Formação no
sistema público alia excelência técnica e compromisso com cuidado integral ao
paciente
Dados do Panorama da Residência Médica,
divulgado pela Universidade de São Paulo, indicam que mais de 27 mil médicos
foram formados em 2024 no Brasil. Em contrapartida, foram oferecidas cerca de
16 mil vagas em residência médica — pouco mais da metade delas, 8.720,
pertenciam a 160 instituições que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O
sistema proporciona, além do conhecimento técnico e da vivência prática, o
compromisso com o cuidado humanizado aos pacientes.
“A residência em um hospital SUS me proporcionou
uma visão ampla do sistema de saúde brasileiro. O contato direto com diferentes
realidades sociais e com a alta complexidade clínica trouxe uma base sólida e
reforçou a importância de um atendimento humano, acessível e de qualidade”,
conta o cirurgião torácico Leonardo Rottili Roeder, que realizou a residência
médica em cirurgia geral no Hospital Nossa Senhora Conceição, em Porto Alegre
(RS), e em cirurgia torácica no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba
(PR), ambos dedicados 100% a atendimentos pelo SUS.
Atualmente, além de atuar como preceptor de
residência médica no Cajuru, Roeder realiza atendimentos no hospital privado
São Marcelino Champagnat, na capital paranaense, onde também ocupa o cargo de
coordenador médico. “Em uma instituição privada, muitas vezes temos mais
tecnologias de ponta disponibilizadas, mas acho que o que mais conta para o
paciente no atendimento é a empatia. Tento enxergar cada paciente com o olhar
dele, entendendo sua história, suas angústias e expectativas. Esse cuidado
reduz a distância na comunicação e fortalece a relação médico–paciente”,
explica o profissional. “As necessidades humanas são universais,
independentemente do tipo de atendimento. Levo comigo a sensibilidade e a visão
de integralidade do SUS, o que contribui muito para melhorar a experiência do
paciente, seja ele atendido no sistema público, em convênios ou na rede
privada”, garante Roeder.
Hospital Universitário Cajuru
Referência no atendimento em traumas em todo o
Paraná, o Hospital Universitário Cajuru realiza mais de 147 mil atendimentos
por ano. Inaugurado em 1958 pela União dos Ferroviários, foi adquirido em 1977
pela Associação Paranaense de Cultura (APC), mantenedora da PUCPR. A partir
desse momento, passou a integrar o ensino e as práticas acadêmicas da
universidade e, em 1985, iniciou seu primeiro programa de residência médica em
cirurgia geral e trauma. Hoje, o hospital oferece 20 especialidades
médicas.
“Ao atuar diariamente nos serviços do SUS, os
residentes aprendem a enxergar o paciente em sua totalidade — não apenas a
doença, mas também as vulnerabilidades e contexto de vida. Essa vivência
desenvolve uma escuta mais empática e um olhar integral para o ser humano,
valores que se tornam marca da formação oferecida pelo Cajuru”, afirma a
coordenadora de residência médica intensiva, Viviane Chaiben. “Aqui, o
conhecimento é construído lado a lado com o paciente. Cada atendimento é uma
oportunidade de crescer como médico e como pessoa”, reforça.
Com uma equipe multiprofissional e infraestrutura
voltada para o ensino e a assistência, o Hospital Universitário Cajuru oferece
um ambiente de aprendizado integral. Os residentes convivem com diferentes
especialidades e situações clínicas complexas, o que amplia sua capacidade de
atuação e fortalece o sistema público de saúde.
Mais do que uma etapa da formação médica, a
residência no Hospital Universitário Cajuru é um exercício diário de humanidade
— um aprendizado que acompanha o profissional por toda a vida. “Todo médico que
se forma e procura uma instituição para a especialização precisa refletir sobre
o que espera da residência. É importante avaliar a qualidade do corpo clínico,
as oportunidades de aprendizado prático, a presença de ensino e pesquisa e
também a estrutura tecnológica que o hospital oferece. Esses fatores fazem toda
a diferença na formação e no preparo para o futuro profissional”, enfatiza
Roeder.
“O bom profissional é aquele que vê o paciente como
um ser humano e não como um número. Cuidar do outro é um desafio constante e,
além da técnica, essa é uma preocupação de quem atua diretamente na formação e
qualificação de novos profissionais”, finaliza Viviane.
Hospital Universitário Cajuru
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