quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Tempestades de verão aumentam risco de surtos elétricos e danos a aparelhos eletrônicos

Chuvas intensas e descargas atmosféricas exigem atenção redobrada com a proteção elétrica em residências e pequenos negócios 

 

O verão de 2026 tem sido marcado por chuvas intensas, temporais frequentes e alertas meteorológicos em diferentes regiões do país. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a estação apresenta volumes de precipitação acima da média histórica em áreas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além de episódios recorrentes de tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento. 

Esse cenário climático amplia um risco muitas vezes invisível no dia a dia: os surtos elétricos. Provocados principalmente por descargas atmosféricas e instabilidades na rede de energia, esses picos de tensão podem danificar equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, gerar perda de dados e até causar acidentes domésticos. 

O Brasil é um dos países mais afetados por esse tipo de fenômeno. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o território brasileiro registra, em média, cerca de 78 milhões de raios por ano, com maior concentração durante os meses de verão.
 

Impacto vai além da residência

A combinação entre eventos climáticos extremos e fragilidades da infraestrutura elétrica tem ampliado os impactos de oscilações e interrupções no fornecimento de energia. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), episódios de instabilidade deixaram de ser pontuais e passaram a ter caráter estrutural em algumas regiões do país. 

Na cidade de São Paulo, por exemplo, dados consolidados pela agência indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, houve aumento de 12,8% no número de ocorrências de falta de energia em relação ao mesmo período do ano anterior. Estimativas da Fecomercio-SP apontam prejuízos superiores a R$ 1,5 bilhão para os setores de comércio e serviços após apagões recentes, refletindo perdas operacionais, danos a equipamentos e interrupções de atividades. 

Embora os impactos econômicos sejam mais visíveis no varejo e na indústria, o risco também está presente nas residências, especialmente para equipamentos sensíveis como televisores, computadores, roteadores, eletrodomésticos e sistemas de segurança.
 

Como surtos elétricos afetam os equipamentos

Oscilações e picos de energia podem provocar:

  • Queima de componentes eletrônicos, como placas e processadores;
  • Perda ou corrupção de dados em computadores, notebooks e celulares;
  • Redução da vida útil de aparelhos expostos a surtos recorrentes;
  • Risco de superaquecimento e incêndios, em situações mais severas;


Medidas simples ajudam a reduzir riscos

Segundo Juan Martins, engenheiro de aplicação da Elgin, a prevenção é hoje um dos principais aliados de consumidores e pequenos negócios diante de um cenário de maior instabilidade elétrica intensificado por eventos climáticos extremos.

Entre as recomendações estão:

  • Instalar dispositivos de proteção contra surtos (DPS) na entrada da rede elétrica, devidamente coordenados com o sistema de aterramento e dimensionados conforme a norma NBR 5410, sempre com o apoio de um eletricista qualificado:
  • Utilizar filtros de linha e protetores contra surtos, que ajudam a absorver picos de tensão;
  • Desconectar aparelhos sensíveis da tomada durante tempestades, reduzindo a exposição a surtos induzidos:
  • Verificar periodicamente, garantindo assim o correto escoamento e funcionamento adequado dos dispositivos de proteção elétrica.

“Eventos climáticos extremos tornam mais frequentes as oscilações na rede. Enquanto os investimentos estruturais em infraestrutura avançam, medidas preventivas deixam de ser opcionais e passam a ser essenciais para reduzir prejuízos e riscos à segurança”, afirma.
 

Energia confiável como base da segurança

Especialistas alertam que a qualidade da energia elétrica é um fator cada vez mais estratégico para o funcionamento da economia e da vida cotidiana. Em um contexto de chuvas intensas, raios e sobrecarga das redes, a proteção elétrica ganha papel central não apenas na preservação de equipamentos, mas também na segurança de pessoas e na continuidade das atividades.

 

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