Campanha deste ano reforça a importância de exames simples, como creatinina e urina, para identificar precocemente a doença renal crônica e evitar a progressão para fases mais graves
O Dia Mundial do Rim (12/3) reforça uma mensagem central que continua atual e urgente: a doença renal crônica (DRC) pode avançar de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais, e o diagnóstico precoce ainda é a principal estratégia para proteger a saúde dos pacientes. O Censo Brasileiro de Diálise 2024 estimou 172.585 pacientes em terapia renal substitutiva no Brasil, dos quais 52.944 iniciaram terapia ainda em 20241.
O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mais recente sobre DRC apontou aumento de 152% nos atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS) entre 2019 e 20232;3, reforçando a importância da prevenção, do acompanhamento contínuo e da identificação precoce de fatores de risco.
Neste ano, a campanha da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)4 traz um ponto que amplia esse debate. Com o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a mobilização chama atenção para a relação entre prevenção, qualidade de vida e uso responsável de recursos em saúde, reforçando que o cuidado com os rins começa antes da doença avançar.
A proposta dialoga com uma realidade clínica conhecida pelos nefrologistas. Quando a doença renal é identificada tardiamente, aumentam as chances de progressão para fases mais avançadas, com maior impacto na rotina, na qualidade de vida e na necessidade de tratamentos mais complexos, como a diálise.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um em cada dez indivíduos no mundo apresenta algum grau de DRC, e a grande maioria dessas pessoas é assintomática nas fases iniciais da doença5.
Por isso, a orientação é reforçar a prevenção, o controle dos fatores de risco e o rastreio com exames acessíveis, especialmente entre pessoas com maior probabilidade de desenvolver alterações renais.
“A doença renal crônica muitas vezes evolui sem causar sintomas no
começo, e esse é um dos maiores desafios. Quando o paciente sente algo, em
alguns casos a função renal já está comprometida. Por isso, o diagnóstico
precoce faz toda a diferença”, afirma Dr. Américo Cuvello head do Centro
Especializado em Nefrologia e Diálise do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Exames simples e grupos de risco no radar
De forma prática, o rastreio inicial costuma incluir exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue, que ajuda a avaliar a função dos rins, e o exame de urina, que pode apontar alterações importantes, como presença de proteína em níveis acima do normal ou sangue. Embora sejam exames conhecidos, ainda há dúvidas entre pacientes sobre quando pedir, com que frequência fazer e quem deve ter atenção redobrada.
Segundo Dr. Américo, pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, histórico familiar de doença renal, idosos, tabagistas e pacientes com doenças cardiovasculares estão entre os grupos que merecem acompanhamento mais próximo. “Não é uma discussão só para quem já tem doença renal diagnosticada. A prevenção começa antes, com controle da pressão, da glicemia, da alimentação e com exames periódicos, principalmente em quem tem fatores de risco”, explica.
Além dos grupos de maior risco, alguns sinais do dia a dia podem
servir de alerta e justificam investigação médica, mesmo sem dor ou sintomas
intensos. Alterações na urina, como sangue ou espuma persistente, inchaço
persistente em membros inferiores, aumento da pressão arterial de difícil
controle e cansaço fora do habitual, por exemplo, podem estar associados a
diferentes condições e devem ser avaliados no contexto clínico de cada
paciente. “A ideia não é alarmar, mas mostrar que os rins precisam entrar no radar.
Muita gente cuida do coração, da glicose, do colesterol e esquece que os rins
estão no centro desse equilíbrio”, diz.
Prevenção também preserva qualidade de vida
A campanha deste ano também abre espaço para uma conversa mais ampla sobre o impacto dos tratamentos renais avançados e a importância de um cuidado mais sustentável. Isso inclui desde a prevenção e o diagnóstico precoce, que podem evitar a progressão da doença, até a organização de linhas de cuidado que favoreçam acompanhamento multiprofissional, adesão ao tratamento e melhor qualidade de vida.
Em casos em que a doença evolui, o cuidado também pode exigir avaliação especializada, ajustes frequentes de conduta e integração entre diferentes equipes assistenciais. Nesses cenários, a condução em ambiente hospitalar com estrutura para casos de maior complexidade contribui para organizar o tratamento de forma mais individualizada, desde o acompanhamento ambulatorial até terapias renais substitutivas, como hemodiálise ou diálise peritoneal, e condutas personalizadas para cada perfil de paciente.
“Quando a gente fala em prevenção, não estamos falando apenas de evitar um desfecho clínico grave. Estamos falando de preservar qualidade de vida, autonomia e tempo do paciente. E, de forma indireta, também de evitar que ele chegue a uma etapa em que o tratamento é muito mais pesado para a pessoa, para a família e para o sistema de saúde”, afirma o especialista.
“No hospital, a linha de cuidado renal envolve acompanhamento especializado e integração entre equipes assistenciais, com suporte para diferentes perfis de pacientes, da prevenção ao manejo de casos de maior complexidade”, conclui o head do Centro Especializado em Nefrologia e Diálise do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
No cotidiano, hábitos aparentemente simples também têm peso importante para a saúde renal. Entre eles, estão o excesso de consumo de sal e de ultraprocessados, hidratação inadequada, automedicação, especialmente com anti-inflamatórios, e o controle insuficiente de condições como hipertensão e diabetes. O cuidado com os rins, portanto, não se resume a uma conduta isolada, mas faz parte de um conjunto de medidas de saúde ao longo da vida.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a ingestão de sódio não ultrapasse dois gramas por dia, o equivalente a aproximadamente cinco gramas de sal de cozinha. Já a ingestão de proteínas deve ser ajustada conforme a condição renal do paciente, sendo geralmente recomendada entre 1g e 1,2g por quilo de peso corporal para indivíduos saudáveis, enquanto pacientes com DRC podem precisar de restrições específicas conforme orientação médica.
“A mensagem principal é: prevenção e diagnóstico precoce continuam sendo o melhor caminho. Em muitos casos, um exame simples, feito na hora certa, pode mudar completamente a trajetória do paciente”, conclui.
No contexto do Dia Mundial do Rim, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância da conscientização sobre doença renal crônica e do cuidado contínuo ao longo de toda a jornada do paciente, da prevenção e do diagnóstico ao acompanhamento de casos que demandam maior complexidade assistencial, com atuação integrada entre equipes e foco em cuidado qualificado e centrado no paciente.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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