Pandemia, guerras, eleições, transformações digitais. Pensar em um mercado global “estável” não é uma realidade, tornando cada vez mais desafiador que os executivos driblem tais dificuldades e eventos externos, mantendo uma gestão positiva frente ao crescimento corporativo. Liderar um negócio diante de tantas incertezas pode até parecer uma missão impossível, mas com uma boa dose de inquietude, autoconhecimento e governança flexível, até mesmo os mais preocupantes cenários podem se tornar oportunidade de aprendizado, sobrevivência e prosperidade.
Há
uma expectativa natural de protagonismo nos líderes, frente à sua enorme
responsabilidade de engajar os times rumo à conquista de resultados cada vez
melhores. Mas, constantemente, são testados diante de variáveis externas não
possíveis de serem previstas que, se não forem muito bem conduzidas, podem
gerar impactos graves às operações – assim como vimos durante o isolamento
social e as constantes inflações globais.
Em
um mundo de extrema conectividade, a velocidade dos avanços tecnológicos e da
inevitável maior concorrência também demanda um olhar atento e cauteloso pelos
executivos, de forma que antecipem eventuais tendências e identifiquem a melhor
forma de aproveitá-las, assegurando seu destaque no setor. Tal urgência da
mudança constante, por outro lado, também gera preocupações: uma pesquisa da
PwC mostrou que 45% dos executivos brasileiros não acreditam que suas
organizações sobreviverão por mais de dez anos se não se reinventarem.
Sobreviver
em meio a constantes incertezas, instabilidades e novidades é uma missão árdua.
Afinal, ao mesmo tempo em que precisam olhar para as necessidades atuais,
também devem olhar para o futuro, analisando que tipo de trabalho devem fazer
hoje para que sejam bem-sucedidos amanhã. E, quanto mais avanços digitais e
tecnologias disruptivas emergirem, menor será o tempo de resposta e reação das
empresas para manter suas portas abertas.
Qual
o segredo, então, para prosperar diante de tantas dificuldades? Não há uma
receita de bolo, porém, algo é fato: é dever imprescindível de todo líder não
apenas ter ótimos conhecimentos técnicos e comportamentais (hard e soft
skills), como também uma inquietação constante que o motive e guie a sempre
estar atento ao que está acontecendo no mercado, e qual o melhor caminho para
antecipar qualquer demanda e continuar destacando o negócio rumo a um futuro
melhor.
Se,
no passado, os conhecimentos técnicos eram considerados os mais valorizados e
importantes para o sucesso corporativo, hoje já não são suficientes. Líderes
bem-sucedidos são aqueles que, além de dominarem essas habilidades, também têm
um enorme autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que os orientem a motivar
e engajar as equipes rumo aos objetivos almejados pelas empresas.
A
governança na qual estão inseridos é outro fator determinante nesse sentido.
Até porque, de nada adianta um negócio ter líderes com ampla motivação,
aderência aos valores corporativos, e que saibam como ler o ambiente para
transformar desafios em oportunidades, sem que a própria empresa tenha uma
cultura e estilo de gestão que permita essas atitudes práticas, os incentivando
a testarem sem medo de repressão, e equilibrando sua visão de longo prazo às
necessidades atuais.
Na
prática, contudo, ainda é bem difícil encontrar organizações que tenham esse
mindset. Basta analisarmos nosso próprio país, cuja extensa dimensão faz com
que, em regiões mais tradicionais, por exemplo, exista um mercado mais
relutante em promover inovações e se antecipar ao que já está emergindo
externamente, menos preocupadas com o futuro. Isso, ao mesmo tempo em que
regiões mais focadas nesse sentido costumam alavancar mais economicamente, se
tornando polos atrativos, até mesmo, para empresários e parcerias
internacionais.
No
final, ao mesmo tempo em que esses desafios pressionam o mercado a serem mais
flexíveis, resilientes e capacitados para lidar com qualquer incerteza, também
podem proporcionar muitas oportunidades inovadoras para aquelas que prezarem
pela antecipação e preparo contínuo como parte de sua governança. A grande
questão que fica, então, é se você, executivo, será vítima ou protagonista
dessa mudança na sua empresa.
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