sexta-feira, 17 de outubro de 2025

O que impacta a marca pessoal de um político nas eleições


A cada eleição, fica mais evidente que a vitória não depende apenas de propostas escritas em um plano de governo. O fator decisivo é a percepção da sociedade sobre quem é o candidato, o que representa e como se comunica. A marca pessoal de um político torna-se, portanto, um ativo estratégico, capaz de atrair votos ou afastar eleitores. Neste artigo, descubra os principais elementos que moldam e impactam essa marca em função da minha experiência ao projetar políticos, assim como responsável por articulações e pelo desenvolvimento da marca pessoal.


1. Coerência entre discurso e prática

Na política, a coerência é a linha tênue entre ser visto como confiável ou oportunista. Redes sociais e veículos digitais aumentaram a capacidade de fiscalização do eleitor, que rapidamente expõe contradições, mas também de cair em uma série de polarizações sem conferir a veracidade dos fatos. Um político que defende ética, mas se associa a escândalos, fragiliza sua reputação. Sem coerência, toda narrativa se esvazia. A marca pessoal se sustenta apenas quando as promessas encontram correspondência na prática, o que é ainda mais raro nesta área. Entretanto, o que deveria ser uma premissa para entrar na área política, é um diferencial hoje em dia.


2. Comunicação autêntica e multicanal

Não é apenas sobre falar bem. É sobre falar com clareza, autenticidade e adaptando a mensagem ao canal. O eleitor espera do político uma presença ativa em diferentes plataformas, como televisão, rádio, redes sociais digitais e eventos presenciais, mas sem que o discurso perca consistência ou seja desconexo entre elas.

A Geração Z e os Millennials, em especial, são sensíveis a discursos artificiais. Querem políticos que mostrem vulnerabilidade, que admitam erros e que falem de forma direta. A comunicação hoje não é performance ensaiada, é autenticidade traduzida em diferentes linguagens. Mas como ser autêntico em uma área tão sensível, rumores, “puxões de tapete” e disputa por poder ao estilo “vale-tudo”?

Por isso que hoje não basta se orgulhar da autenticidade e esquecer o contexto que se está inserido, devendo a comunicação e atitudes serem moldadas em função dos cenários e interesses múltiplos.


3. Reputação digital e gestão de crises

Ricardo Dalbosco, Doutor e especialista em comunicação multigeracional, compara o ambiente digital com um campo de batalha. Qualquer deslize pode se tornar viral em minutos. A marca pessoal de um político não é apenas construída em campanhas, mas na rotina diária: o que ele posta, o que comenta, como interage.

Gestão de crises se torna diferencial. Políticos que tentam esconder falhas perdem confiança. Já aqueles que assumem responsabilidade e respondem rapidamente demonstram liderança e maturidade. Como afirma Dalbosco: “A autoridade de um político não nasce da ausência de erros, mas da capacidade de responder a eles com clareza e consistência. Quem se omite em momentos de crise não apenas perde votos, mas também relevância. Afinal, posicionamento é renúncia e esse é o grande desafio para muitos políticos que ficam em cima do muro”.


4. Imagem, postura e linguagem não verbal

Na política, a forma comunica tanto quanto o conteúdo. A vestimenta, o tom de voz, o olhar, a postura diante de câmeras e até a forma de cumprimentar pessoas constroem percepções inconscientes que moldam a marca pessoal. Grande parte da interpretação do eleitor sobre a confiabilidade de um candidato vem da comunicação não verbal. Um líder inseguro, que evita contato visual, transmite fragilidade. Já aquele que demonstra firmeza e proximidade ao mesmo tempo conquista confiança.


5. Alinhamento com causas sociais

O eleitor contemporâneo busca representatividade. Políticos que ignoram pautas ligadas à diversidade, à sustentabilidade e à equidade podem perder conexão com públicos estratégicos, especialmente os mais jovens. Não basta citar causas em discursos; é necessário mostrar engajamento real, apoiando projetos, defendendo minorias e participando de debates relevantes. A marca pessoal de quem se conecta a essas agendas (a favor ou contra) ganha densidade, enquanto a de quem permanece distante soa ultrapassada.

No estudo “Gen Z Voices Lackluster Trust In Major U.S. Institutions”, conduzido pelo Gallup em colaboração com a Walton Family Foundation, constatou-se que membros da Geração Z nos Estados Unidos (entre 12 e 26 anos) expressam níveis baixos de confiança nas instituições políticas e sociais. Esse dado é relevante porque, se a confiança nas instituições cai, o engajamento formal (votar, participar de partidos, atuar em cargos públicos) tende a recuar, especialmente quando já há sobrecarga emocional, frustrações sistêmicas e expectativas de que “as coisas não mudam”. 

Nas eleições, o eleitor não vota apenas em propostas. Vota em quem considera confiável, coerente e representativo…até mesmo porque, se você for entrevistar uma boa parte dos eleitores, terão dificuldade em listar qual o objetivo do seu candidato.

Como resume Ricardo Dalbosco, “o eleitor escolhe primeiro a pessoa, depois o projeto (e isso quando sabe qual é). A marca pessoal é o que abre a porta para que o discurso seja ouvido e o eleitor convencido.” E podemos trazer isso também para o dia a dia corporativo: política há dentro das empresas, nos conselhos de administração e consultivos, em associações comerciais e industriais, no seu time de futebol e inclusive provavelmente na sua religião. Agir de forma ingênua não fará com que você aumente a consciência e tome decisões mais estratégicas em sua jornada profissional para receber melhores oportunidades na carreira, convites e negóciosç 



Ricardo Dalbosco, PhD. - Palestrante referência em Comunicação Multigeracional e o Futuro do Trabalho, sendo estrategista de marca pessoal, referência nacional e com experiência em projetar marcas pessoais de profissionais de sucesso de quatro continentes, além de marcas corporativas. É Doutor com foco em influência digital, escritor Best-Seller, conselheiro de empresas, vencedor de prêmios, além de colunista e consultado por diversas mídias de renome nacional. É o maior formador de LinkedIn Top Voices e Creators no Brasil, trabalhou em diversos lugares pelo mundo e é considerado o profissional de confiança de vários executivos, empresários e board members no país.
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