Em pleno verão, campanha do A.C.Camargo Cancer Center desmistifica fake news sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de tumores cutâneos
Em meio a era mais conectada da história, o Google e as redes sociais são as principais fontes de informação dos brasileiros sobre formas de prevenção e de tratamento de câncer, segundo revela pesquisa feita pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados. Metade da população (51%) afirma buscar esses dados no Google (33%), nas redes sociais (18%) e quanto mais jovens, maior o hábito de se informar principalmente pelas plataformas digitais.
“Embora a prática amplie o acesso à informação, a filtragem dos conteúdos acessados é o que nos preocupa, se levarmos em consideração a recente onda de disseminação de conteúdos na internet com informações falsas sobre câncer. Vemos influenciadores, personalidades e até outros médicos, fazendo alegações sem comprovação científica sobre as causas do câncer de pele, eficácia da proteção solar e surgimento de pintas, por exemplo. É preciso tomar muito cuidado com as fontes desses conteúdos. Replicar a desinformação impacta diretamente na efetividade do trabalho das campanhas de prevenção sérias”, explica o Dr. João Duprat, líder do centro de referência em tumores cutâneos do A.C.Camargo Câncer Center.
Segundo dados do Observatório do Câncer, os tumores cutâneos representam mais de 30% dos casos tratados no A.C.Camargo nos últimos 20 anos, incluindo os melanomas e o câncer de pele não-melanoma (carcinomas basocelulares e escamocelulares), o tipo de câncer com maior incidência no país. Estimativas do INCA - Instituto Nacional de Câncer apontam mais de 700 mil novos casos da doença registrados no Brasil por ano até 2025.
Para esclarecer as
principais afirmações que circulam na internet sobre câncer de pele, como parte
da Campanha de Conscientização do A.C.Camargo, o Dr. João Duprat elencou alguns
fatos e fake news importantes sobre a doença. Confira:
Fato ou Fake?
O câncer de pele é raro, não devo me preocupar
Essa afirmação é falsa, muito pelo contrário, o câncer de pele é o
tumor de maior incidência. Vale reforçar que existem vários subtipos, o
carcinoma basocelular é o mais comum de todos, mas ele é um pouco mais lento no
crescimento, o que possibilita mais tempo entre o diagnóstico e o início do
tratamento. Diferente do melanoma, que é menos frequente, mas é extremamente
agressivo.
O protetor solar pode causar câncer de pele, seu uso não
previne a doença.
Essas informações são muito perigosas e completamente falsas. O
protetor solar, como o próprio nome já sugere, protege a nossa pele contra os
raios UVA e UVB, sendo comprovadamente um aliado na prevenção do câncer de
pele. Os protetores solares são devidamente testados e aprovados antes de chegarem
às prateleiras, eles não são químicos que oferecem risco à saúde da pele.
Devo utilizar protetor solar apenas quando vou me expor ao
sol em momentos de lazer?
A resposta é não. O ideal é usar todos os dias de manhã e após o
almoço, a cada quatro ou seis horas. Nos dias de exposição solar maior, como
dias de praia, piscina, clube e ficar em lugar aberto ou tomar muito sol, o
protetor deve ser reaplicado a cada duas ou quatro horas, principalmente depois
de suar, nadar, brincar ou fazer exercícios ao ar livre.
O uso de protetor solar não é necessário nos dias frios ou
nublados
Pelo contrário, não importa a temperatura, o protetor solar deve
ser sempre utilizado. A quantidade de raios ultravioleta não tem relação com a
temperatura do dia ou da época do ano. No que se refere aos dias nublados, os
raios ultravioleta atravessam as nuvens, então é comum que ao fim de um dia
nublado se perceba que a pele exposta ficou vermelha. Por isso, a recomendação
é usar protetor solar todos os dias do ano.
O câncer de pele não dá sinais
Isso é mito, o câncer de pele dá sinais, sim. Quais são os sinais
mais comuns? Geralmente é uma feridinha que aparece no corpo e não cicatriza,
podendo sangrar ou não, que abre e nunca fecha ou às vezes dá uma impressão que
está cicatrizando, mas continua lá. Então se tem uma lesão com mais de um mês
que não cicatriza, é importante procurar um médico.
Outro sinal de alerta, no caso do melanoma, são pintas
assimétricas, com formas, bordas irregulares e tons desiguais,pintinhas têm cor
marrom clara e o marrom escurinho, quando uma pinta vai para o tom enegrecido,
distribuído irregularmente na pinta, ou tons avermelhados, desverdeados,
azulados, também deve suspeitar. O diâmetro de pintas com mais de 6 milímetros,
devem ser avaliadas. E por último aquela pinta que com o tempo vai mudando de
aspecto, requerem avaliação.
Qualquer pinta pode se tornar um tumor de pele?
Sim, qualquer célula do corpo pode virar câncer. E qualquer pinta
pode virar um tumor de pele. Mas, nem sempre a origem desse tumor cutâneo será
uma pinta. Muitas vezes o câncer de pele pode se originar de uma pele saudável
sem nenhuma pinta ou mancha prévia local.
Todos os tipos de pele podem desenvolver câncer
Essa afirmação está correta. Qualquer indivíduo de qualquer raça
ou tipo de pele pode vir a desenvolver um tumor cutâneo. Por isso, é tão
importante saber se prevenir e buscar ajuda médica, quando notar qualquer
anormalidade.
O câncer de pele pode aparecer em qualquer parte do corpo
Isso é um fato! Embora o câncer de pele seja mais comum em áreas
expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, ombros, costas, lábios, pernas e
tronco, também pode surgir em áreas do corpo, como palmas das mãos, planta dos
pés, unhas, couro cabeludo e partes íntimas.
Bronzeamento artificial pode causar câncer de pele
Essa afirmação está correta. Essas sessões feitas em câmaras de
bronzeamento artificial aumentam muito o risco de câncer de pele,
principalmente o melanoma. Diferente do bronzeamento feito com
autobronzeadores. O jet bronze é feito apenas com pigmentos, que não
representam riscos à pele.
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