A instituição cultural, um dos ícones da cidade, promove palestra com o historiador Paulo Rezutti no dia 25 de janeiro, domingo, às 11h
No dia do
aniversário de 472 anos da cidade de São Paulo, dia 25 de
janeiro, domingo, a Fundação
Maria Luisa e Oscar Americano celebra o
aniversário da capital com a palestra “São Paulo: uma cidade
improvável”, ministrada por Paulo Rezutti. Nela,
o escritor e historiador traça um panorama sobre a história da
cidade, os principais marcos temporais e apresenta algumas facetas que faz da
Pauliceia uma cidade tão complexa. Os ingressos custam R$ 50,00 e a
palestra ocorre das 11h às 13h.
O objetivo é refletir sobre como uma pequena vila jesuíta do século XVI se transformou na maior metrópole da América Latina. São Paulo é caos e ordem, riqueza e desigualdade, imigração incessante e reinvenção permanente — uma cidade que, pela lógica, não deveria existir da forma como existe. No evento será possível entender como São Paulo passou de uma cidade de 31 mil habitantes, em 1872, para 65 mil em 1890, e quase 1 milhão em 1928. De um entreposto colonial isolado a um polo econômico e demográfico, pavimentou o caminho para sua expansão industrial no século XX e seu status atual: uma metrópole de mais de 12 milhões de habitantes, com um PIB próximo de R$ 1 trilhão, equivalente a cerca de 10% do PIB nacional.
Ao longo da
palestra, Rezzutti explora as histórias, os contrastes e as
forças históricas que moldaram a capital paulista. Para ele, um dos
momentos mais relevantes e que explica o salto
no crescimento da cidade foi a inauguração da Estrada de Ferro
Santos-Jundiaí. “A ferrovia venceu a serra do Mar e ligou com mais
agilidade a capital da província de São Paulo ao porto de Santos. Isso foi
revolucionário, pois o café, que anteriormente era escoado do interior
para o porto em lombo de mulas, passou a circular mais rapidamente. Pela
estrada de ferro, descia o café e subiam as importações. Com a ferrovia e o
dinheiro do café, São Paulo atraiu investimentos e deu início à industrialização.
Também por ela veio uma onda massiva de imigrantes europeus em substituição da
mão de obra escravizada. Tudo isso impulsionou a urbanização”, argumenta
ele.
O café, portanto,
foi motor central da economia da cidade. “O grão não foi apenas uma
commodity lucrativa, mas um catalisador que moldou a infraestrutura, a
demografia, a urbanização e a transição para a industrialização da cidade e do
estado, sobretudo após a crise de 1929, em que a queda dos preços e a
superprodução forçaram à diversificação dos negócios, com o redirecionamento do
capital para as indústrias”, afirma Rezutti.
Identidade paulistana e desigualdades atuais
É nesse ponto
que a análise histórica se conecta diretamente à construção da identidade
paulistana e aos desafios atuais. “De uma cidade criada com uma
missa, onde os cidadãos viviam praticamente isolados do resto do Brasil e nem
falavam português, acabou se transformando na ‘locomotiva da nação’, um
discurso criado ao longo do século XX. A identidade paulistana é uma realidade
vivida no dia a dia, até por meio de estereótipos, como o do trabalhador
estressado, o do “rolê” na Paulista ou uma pizza no fim de semana. Hoje ela é
uma mistura de invenção e de ‘cosmopolitanismo’ que busca reafirmar uma
superioridade regional que mascara as desigualdades”, diz o historiador.
Ele analisa
a inerente desigualdade da capital, que teve origem ainda no
século XIX, criando uma precariedade habitacional que desafia
gerações. “Na época do Império, a Lei de Terras facilitou a concentração
dos latifúndios na mão de poucos, excluindo a população do acesso à
propriedade, perpetuando ciclos de pobreza intergeracional
e a estigmatização. A aristocracia
cafeeira criou bairros exclusivos, como os Campos Elíseos e
Higienópolis, sendo os imigrantes e operários relegados aos
subúrbios”, conclui.
PAULO
REZZUTTI é um escritor, pesquisador e youtuber
brasileiro. Autor de vários best-sellers, incluindo a coleção A história
não contada, é mais conhecido por suas obras biográficas a respeito
da família imperial brasileira, publicadas no Brasil e no exterior. Em 2016,
conquistou o Prêmio Jabuti de Literatura, na área de Biografias, com seu
trabalho sobre d. Pedro I. É membro de vários institutos históricos, sendo titular
do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e correspondente do Instituto
Histórico de Petrópolis e do Instituto Histórico de Campos dos Goytacazes.
Também é curador de diversas exposições sobre história do Brasil e consultor de
peças teatrais e filmes sobre os personagens de nossa história.
SERVIÇO
Evento: São Paulo: uma cidade improvável
Palestrante: Paulo Rezutti
25 de janeiro, domingo, das 11h às 13h
Ingressos à venda on-line, pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/sao-paulo-uma-cidade-improvavel/3270953. R$50
(valor único)
Local: Fundação
Maria Luisa e Oscar Americano - Av. Morumbi, 4077 - São
Paulo
Funcionamento:
Terça a domingo, das 10h às 17h30. Valet no local
(R$25,00).
Mais
informações: https://www.fundacaooscaramericano.org.br/
ATÉ
MARÇO DE 2026
1.
Exposição “D. Pedro II, 200 anos – O homem revisto por documentos inéditos”
No ano de
comemoração do bicentenário do segundo imperador do Brasil, a mostra “D. Pedro
II, 200 anos – O homem revisto por documentos inéditos” apresenta ao público
peças raras e pouco conhecidas que fazem parte do acervo da Fundação
Maria Luisa e Oscar Americano; com curadoria de
Paulo Rezzutti e da pesquisadora Cláudia Thomé Witte. Além disso, é
apresentado ao público diários de d. Pedro II, que evidenciam, por meio de
anotações e desenhos, suas impressões, viagens e pensamentos a respeito do
Brasil”. A exposição ficará aberta ao público até março de 2026.
2.
Exposição “Otavio Augusto Teixeira Mendes - Patrimônio do Paisagismo
Brasileiro”
Com curadoria de
Cássia Mariano e em parceria com o Arquivo Histórico Municipal de São Paulo, a
mostra apresenta ao público, pela primeira vez, os desenhos originais dos projetos
paisagísticos do Parque Ibirapuera e do Parque Estadual da Cantareira, ambos
desenvolvidos pelo arquiteto paisagista Otavio Augusto Teixeira Mendes e
localizados em São Paulo.
3.
Exposição “Cosme e Damião - diversidade e coexistência”
Com curadoria de
Rafael Schunk, a mostra apresenta, por meio de peças centenárias, os
gêmeos médicos que em diferentes tradições religiosas ocupam um lugar especial
na coexistência religiosa. Composta por aproximadamente 200 obras – vindas
da coleção de São Cosme e São Damião do acervo de Ludmilla Pomerantzeff,
uma das mais importantes do Brasil dedicada à temática, com peças dos séculos
XVIII e XIX oriundas da Europa, Ásia e Nordeste brasileiro, somadas aos
empréstimos de esculturas africanas e de um ícone ortodoxo da Coleção Ivani e
Jorge Yunes. O público poderá encontrar imagens de arte sacra erudita e
popular, exaltando as nossas origens mestiças e o sincretismo religioso.

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