Iniciativa para o Dia Mundial da
Osteoporose realizada nesta segunda (20) visou promover a conscientização sobre
essa doença silenciosa dos ossos, que afeta 15 milhões de brasileiros
Ao passarem pela Alameda Ezequiel Dias, motoristas e transeuntes
receberam panfletos informativos sobre a osteoporose e biscoitos
de polvilho que remetem à fragilidade óssea.
Foto: Alex Campos
Em iniciativa conjunta para o Dia Mundial da Osteoporose, comemorado em 20 de outubro, a EMS, Rede Mater Dei de Saúde e Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG) se uniram para lançar o primeiro manifesto da doença com ação em Belo Horizonte, com apoio da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG).
Entre as 11h30 e 13h30 da segunda-feira (20), médicos, representantes das instituições e estudantes de medicina da Faculdade distribuíram panfletos informativos sobre a osteoporose e biscoitos de polvilho, que simbolizam a fragilidade óssea característica da doença, na Alameda Ezequiel Dias, em BH. Faixas de impacto com frases educativas como "Siga em frente com ossos fortes" e "Freie a osteoporose e acelere a prevenção" também foram utilizadas para chamar a atenção dos transeuntes e motoristas.
A nível mundial, a campanha é liderada pela Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), e tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção e o diagnóstico precoce dessa doença silenciosa que afeta milhões de pessoas.
“É importante que a sociedade entenda que osteoporose na população brasileira é mais frequente que infarto, AVC e pode matar mais que o câncer de mama. Assim, nos reunimos em várias entidades e frentes para fazer esse primeiro Manifesto em MG, em prol dessa conscientização. A ideia é mostrar para a população que uma dieta balanceada de cálcio, assim como diagnósticos mais aprofundados podem salvar muitas vidas”, aponta o organizador do Manifesto, Rômulo Lopes, Gerente Regional de Estratégias da farmacêutica EMS.
“Como parte desses esforços de distribuir informação sobre aporte de cálcio, atividade física e prevenção de queda, também vamos ensinar as pessoas a calcularem o seu risco de fratura por meio de uma calculadora online, em que a pessoa pode preencher seus dados e obter uma sugestão de que você é uma de alto, médio ou baixo risco para desenvolver osteoporose e fraturas, por exemplo”, conta o Dr. Bruno Muzzi, coordenador do Serviço de Densitometria do Mater Dei, médico e doutor em saúde feminina.
Outras atividades de conscientização estão previstas para ocorrer
ao longo da semana nas unidades da Rede Mater Dei Santo Agostinho e Contorno. A
expectativa é que a campanha se expanda no futuro, ampliando o alcance da
mensagem e impactando ainda mais pessoas na luta contra a osteoporose.
Um problema de saúde pública global
A osteoporose é uma condição crônica que se caracteriza pela
redução da densidade mineral óssea, o que aumenta o risco de fraturas.
Considerada um problema de saúde pública global, a doença afeta cerca de 15
milhões de brasileiros e mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo, de
acordo com dados compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).1
A condição é responsável por aproximadamente 400 mil fraturas por
fragilidade a cada ano no Brasil, conforme relatório da IOF, que também alerta
que, sem ações imediatas, o número de fraturas deve crescer 60% até 2030,
impulsionado pelo envelhecimento da população.2 Além disso, a doença
está associada a cerca de 200 mil óbitos anuais no país, segundo o Ministério
da Saúde.1 Estudos indicam que, após uma fratura de quadril, até 24%
dos pacientes podem falecer no primeiro ano, e 33% tornam-se dependentes de
terceiros para realizar atividades diárias.3
Mulheres são mais afetadas
A prevalência da osteoporose é notadamente maior no sexo feminino. Estima-se que, no Brasil, a condição afete 33% das mulheres com mais de 40 anos, segundo um levantamento da IOF.2 Outro dado alarmante, divulgado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, indica que aproximadamente 50% das mulheres com 50 anos ou mais sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida, em comparação com 20% dos homens na mesma faixa etária.4
A principal razão para essa diferença está na queda abrupta do estrogênio durante a menopausa. Este hormônio feminino desempenha um papel fundamental na proteção e fixação do cálcio nos ossos. Segundo o presidente da SOGIMIG, Eduardo Cândido, essa diminuição acelera a perda de massa óssea, tornando os ossos mais porosos e suscetíveis a fraturas.
“Quando esse equilíbrio se rompe, a perda de densidade mineral óssea
se acelera, aumentando o risco de osteoporose. Por isso, esse é um momento que
exige atenção redobrada e acompanhamento médico contínuo. Durante a consulta, é
possível avaliar o risco individual, solicitar exames como a densitometria
óssea e orientar medidas preventivas que vão desde o uso de terapia hormonal,
quando indicada, até mudanças no estilo de vida.”
O médico ainda destaca que a prevenção deve começar ainda antes da
menopausa, com hábitos simples e eficazes: “Praticar atividade física regularmente,
manter uma alimentação rica em cálcio e proteínas, expor-se ao sol de forma
segura e evitar tabagismo e álcool são atitudes que fazem diferença. Com
acompanhamento adequado, é possível retardar a perda óssea e garantir um
envelhecimento com mais autonomia e qualidade de vida”.
Prevenção e Diagnóstico
A osteoporose é uma doença silenciosa, que geralmente não apresenta sintomas até a ocorrência de uma fratura. Por isso, o diagnóstico precoce é crucial e pode ser feito por meio da densitometria óssea, um exame rápido e indolor que mede a densidade mineral dos ossos.
A prevenção deve começar na infância, com a construção de uma reserva óssea sólida. Uma dieta rica em cálcio é fundamental, com recomendação de 1.000 a 1.200 mg por dia para um adulto saudável. Segundo o estudo BRAZOS, nove em cada dez mulheres no Brasil consomem uma quantidade de cálcio inferior à recomendada.5
A prática de atividade física também exerce um papel crucial na prevenção.
Exercícios como musculação e pilates são altamente recomendados, assim como
atividades que treinam o equilíbrio, como dança e yoga, pois ajudam a prevenir
quedas.
EMS
Rede Mater Dei de Saúde
Unidades Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho,
Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem, Hospital Mater
Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater
Dei Santa Clara.
Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec
Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia
SOGIMIG
Referências:
1 - BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE (BVS MS). 20/10 – Dia
Mundial e Nacional da Osteoporose. Ministério da Saúde, [S. l.], 17
out. 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 13
out. 2025.
2 - INTERNATIONAL OSTEOPOROSIS FOUNDATION (IOF). Solutions
for fracture prevention in Brazil. Nyon: International
Osteoporosis Foundation, 2020. Disponível em: Link. Acesso em: 13
out. 2025.
3 - INTERNATIONAL OSTEOPOROSIS FOUNDATION (IOF). Latin
American Audit: Epidemiology, costs & burden of osteoporosis.
Nyon: International Osteoporosis Foundation, 2021.
4 - SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL.
Osteoporose: doença silenciosa atinge mais mulheres do que homens. Agência
Brasília, Brasília, DF, 20 out. 2023. Disponível em: Link. Acesso em: 13
out. 2025.
5 - PINHEIRO, M. M. et al.. O impacto da osteoporose no Brasil:
dados regionais das fraturas em homens e mulheres adultos - The Brazilian
Osteoporosis Study (BRAZOS). Revista Brasileira de Reumatologia, v. 50, n. 2,
p. 113–120, mar. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 13 out. 2025.
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