas predominantemente
masculinas.
1. Domine o assunto mais do que qualquer pessoa na sala
“Em qualquer
setor, quando você demonstra domínio real do assunto, a dinâmica da conversa
muda. As interrupções diminuem, os questionamentos ficam mais qualificados e o
respeito passa a ser consequência. Isso não acontece por acaso, mas pelo
preparo silencioso que antecede cada reunião. Estudar, entender o contexto,
conhecer números e cenários faz com que sua fala tenha peso e segurança, sem
que você precise elevar o tom de voz para ser ouvida", diz.
2. Não
tente se adaptar ao padrão masculino de liderança
“Muitas mulheres
sentem que precisam endurecer a postura ou adotar um tom mais agressivo para
serem levadas a sério. Na prática, autoridade está na clareza, na objetividade
e na segurança ao se posicionar. Liderar sem perder a própria identidade é um
diferencial. Quando você tenta se encaixar em um padrão que não é o seu, sua
comunicação perde naturalidade e força", complementa a CEO.
3.
Faça perguntas estratégicas, elas mudam a dinâmica da sala
“Existe um momento
decisivo em qualquer reunião: quando alguém faz a pergunta certa. Perguntas bem
formuladas demonstram preparo, visão sistêmica e capacidade analítica. Muitas
vezes, é nesse momento que as pessoas passam a te enxergar como referência
naquele assunto. Não é sobre falar mais, mas sobre falar melhor e no momento
certo", entende.
4.
Consistência constrói reputação muito mais do que carisma
“Ser a pessoa que
entrega sempre, que cumpre prazos, que retorna com respostas e que acompanha
processos constrói uma reputação muito sólida ao longo do tempo. E, em
ambientes corporativos, a reputação pesa muito mais do que a simpatia
momentânea. Autoridade é, muitas vezes, resultado de pequenas entregas feitas
com excelência e repetidas de forma consistente", afirma Andrea.
5.
Entenda que você está sendo observada o tempo todo, e use isso a seu favor
“Quando você é minoria, sua postura comunica o tempo todo, mesmo quando não está falando. A forma como você ocupa o espaço, reage às situações e se relaciona com as pessoas, transmite profissionalismo, preparo e liderança de maneira muito silenciosa. Entender isso ajuda a transformar a pressão em estratégia", comenta.
Para Andrea, conquistar autoridade em ambientes dominados por homens não é sobre provar capacidade, mas sobre agir, diariamente, como alguém que já reconhece o próprio valor. “Autoridade não é algo que pedimos. É algo que as pessoas passam a perceber pela forma como nos posicionamos todos os dias", conclui.
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