O
aumento das temperaturas e da umidade favorece a proliferação de fungos, pulgas
e carrapatos, tornando o verão um período crítico para a saúde da pele de cães
e gatos em todo o país. Nesse período, cresce a incidência de dermatites,
alergias e infecções cutâneas, muitas vezes interpretadas pelos tutores como
“coceiras normais” da estação. No entanto, dados da Associação Brasileira da
Indústria de Produtos para Animais de Estimação indicam que o problema atinge
milhares de animais no Brasil, que hoje soma cerca de 160,9 milhões de pets.
De
acordo com orientações de conselhos regionais e entidades veterinárias, o calor
intenso associado à umidade cria condições ideais para o desenvolvimento de
doenças dermatológicas, como sarnas, micoses e a Dermatite Alérgica à Picada de
Pulga (DAPP). Entre os sinais mais comuns estão coceira excessiva, feridas na
pele, vermelhidão e queda de pelos, sintomas que não devem ser banalizados.
Estudos
clínicos apontam que as dermatofitoses representam até 61,9% das dermatopatias
diagnosticadas em clínicas veterinárias, com predominância em cães,
responsáveis por cerca de 96,7% dos casos, e maior incidência em períodos
quentes e úmidos, característica típica do verão brasileiro.
Para
a médica veterinária Carla Perissé, especializada em dermatologia veterinária,
a coceira frequente é sempre um sinal de alerta. “Coçar de forma constante não
é normal. Pode indicar processos alérgicos, infecções fúngicas ou bacterianas e
até dor, que o animal não consegue expressar de outra forma”, explica.
A
especialista também alerta para os riscos da automedicação. “O uso de shampoos
inadequados ou pomadas indicadas sem orientação profissional pode agravar o
quadro. A pele do pet responde de forma individualizada, e o que funciona para
um animal pode piorar significativamente a condição de outro”, ressalta.
Além
do desconforto imediato, dermatites não tratadas podem evoluir para feridas
extensas, infecções secundárias e queda intensa de pelos, comprometendo a
qualidade de vida do animal. A recomendação é procurar avaliação veterinária ao
observar sinais persistentes, como coceira diária, lambedura excessiva das
patas, vermelhidão ou alterações na pele. Medidas preventivas, como o uso
regular de antiparasitários, a manutenção da higiene ambiental e consultas
veterinárias periódicas, são fundamentais para reduzir os riscos durante o
verão.
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