quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Novas Diretrizes brasileiras revolucionam o controle do colesterol


Mudanças incluem uma avaliação mais personalizada, reforçando a importância do colesterol LDL e outras partículas consideradas de risco


Uma descoberta que pode mudar para sempre a prevenção de doenças cardiovasculares no país acaba de ser incorporada às diretrizes brasileiras de cardiologia. A lipoproteína(a), apelidada pelos especialistas de "colesterol amaldiçoado", pode ser mais agressiva às artérias que o LDL tradicional e níveis elevados atingem 18% da população brasileira – o equivalente a mais de 38 milhões de pessoas. A novidade faz parte da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e apresentada no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, com participação de especialistas do Hospital Moinhos de Vento. 

“A lipoproteína(a) é como uma prima do LDL, mas com um potencial devastador maior. Uma a cada 5 pessoas tem níveis elevados, e isso não é detectado em exames convencionais. É um fator de risco herdado geneticamente que pode explicar por que algumas pessoas infartam precocemente, mesmo sem outros fatores de risco aparentes", explica o cardiologista André Zimerman, head da Unidade de Ensaios Clínicos do Hospital Moinhos de Vento e um dos autores do documento. “A boa notícia é que um único exame de sangue, feito uma vez na vida, é suficiente para detectar esse risco. Por isso, agora recomendamos que todo adulto avalie a sua lipoproteína(a).” 

Embora ainda não existam medicamentos específicos para a lipoproteína(a), estudos promissores com tecnologia de RNA (de interferência) estão na fase final de testes, com resultados esperados para 2026 – para o "colesterol amaldiçoado", existem ao menos três medicações em teste baseadas nessa tecnologia de RNA, que reduzem os níveis em mais de 90%. 

As novas diretrizes também estabelecem metas mais rígidas para o controle do colesterol LDL em toda a população. Para pessoas com baixo risco cardiovascular, o limite passou de 130 mg/dl para 115 mg/dl, enquanto foi criada uma categoria de "risco extremo", com meta de LDL abaixo de 40 mg/dl. Essas mudanças refletem estudos recentes que mostram a necessidade de controle mais rigoroso para reduzir mais eventos cardiovasculares, que lideram as causas de morte no Brasil. 

“A medicina evolui para uma abordagem cada vez mais personalizada, permitindo identificar e tratar o risco cardiovascular de forma mais precisa, inclusive em pessoas que, à primeira vista, não teriam um colesterol tão elevado", afirma Carisi Anne Polanczyk, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Moinhos de Vento – também parte do grupo de autores da nova diretriz. O documento orienta os médicos a considerarem não apenas os níveis de colesterol, mas também fatores como hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade para traçar estratégias individualizadas de prevenção.

Acesse o documento neste link.

 

Hospital Moinhos de Vento
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