Rosana Valle (PL-SP) pede maior rigor nas medidas socioeducativas, que, hoje, se limitam, em regra, à advertência verbal, trabalho comunitário ou acompanhamento da família com assistente social; medida é resposta à execução do cão comunitário Orelha, em Florianópolis-SC, espancado por quatro adolescentes, em 4/1
A deputada federal
Rosana Valle (PL-SP) protocolou nesta quinta-feira (29/1) um Projeto de Lei
(PL) que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e amplia medidas
socioeducativas em casos de violência contra animais. A proposta da liberal é
uma resposta à execução do cão comunitário Orelha, espancado, em 4/1, por
quatro menores de idade, em Florianópolis-SC. Caso sofra sanções pela
ocorrência, o grupo receberá, à luz da lei vigente, entre outras opções de
igual ou menor potencial, advertência verbal, reversão em trabalho comunitário
ou acompanhamento da família com assistente social.
No Brasil, o ECA é
que rege direitos e medidas socioeducativas a menores de idade. As
transgressões são consideradas atos infracionais, que podem resultar, também,
em liberdade assistida e até internação – sanção mais severa prevista no
arcabouço. Entretanto, esta última só pode ser aplicada quando há prova de
violência, grave ameaça à pessoa, reiteradas infrações severas ou
descumprimento de medida anterior.
Caso fossem
maiores de 18 anos, os assassinos de Orelha teriam suas sanções balizadas pelo
Código Penal. As condenações variam de 3 meses a 5 anos de prisão, além de
pagamento de multa e proibição da guarda a qualquer pet. De acordo com a
legislação, em caso de morte do animal, há o agravamento da pena.
Rosana quer suprir
uma lacuna ao inserir no artigo 122 do ECA que, “atos de crueldade extrema
contra animais sejam incluídos e sobre eles incidam medidas mais gravosas, que
consistem na internação dos infratores”:
“Quem mata um
animal com crueldade extrema revela um grau de violência que o Estado não pode
fingir que não vê, o que justifica a aplicação da medida de internação a
menores de idade. Precisamos atualizar o ECA, para que os infratores arquem com
as consequências. Crianças e jovens que atentam contra outra vida precisam ser
responsabilizados, e isso não pode ser só com distribuição de mantimentos em
entidades, sessão com assistente social ou advertência. Isto é muito pouco. O
adolescente perverso de hoje é o adulto violento e inconsequente de amanhã”,
considera a congressista do PL.
A deputada
enfatiza que a grande comoção em torno de Orelha, que ganhou o noticiário
nacional e internacional ao ser vítima de brutal espancamento, reacendeu o
debate sobre as consequências a menores infratores.
O cachorro de
porte médio, de dez anos, sem raça definida, foi atacado por quatro
adolescentes, na Praia Brava, em Florianópolis, no começo deste ano. Devido à
gravidade das lesões, tamanha a pancadaria desferida pelos quatro agressores, e
apesar do socorro prestado por populares que encontraram o animal no dia
seguinte, ainda agonizando, Orelha teve de ser submetido à eutanásia:
“Este crime
bárbaro chocou o País, não só pela crueldade, mas por ter sido praticado por
menores de idade. Não fosse uma forte atuação da comunidade local e da
investigação contundente da Polícia Civil, seria mais uma estatística sem
consequência a quem praticou a violência contra um animal indefeso. Um
verdadeiro absurdo”, pontua a deputada federal, que está em seu segundo mandato
em Brasília e é presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo.
Tramitação
O PL apresentado por Rosana
aguarda recebimento da Mesa da Câmara dos Deputados para, na sequência, a mesma
despachar e indicar as comissões responsáveis para análise do texto e
posteriores discussões.
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