![]() |
| Mais do que organizar livros, profissionais atuam na democratização do saber e no fortalecimento da cidadania. .Foto: Pexels - Filipe Sabino/Divulgação |
Bibliotecários assumem papel estratégico no combate à desinformação e na mediação do conhecimento. Para marcar a data, Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de SP promove programação especial
Celebrado em 12 de
março, o Dia do Bibliotecário convida a sociedade a olhar além das estantes e
reconhecer a importância estratégica de quem organiza, valida e democratiza o
acesso ao conhecimento. Em um mundo marcado por algoritmos e por uma avalanche
diária de conteúdos digitais, a atuação desse profissional torna-se cada vez
mais essencial. Mais do que uma homenagem simbólica, a data reafirma a
importância de quem garante a qualidade da informação, promove o acesso público
ao saber e fortalece a construção de uma sociedade mais crítica e bem informada
no Brasil.
A data foi
escolhida em homenagem ao nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882–1957),
considerado o primeiro bibliotecário concursado do país. Também poeta,
publicitário e intelectual atuante, ele assumiu a direção da Biblioteca Central
da então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e tornou-se referência na
consolidação da Biblioteconomia como campo profissional. O 12 de março foi
oficializado como Dia do Bibliotecário pelo Decreto nº 84.631 e reforça a
importância da categoria para a sociedade brasileira.
Ao contrário do
que ainda sugere o imaginário popular, o bibliotecário não atua apenas entre
estantes silenciosas. “Sua formação o habilita a trabalhar com organização da
informação, curadoria digital, preservação de acervos e estratégias de busca e
recuperação de dados. Está presente em bibliotecas públicas, escolares e
universitárias, mas também em hospitais, fóruns, tribunais, empresas privadas,
editoras, museus, centros culturais e instituições de pesquisa”, explica a
presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana
Cláudia Martins.
Território
de livros, acolhimento e aprendizagem
As bibliotecas
também passaram por profundas transformações nos últimos anos. De espaços
voltados exclusivamente à guarda e ao compartilhamento de livros, tornaram-se
ambientes vivos de convivência, formação e inclusão social. Em muitas
comunidades, especialmente nas periferias, a biblioteca é um dos poucos
equipamentos culturais disponíveis, oferecendo acesso gratuito à leitura, à
internet, a atividades educativas e a projetos de incentivo à cultura. Mais do
que um espaço físico, é um território de acolhimento e construção de cidadania.
“Um exemplo
marcante é a história da escritora Luciene Müller, que viveu nas ruas de São
Paulo entre os 4 e 11 anos e encontrou na biblioteca refúgio e um ponto de
virada. Foi ali, com o incentivo e a dedicação de bibliotecárias, que ela
aprofundou o gosto pela leitura, desenvolveu sua escrita e, anos depois, publicou
sua obra Colo Invisível, na qual narra como o acesso aos livros e ao
apoio humano contribuíram para transformar sua vida”, revela Ana Cláudia
Martins.
Os
livros e a IA
Na era da
Inteligência Artificial e da desinformação, o papel do bibliotecário ganha
novos contornos. A facilidade de produzir e compartilhar conteúdos amplia o
acesso à informação, mas também aumenta os riscos de circulação de notícias
falsas e dados imprecisos. Nesse cenário, o bibliotecário atua como mediador
crítico, capacitado para avaliar fontes, organizar grandes volumes de dados e
promover o uso ético da informação. Se antes o desafio era classificar e
preservar acervos físicos, hoje inclui também organizar o fluxo digital e
orientar usuários na navegação segura pelo universo online.
Comemorações
O Conselho
Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) preparou uma
programação especial para celebrar o Dia do Bibliotecário em quatro cidades do
estado. A primeira foi São José do Rio Preto, as próximas serão: São Paulo
(13), Piracicaba (20) e Pindamonhangaba (27).
Na capital, a
partir das 19h, o evento será realizado na Biblioteca Mário de Andrade, um dos
principais equipamentos culturais da cidade, com palestra do padre Júlio
Lancellotti. Recentemente, o sacerdote inaugurou, ao lado do cardeal dom Odilo
Scherer, a primeira biblioteca voltada à população em situação de rua na
capital paulista. Durante o evento, o CRB-8 lançará uma campanha de arrecadação
de produtos de higiene em apoio às ações sociais desenvolvidas pelo padre.
Também
participarão do encontro o bibliotecário Lourival Lopes Cancela,
que viveu em um albergue e teve sua trajetória transformada após conhecer uma
biblioteca, experiência que o inspirou a se tornar bibliotecário; e a escritora
Luciene Müller.
Importância
da biblioteca pública
De acordo com a presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins, o tema nacional deste ano discutirá a importância da biblioteca pública como lugar de acolhimento e emancipação.
“Ao eleger a
biblioteca pública como tema central em 2026, reafirmamos o papel desses
espaços como instrumentos de emancipação, cidadania e formação crítica. São
equipamentos culturais fundamentais para a construção de uma sociedade mais
justa e bem informada. É indispensável fortalecer políticas públicas inclusivas
que garantam a todos o direito de acesso às bibliotecas”, destaca.
Serviço:
Dia do Bibliotecário 2026
13 de março de 2026 (sexta-feira), 19h às 23h
Tema:
Construindo pontes: o legado das bibliotecas
Local:
Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, 94 – República (Centro) – São
Paulo (SP)
20 de março de 2026 (sexta-feira), 9h
Tema: Do
Legado à Inovação: 125 Anos da Biblioteca da ESALQ
Local:
Biblioteca da ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP) –
Avenida Pádua Dias, nº 11 – Bairro São Dimas – Piracicaba (SP)
27 de março de 2026 (sexta-feira), 9h às 13h
Tema: Inovação,
liderança e fomento: o futuro das nossas bibliotecas
Local:
Palacete 10 de Julho – Secretaria de Cultura e Turismo – Rua Deputado Claro
César, 33 – Centro – Pindamonhangaba (SP)
Instagram: crb8sp

Nenhum comentário:
Postar um comentário