Por que episódios
de crueldade revelam falhas profundas na forma como lidamos com a dor?
A morte do cão Orelha não chocou apenas pela perda
de uma vida, mas pela brutalidade envolvida. Casos como esse expõem algo mais
profundo do que um crime isolado: revelam o nível de desconexão moral e
espiritual que ainda persiste na sociedade. A comoção gerada não se explica
apenas pelo amor aos animais, mas pelo incômodo coletivo diante da crueldade
gratuita.
A violência contra animais não é um fenômeno raro.
O que torna alguns casos mais visíveis do que outros é a repercussão midiática,
não a exceção do ato. Em diferentes partes do mundo, situações semelhantes
ocorrem diariamente sem ganhar atenção. Isso levanta uma pergunta necessária:
por que a indignação aparece em alguns momentos e se cala em tantos outros?
Do ponto de vista espiritual, os animais não são
objetos nem seres descartáveis. São consciências em processo de aprendizado, assim
como os seres humanos. A relação que muitos desenvolvem com eles revela uma
conexão profunda, que vai além da posse ou do afeto superficial. Negar essa
dimensão é reduzir a própria noção de vida.
Diante de episódios como esse, surgem pedidos de
punição exemplar e até de vingança. Embora a justiça humana tenha seu papel — e
deva agir dentro da lei —, ela não resolve o núcleo do problema. A violência
não se corrige com mais violência. O ódio, quando alimentado, apenas reproduz o
mesmo padrão que se condena.
Toda ação gera consequências. Escolhas moldam
destinos, e atitudes marcadas pela crueldade produzem desdobramentos profundos,
não apenas para as vítimas, mas também para quem as pratica. A consciência,
cedo ou tarde, se torna o tribunal mais severo. É nela que surgem o
arrependimento, a culpa ou a necessidade de reparação.
Casos como o do cão Orelha deveriam servir menos
como combustível para a fúria coletiva e mais como convite à reflexão. O
verdadeiro desafio não está apenas em punir, mas em compreender que humanidade
e espiritualidade se revelam nas escolhas cotidianas. A pergunta que permanece
é simples e incômoda: que tipo de consciência estamos alimentando com nossas atitudes?
João Ribeiro é espiritualista cristão, médium, terapeuta e autor do livro “A jornada eterna”.
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