As mudanças na legislação e o aumento de afastamentos faz com que as organizações acelerem a transição do suporte emocional reativo para a prevenção sistemática de riscos psicossociais, visando blindar o passivo trabalhista e garantir a sustentabilidade do negócio
O mês de janeiro deixou de ser um período simbólico para o RH. As
mudanças na legislação incentivam as empresas brasileiras a incorporarem o
Janeiro Branco como pilar estratégico ao Programa de Gerenciamento de Riscos
(PGR). A obrigatoriedade imposta pela NR-1 transformou a saúde mental em um
item crítico de conformidade, em que ignorar o estresse crônico ou o assédio no
ambiente de trabalho representa uma falha de gestão, um gatilho para passivos
trabalhistas onerosos e multas administrativas. Neste cenário, a prevenção
deixa de ser uma escolha ética opcional para se tornar um investimento
necessário em relação aos aspectos envolvendo as áreas jurídica e operacional.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o ranking dos países mais ansiosos do mundo e ocupa a quarta posição entre os mais estressados. Esses dados revelam uma sociedade que vive em ritmo acelerado, com pouco espaço para o cuidado emocional e uma população cada vez mais afetada por transtornos como estresse crônico, ansiedade, depressão e burnout.
Segundo a psicóloga Fatima Macedo, especialista em saúde mental corporativa e CEO da Mental Clean, os impactos no bem-estar emocional da população são resultado de uma combinação de fatores estruturais e sociais. Entre eles, a complexidade do cenário econômico, as profundas desigualdades sociais, a insegurança, a violência contra a mulher, a situação de risco alimentar e a instabilidade financeira. Além disso, o ritmo cada vez mais acelerado da vida moderna também exerce forte influência sobre a saúde mental.
“O senso constante de urgência, a hiperconectividade, a escassez de pausas e a dinâmica intensa das grandes metrópoles contribuem para o aumento do estresse, da ansiedade e do esgotamento emocional”, alerta Fatima.
A psicóloga ressalta que os sinais de alerta e os sintomas de que algo não vai bem precisam ser observados e tratados com urgência para a prevenção do adoecimento mental. No ambiente corporativo, as lideranças devem ofertar espaços para psicoeducação, com conversas sobre o tema e oportunidades para que os colaboradores possam expressar abertamente suas questões.
“Má qualidade do sono, pensamento acelerado, irritabilidade, desorganização, prazos e entregas comprometidos, falta de assertividade, lentidão na tomada de decisões e sensação constante de desconforto no ambiente de trabalho são sinais de que algo não vai bem emocionalmente. Além disso, o corpo manifesta alertas por meio de sintomas físicos, como dores de cabeça frequentes, problemas de pele e pressão alta. Quando ignorados, esses indícios podem evoluir para quadros de adoecimento mais graves, como depressão, transtornos de pânico e a síndrome de Burnout, doença diretamente relacionada ao trabalho”, explica Fatima.
Segundo o Ministério da Previdência, cerca de 50% dos trabalhadores brasileiros desenvolverão algum transtorno mental ao longo da vida profissional. No país, estima-se ainda que 30% da força de trabalho sofra com a síndrome de Burnout, de acordo com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição é caracterizada por exaustão física e emocional e tem sido intensificada pelo aumento do estresse no ambiente laboral.
“Investir no treinamento das lideranças é estratégico para que elas identifiquem precocemente sinais de sofrimento mental nas equipes e intervenham de forma eficaz. A ação preventiva protege a saúde emocional dos colaboradores, melhora a produtividade, reduz absenteísmo e fortalece o clima organizacional”, orienta Fatima.
Para gestores, supervisores,
coordenadores e lideranças em RH, a atualização da NR-1 pelo Governo Federal
estabelece diretrizes para a adoção de uma abordagem integral e integrada de
Gerenciamento de Riscos Psicossociais nas organizações, com a elaboração de
planos preventivos, capacitação e promoção do engajamento de toda a equipe, e
passará a ser fiscalizada com rigor a partir de maio. A fiscalização inclui,
também, potenciais punições para empresas que estiverem fora da legislação,
como embargos trabalhistas.
Fatima Macedo (CRP 06/62143) - Psicóloga especialista em saúde mental do trabalhador. CEO da Mental Clean, empresa pioneira em Psicologia aplicada à saúde mental corporativa no Brasil, com mais de 20 anos de atuação no mercado. A Mental Clean é a maior consultoria do país, atendendo grandes empresas na implantação e gestão de Programas Estruturados de Saúde Mental, Dependência Química e de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Fátima Macedo é membro fundadora do SAMPO (Ambulatório de Saúde Mental do Trabalhador) no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (2009). Autoridade em Psicologia da Saúde Ocupacional, Fátima Macedo estuda o papel da liderança frente às questões da saúde mental e emocional dos trabalhadores. Diretora de Certificação na ABQV, Associação Brasileira de Qualidade de Vida. Palestrante convidada em congressos e simpósios sobre saúde mental organizacional e qualidade de vida. Autora de diversos artigos e contribuições importantes sobre o tema.
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