quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia Mundial da Menopausa: é possível ter uma vida sexual ativa e prazerosa após a menopausa?

No Dia Mundial da Menopausa (18 de outubro), Dra. Paula Fettback ginecologista pela USP, fala sobre os desafios da vida sexual após a menopausa, um tema ainda cercado de tabus, mas que pode ser vivido com prazer, autoconhecimento e equilíbrio. A especialista está disponível para entrevistas. 

Cerca de 30 milhões de brasileiras vivem o climatério ou a menopausa e muitas acreditam que o desejo sexual termina junto com o fim da menstruação. A ginecologista Dra. Paula Fettback, do Hospital das Clínicas da USP, explica por que essa fase pode, sim, ser vivida com prazer, autoconhecimento e liberdade

 

Entre tantas mudanças hormonais e físicas, a vida sexual após a menopausa também passa por transformações, um momento delicado, que pode trazer desconforto, inseguranças e dúvidas, mas que não precisa significar o fim do prazer. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres vivem o climatério ou a menopausa, o que representa quase 8% da população feminina, segundo estimativas do IBGE. Globalmente, esse número deve ultrapassar 1,2 bilhão até 2030.

“O termo menopausa é usado popularmente, mas o que muitas mulheres vivenciam é o climatério, um período de transição que pode durar até dez anos e envolve mudanças hormonais, físicas e emocionais importantes”, explica a ginecologista Dra. Paula Fettback, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Durante essa fase, ocorre a queda gradual de hormônios como progesterona, testosterona e estradiol, o que pode levar a sintomas como irregularidade menstrual, fadiga, diminuição da libido, ondas de calor, insônia, dor articular, alterações de memória e pele e vagina mais secas. “Essas transformações acontecem geralmente entre os 40 e 55 anos, fase em que muitas mulheres estão no auge profissional e pessoal. Por isso, os impactos emocionais e de autoestima costumam ser ainda mais significativos”, comenta a médica.

A consequência, segundo ela, é que muitas mulheres passam a acreditar que o desejo sexual desaparece com o fim da fertilidade. “Mas, existe vida sexual após a menopausa e ela pode ser plenamente satisfatória. Com o autoconhecimento, o diálogo e o acompanhamento adequado, é possível viver essa fase com mais prazer, conforto e liberdade”, reforça a ginecologista.

Entre as estratégias médicas e terapêuticas que ajudam a recuperar a qualidade da vida sexual, Dra. Paula cita a terapia hormonal indicada de forma individualizada e sob supervisão médica, além da fisioterapia pélvica, do pompoarismo, da psicoterapia e do uso de laser vaginal, que melhora a lubrificação e a saúde íntima. “Lubrificantes e hidratantes vaginais também ajudam muito, assim como algumas opções de fitoterápicos”, explica.

Para ela, o primeiro passo é vencer o tabu e buscar ajuda. “A mulher precisa entender que não está sozinha e que sentir essas mudanças é natural. O problema é quando ela deixa de procurar ajuda e passa a conviver com desconforto e insegurança. Há soluções eficazes e seguras, mas é preciso falar sobre isso.”

Além dos tratamentos, a médica reforça que hábitos saudáveis fazem diferença direta na sexualidade e no bem-estar. “Exercícios físicos, alimentação equilibrada e sono de qualidade impactam positivamente a disposição e a libido. O corpo e a mente precisam estar em equilíbrio.”

Dra. Paula Fettback destaca que cada vez mais pacientes têm buscado orientação sobre o tema. “A menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento ou de fim da vida sexual. Pelo contrário: pode ser o momento de se reconectar com o corpo e com o prazer, de forma madura, consciente e sem culpa.”

 

Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR - Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).



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