quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Calor extremo acima de 34°C é risco letal para pets; Dra. Danyelle Moscardo explica como garantir a saúde do seu pet

Ondas de calor intenso transformam o asfalto em armadilha e o ar quente em perigo para animais de estimação. Veterinária detalha os sintomas do choque térmico e as medidas de emergência para cães, gatos e aves.

 

Com os termômetros ultrapassando a marca dos 34°C em diversas regiões, a atenção com os animais de estimação precisa ser redobrada. O que para os humanos é um desconforto, para os pets pode se tornar uma emergência médica fatal em poucos minutos. A médica veterinária Dra. Danyelle Moscardo faz um alerta sobre a gravidade do Golpe de Calor (hipertermia severa), condição que pode levar à falência múltipla de órgãos se não houver intervenção imediata. 

Diferente dos seres humanos, que possuem glândulas sudoríparas espalhadas por quase todo o corpo, os cães e gatos trocam calor de forma muito restrita: apenas através dos coxins (as almofadinhas das patas) e, principalmente, pela respiração (o ato de ofegar). "Quando a temperatura externa está muito alta, o ar que o animal inspira já está quente, impedindo que ele resfrie o sangue. Isso gera um superaquecimento interno que o organismo não consegue reverter sozinho", explica a Dra. Danyelle.
 

As condições de risco e a anatomia do perigo 

A especialista detalha os principais cenários de risco que se agravam com o verão intenso:

  • Síndrome do Braquicefálico: Raças como Pugs, Bulldogs, Boxers e Shih-Tzus possuem o focinho "achatado" e restrições em vias aéreas, como a estenose de narinas e palato mole alongado. A dificuldade anatômica de passagem do ar torna o resfriamento quase impossível em dias quentes, tornando-os as maiores vítimas de morte por calor.
  • Agravamento de Doenças Pré-existentes: Animais que já possuem cardiopatias, problemas renais ou colapso de traqueia sofrem um estresse metabólico imenso. O esforço para respirar sobrecarrega o coração, podendo levar a episódios de hipóxia (falta de oxigênio nos tecidos) e desmaios.
  • Queimaduras e Dermatites: O asfalto e as calçadas funcionam como placas térmicas. Em dias de 34°C, a temperatura do chão pode chegar a 60°C. O contato causa queimaduras graves nos coxins, gerando dor intensa e infecções secundárias (dermatites).
  • Aves e Pequenos Roedores: Esses animais possuem um metabolismo muito acelerado. Gaiolas posicionadas próximas a janelas ou em locais sem corrente de ar transformam-se em "estufas", levando à morte súbita por desidratação e choque térmico.


Manual de cuidados: como proteger seu pet 

A Dra. Danyelle Moscardo elenca medidas essenciais para atravessar as ondas de calor com segurança:

  • Hidratação Inteligente: Água fresca deve estar disponível em abundância. Adicionar cubos de gelo na vasilha ou oferecer frutas geladas (melancia sem semente, melão ou maçã) auxilia na manutenção da temperatura interna.
  • Passeios e Exercícios: Devem ser restritos aos horários de "sol baixo" – antes das 8h ou após as 20h. Atividades intensas, como corridas com o cão, devem ser suspensas durante as ondas de calor.
  • O Perigo dos Veículos: É terminantemente proibido deixar animais sozinhos dentro de carros, mesmo com vidros semiabertos. O interior do veículo parado sob sol forte sobe 10°C a cada 15 minutos, tornando-se uma câmara letal.
  • Sinais de Alerta: O tutor deve ficar atento a sinais como salivação excessiva, língua muito avermelhada ou arroxeada, fraqueza, vômitos e respiração muito rápida e ruidosa.

"Se notar esses sinais, o tutor deve resfriar o animal imediatamente com toalhas úmidas (não use gelo direto) e procurar atendimento veterinário de urgência. No golpe de calor, cada minuto conta para salvar a vida do animal", finaliza a especialista.

 

Dra. Danyelle Moscardo - Médica Veterinária dedicada ao bem-estar e à saúde animal, com foco em clínica geral e medicina preventiva. Atua ativamente na orientação de tutores para garantir que a relação entre humanos e pets seja pautada pela segurança e qualidade de vida.

 

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