Especialista
orienta sobre transporte correto, documentação exigida e formas de reduzir o
estresse dos animais em deslocamentos
Malas prontas e o olhar curioso do pet acompanhando
cada movimento. Para muitos tutores, deixar o animal em casa já não é uma
opção: os cães estão cada vez mais presentes nas viagens em família. Mas, por
trás das fotos fofas e das aventuras nas redes sociais, existe um desafio real
– garantir que o deslocamento aconteça com segurança e sem estresse para o
animal. Com um pouco de planejamento, o trajeto pode ser tão agradável para o
pet quanto o destino.
Antes de sair: avaliação e
preparo
Nem todos os animais estão aptos a encarar longos deslocamentos. Filhotes muito jovens, fêmeas gestantes, idosos ou pets com problemas cardíacos ou respiratórios devem ser avaliados com atenção antes da viagem. Uma consulta prévia com o médico-veterinário é essencial para verificar a condição de saúde, atualizar as vacinas e definir o melhor plano de cuidados.
O profissional também pode prescrever medicamentos contra enjoo, se necessário,
e orientar sobre intervalos de descanso, hidratação e alimentação.
No carro: conforto, segurança
e adaptação
Para muitos tutores, o carro é o meio mais prático
– e também o primeiro contato do pet com viagens mais longas. O segredo está em
transformar o trajeto em uma experiência segura e agradável, tanto para o
animal quanto para quem dirige. Escolher o acessório certo faz toda a
diferença: a caixa de transporte é o item mais indicado, pois oferece proteção
e conforto, além de permitir que o pet viaje em um espaço ventilado e estável.
O acessório deve ser colocado no banco traseiro e
preso ao cinto de segurança. Outra opção é o assento pet, que mantém o animal
fixo e confortável durante o percurso. Já os cães de grande porte podem viajar
com o uso de um cinto específico, preso ao peitoral e ao engate do carro –
medida que evita acidentes em freadas bruscas.
“O tutor deve garantir que o pet esteja devidamente posicionado, pois esses
acessórios são imprescindíveis para protegê-los em emergências”, explica a
médica-veterinária Marina Tiba, gerente de Produto da Unidade de Animais de
Companhia da Ceva Saúde Animal.
Vale lembrar que o transporte incorreto de animais
é considerado infração média pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), sujeita
a multa e pontos na carteira de habilitação. Mais do que uma questão legal, a
norma existe para garantir a segurança do tutor, do animal e de todos os
ocupantes do veículo. Um pet solto pode se distrair com o movimento, tentar
alcançar o motorista ou ser projetado em caso de frenagem brusca, aumentando o
risco de acidentes.
Além da segurança, o conforto também é essencial.
“Antes de pegar a estrada, vale acostumar o pet ao carro com pequenos trajetos,
para que ele se adapte aos sons e movimentos do veículo. Montar um kit de
viagem com água, potes dobráveis, lenços umedecidos, brinquedos e uma manta com
o cheiro de casa ajuda a reduzir o estresse e garante praticidade durante o
caminho”, orienta Marina.
Proteger o interior do carro também faz parte do
planejamento: uma capa protetora nos bancos traseiros evita sujeira e danos ao
estofado, enquanto uma grade divisória entre os bancos dianteiros e traseiros
aumenta o conforto e impede que o animal tente ir para a frente.
É importante manter o ambiente com temperatura agradável e boa ventilação, além
de fazer paradas a cada uma ou duas horas, para que o pet possa se hidratar, se
exercitar e fazer suas necessidades.
Durante o trajeto, o tutor deve estar atento a
sinais de estresse, como respiração ofegante, salivação excessiva e tremores.
Nestes casos, é indicado parar o veículo, oferecer água e um breve descanso. Se
os sintomas persistirem, o ideal é procurar orientação veterinária.
Viagens de avião: atenção
redobrada
Quando a viagem for de avião, é fundamental
verificar com antecedência as exigências da companhia aérea. Em geral, cães e
gatos de pequeno porte – desde que o peso total, incluindo a caixa de
transporte, respeite os limites definidos pela empresa (normalmente entre 7 e
10 kg) – podem embarcar na cabine de passageiros, acomodados sob o assento à
frente do tutor.
Animais de médio e grande porte devem ser transportados no compartimento de
carga pressurizado, em caixas rígidas e bem ventiladas, que sigam os padrões da
Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Em relação a cães-guia ou animais de assistência,
há diferenças importantes:
Cães-guia e cães de serviço treinados para auxiliar pessoas com deficiência têm
direito legal de viajar gratuitamente na cabine, ao lado do tutor, sem
necessidade de caixa, desde que devidamente identificados e com comprovação de
treinamento, conforme regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil
(ANAC).
Já animais de suporte emocional e demais pets seguem as políticas específicas
de cada companhia aérea, que podem variar quanto ao peso, número de animais por
voo e exigência do uso de caixa de transporte.
O tutor também deve apresentar atestado de saúde
atualizado, carteira de vacinação em dia e, em alguns casos, comprovante de
tratamento antiparasitário recente.
É recomendável oferecer a última refeição entre 2 e 4 horas antes do embarque,
mantendo água disponível até o momento da viagem. Isso ajuda a evitar
mal-estar, enjoo ou acidentes durante o trajeto.
Acostumar o pet à caixa de transporte antes do embarque é uma das principais
estratégias para reduzir o estresse. “Deixe o animal explorar o espaço com
brinquedos e petiscos, para que associe o ambiente a algo positivo”, recomenda
Marina.
Nas viagens internacionais, as exigências podem
incluir microchip, certificado veterinário internacional (CVI) e vacinação
antirrábica dentro do prazo exigido pelo país de destino. Por isso, é
importante verificar todas as regras com antecedência.
Detalhes que garantem o
bem-estar do pet
Além do transporte, é preciso cuidar de outros
detalhes para que a experiência seja positiva do início ao fim. A identificação
correta é essencial: uma coleira com plaquinha contendo o nome do animal e
telefone do tutor é indispensável, e o microchip oferece uma camada extra de
proteção, facilitando a localização em caso de perda.
Manter uma rotina semelhante de alimentação,
passeio e descanso também ajuda o pet a se adaptar melhor ao novo ambiente.
Preparar um espaço tranquilo, com objetos familiares, brinquedos e uma manta de
casa, favorece a adaptação e reduz o estresse. Outra medida é o uso de
feromônios sintéticos, disponíveis em spray, coleira e difusor. Essas
substâncias reproduzem sinais químicos naturais que transmitem sensação de
segurança e conforto aos animais. “Os feromônios sintéticos ajudam o pet a se
sentir em um ambiente familiar, mesmo longe de casa. Eles podem ser aplicados
na caixa de transporte e utilizados no local da hospedagem, contribuindo para
uma experiência mais tranquila”, explica Marina.
Durante viagens, especialmente em regiões quentes,
é importante garantir proteção contra pulgas, carrapatos e mosquitos
transmissores de doenças, além de evitar a exposição prolongada ao sol. O uso
de antiparasitários e repelentes veterinários deve estar sempre em dia.
Com planejamento, cuidado e atenção às necessidades
do animal, é possível garantir uma viagem segura, tranquila e cheia de boas
lembranças – para todos os integrantes da família, humanos e de quatro patas.
www.ceva.com.br

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