De acordo com a pesquisa Abrappe de
Perdas no Varejo Brasileiro 2024, realizada pela KPMG e pela Associação
Brasileira de Prevenção de Perdas, mesmo com o aumento do faturamento, o varejo
apresentou uma elevação de até 10% nos prejuízos, o que significa perdas que
podem chegar a R$ 34,9 bilhões. O dado reforça a importância de o setor
investir na prevenção de perdas – algo que pode ser obtido com o
apoio estratégico da Inteligência Artificial.
Atualmente, a margem é a grande dor enfrentada pelo
varejista. Diferentemente de outros segmentos, o varejo lida com sazonalidades
críticas, que vão desde a manutenção do giro de estoque – com a compra de
mercadorias na quantia exata para que não haja falta ou excesso – até
o atendimento de todo o ciclo de vendas baseado na demanda do público. Tendo em
vista que o setor está presente tanto no ambiente físico quanto no digital,
todo esse processo demanda um monitoramento rigoroso a fim de evitar perdas
causadas por furtos, avarias e erros operacionais. É, justamente nesse
contexto, que a Inteligência Artificial entra como uma grande auxiliadora.
Quando essa ferramenta é aplicada em todas as
etapas da operação, o varejo passa a ter previsibilidade. Além de automatizar
tarefas – o que elimina erros manuais e garante maior
eficiência – a IA possibilita uma melhor garantia da margem, visto
que, a partir das informações geradas, a empresa efetua compras sob medida e
vende com maior rapidez. Com o apoio da tecnologia, furtos e desperdícios são
combatidos de forma mais eficaz, uma vez que o planejamento produtivo se torna
automático e permite rastrear todo o processo, desde a produção até a venda.
Em contrapartida ao que comumente se ouve de que
"retail é venda e volume", a IA mostra que o setor também é
precisão, apoiando na precificação dinâmica conforme as oscilações do mercado,
o que beneficia diretamente a margem de lucro. Contudo, mesmo diante dos ganhos
da digitalização, o varejo ainda enfrenta altas perdas por não automatizar
etapas-chave. De acordo com levantamentos da McKinsey e da Sociedade Brasileira
de Varejo e Consumo (SBVC), as falhas em processos desconectados podem
comprometer de 10% a 20% do faturamento das empresas.
Mais do que impactar a lucratividade, a falta de
eficiência compromete o desempenho humano através dos altos índices de turnover,
causados, fundamentalmente, por erros e falhas nos processos que desestimulam
as equipes. Ou seja, a falta de um alinhamento cultural em prol do crescimento
do time é um obstáculo a ser ultrapassado. Nesse sentido, a IA também atua para
contribuir com o conhecimento organizacional. Por mais revolucionária que seja
uma tecnologia, ela ainda é feita por e para pessoas. O grande papel desses
recursos é auxiliar em uma atuação estratégica, permitindo que o colaborador,
ao ser retirado de processos burocráticos, possa se dedicar a funções que
agreguem valor real.
Certamente, esse direcionamento depende da visão
unificada que o gestor passa a obter. Com o uso da tecnologia, os líderes podem
recorrer a ferramentas de automatização e Agentes de IA que monitoram toda a
operação, entregando resultados em tempo real. É importante ressaltar que tanto
a Inteligência Artificial quanto outros recursos não são ciências exatas e
dependem do abastecimento de informações de qualidade; erros ainda podem
acontecer, mas a agilidade na correção traz ainda mais segurança à operação.
Já passamos, há muito tempo, da fase do hype da IA.
Hoje, quem não a utiliza corre o risco sério de ficar para trás. No varejo, sua
utilização está amplamente relacionada ao ganho na cadeia de suprimentos,
permitindo uma visão ágil de todas as unidades acerca das demandas e do
desempenho. Além disso, à medida que novas demandas específicas do negócio
surgem a partir desse controle, também são gerados novos postos de trabalho.
Mesmo apontando todos os ganhos, de nada adianta
aderir a ferramentas sem que haja sinergia com a organização. O mercado está
repleto de supostos especialistas que se dizem "Einsteins", mas não o
são. Quando falamos sobre IA, é preciso ter a humildade de entender que estamos
todos aprendendo sobre seus impactos nos negócios. Sendo assim, ter o apoio de
uma consultoria especializada que atue no setor e venha aperfeiçoando o
conhecimento sobre a aplicabilidade técnica é uma estratégia vital. Um time de
especialistas auxiliará não apenas na interpretação do atual cenário, mas
guiará a empresa nos próximos passos para a conquista da vantagem competitiva.
O varejo é um setor intrínseco ao nosso dia a dia e
à economia. Quanto mais o segmento utilizar recursos tecnológicos, principalmente
a IA, melhores serão seu desempenho e o fortalecimento de sua base para
garantir crescimento sustentável. Afinal, para tomar decisões assertivas, é
preciso ter conhecimento.
Diego Bortolucci - responsável pela área de SAP S/4HANA da SPS Group.
SPS Group
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